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A história do homem, Edmac Trigueiro

O autor consegue cumprir o que propõe em suas obras: apresentar assuntos complexos e extremamente científicos de uma forma acessível e interessante para o leitor leigo. Com uma narrativa bem fluida, o autor traça um paralelo entre respostas científicas relacionadas à criação do universo e à evolução dos seres vivos, com os principais questionamentos do ser humano. Como surgiu a vida da forma que conhecemos hoje? E para tratar desses assuntos complexos, o autor acaba trazendo exemplos do nosso dia a dia e de sua própria experiência pessoal.

Além disso, o trabalho do Edmac é uma grande contribuição para a literatura nacional e que deve ser valorizada! Para quem gostou de Sapiens, por exemplo, pode ser uma ótima opção de leitura! O livro é curto, cerca de 200 páginas, mas em nenhum momento chega a ser superficial. Na verdade, até achei que a parte final do livro – quando o autor passa a analisar a evolução do homem, desde o ancestral comum com os chimpanzés, até a espécie contemporânea – acabou ficando um pouco densa, com muitos detalhes científicos. Mas no conjunto, é uma ótima leitura… Traz conhecimentos básicos sobre a nossa origem e que, na minha opinião, deveriam ser de conhecimento de todos.

 

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Reflexão

E aí, quantos livros você já leu esse ano? Uma das mensagens que mais recebo aqui no instagram é de pessoas insatisfeitas com a quantidade de livros lidos. Quando termino um livro e coloco qual o “número” do livro no ano, as pessoas já vem desesperadas dizer que não leram nem um terço disso e querendo saber de dicas para ler mais rápido.
Mas, como eu sempre digo, não importa quantidade de livros lidos, mas a regularidade da sua leitura. Até porque, o número de livros lido não consegue medir nada em termos de “desempenho de leitura”. Veja a foto acima: três pilhas de livros, com uma quantidade total de páginas similar. Em uma delas, temos 10 livros, na outra 5 e na última “apenas” 2. Ou seja, eu posso muito bem ler todos os livros da primeira pilha e vir me gabar sobre a quantidade de livros que já li! E se perguntarem para a pessoa que leu os calhamaços da direita quanto livros ela já leu no ano, ela responderia: apenas 2. Mas só 2??? Vou te dar “Montanha Mágica” ou “Graça infinita” então para você ler! hahaha ?? (para quem não sabe, são dois calhamaços conhecidos por serem BEM difíceis!) Brincadeiras à parte, esse post é para que você para de se sentir pressionado se você leu poucos livros ou se a pessoa que você segue no instagram, por exemplo, já leu 20 livros em 4 meses. E isso não quer dizer que agora todo mundo deve começar a contabilizar as páginas lidas, ao invés do número de livros. Pelo contrário, sem contabilizações. A leitura não é para ser uma competição: cada um tem o seu ritmo e o seu tempo. Lógico que se, assim como eu, você gosta de contabilizar as leituras por uma questão de organização, sem problemas algum! Mas não deixe isso influenciar a ideia de que você é um melhor leitor que o outro!

Por isso, sugiro substituir a pergunta do “quantos livros você já leu esse ano?” para: E aí, você já leu hoje? ?? #bookster #literatura #livros #bookstagram

Gente pobre, Fiódor Dostoiévski

Na verdade, essa ideia é totalmente falsa e vou tratar mais especificamente sobre literatura russa em um post específico. É que antes de começar essa resenha, só queria deixar bem claro que a literatura russa é sim acessível e muito atual, o que fica evidente com a leitura dessa obra.

“Gente pobre” foi o primeiro romance de Dostoiévski e, já na época da publicação, foi responsável por trazer grande notoriedade ao autor. O romance é escrito em forma epistolar, isto é, por meio de cartas trocadas entre Makar Diévuchkin, um funcionário público já em sua velhice, e sua vizinha Varvara, uma jovem orfã. E ao longo da cartas, o que une os personagens é a pobreza, a pobreza no seu sentido material: é a falta de dinheiro para comprar comida, para comprar roupas decentes, isto é, para ter uma vida digna. E é justamente por meio de suas cartas que os personagens compartilham suas privações, como se recorressem um ao outro e a valores ricos – como a amizade e o cuidado pelo próximo – para conseguir sobreviver a essa falta material.

Apesar de ser seu romance de estreia, a obra já revela a genialidade do autor que, com apenas 25 anos (!!), consegue se aprofundar no íntimo do ser humano, de maneira extremamente sensível. Como já disse outras vezes, romance epistolar não é um gênero que me agrada tanto, pois muitas vezes se torna cansativo. Assim, no caso de Gente pobre, até por ser um livro denso, sugiro uma leitura mais lenta, feita aos poucos. Lido para o incrível projeto da @isavichi !

“(…) uma pessoa pobre é pior que um trapo e não é digna de nenhum respeito da parte de ninguém, seja lá o que for que escrevam.”

Dica: em uma parte do livro, os personagens fazem bastante referência ao conto “O Capote”, de Gogól. Por isso, para quem se interessar, indico a leitura do conto – que, por sina, é excelente – antes de iniciar o livro.

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Canção de ninar, Leïla Slimani

Comecei a ler Canção de ninar já com esse receio, mas com a expectativa de ser um daqueles suspenses que prendem muito a atenção. Logo na primeira página, o leitor já recebe aquele soco no estômago. Duas crianças são brutalmente assasinadas por sua babá e os pais não conseguem compreender o motivo para esse crime cruel.

No entanto, a partir das próximas páginas, confesso que o ritmo desandou. Não dá para negar que o livro prende a atenção do leitor, só que, na minha opinião, a história não passa de um bom suspense, com uma história intrigante. Mas não é aí que o livro se sobressai e, muito menos, que tenha levado à autora a vencer o Goncourt, principal prêmio literário da literatura francesa. Na verdade, o que tira Canção de ninar da mera categoria de um “bom suspense” é a crítica social, com um toque de ironia, que permeia a narrativa e que foi muito bem abordada pela jovem escritora franco-marroquina. É o conflito interno de uma mãe que não quer abrir mão de sua carreira profissional e que recorre a ajuda de uma babá, mas que sofre todos os dias com o estigma da mãe ausente. É a visão de um pai que enxerga na mulher a obrigação de cuidar da casa e dos filhos. É o preconceito da família de classe média com os imigrantes que vêm de países pobres para exercer aquelas funções vistas como “menos dignas”. É a falta de importância dos sentimentos e dos problemas de uma babá, que deve se preocupar apenas em fazer um bom trabalho.

Ou seja, o livro não é puro hype! Recomendo a leitura, mas não como uma indicação de um ótimo suspense – já que, nesse ponto, ele não é fora da curva – e sim como uma obra que consegue ser instigante e, ao mesmo tempo, tecer uma boa crítica social, abordando temas extremamente atuais. A escrita é simples e muito rápida, um livro para ser lido em poucos dias.

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#DesafioBookster2018 – Abril

– Mês: Abril – Categoria: Livro publicado na década de 1930
– Livro escolhido: Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo (1938)

O Desafio Book.ster 2018 foi lançado com o objetivo de conhecer, seguindo uma ordem temporal, obras clássicas publicadas no século XX. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas.

Antes de começar o mês, venho aqui apresentar o livro escolhido, assim como algumas sugestões para quem ainda não montou sua lista! Esse semana terminei a leitura de março e já adianto que foi uma dos melhores livros do ano… Logo, logo terá resenha!
Como os três primeiros meses tinham ficado com escritores europeus, estava sentindo falta de um escritor/escritora nacional. Então, em abril escolhi um livro de um dos maiores escritores brasileiros: Érico Veríssimo. E para a supresa de alguns, esse também será meu primeiro contato com o autor. Apesar de Olhai os lírios do campo não ser sua obra mais conhecida, foi o livro que deu repercussão nacional e internacional para Veríssimo. O próprio autor chegou a afirmar que “depois do aparecimento de Olhai os lírios do campo é que pude fazer profissão da literatura”.
O livro promete trazer reflexões sobre os valores da vida. Eugênio Pontes, um estudante de medicina, de origem humilde e que batalha muito para se formar como médico, decide se casar com uma jovem rica e, assim, ingressa na alta sociedade. No entanto, essa escolha acaba exigindo de Eugênio certos sacrifícios: sacrifício de seus ideias, de sua família e de seu verdadeiro amor. Depois que eu ler, conto para vocês o que achei! Quem aí já leu?

Além da obra de Veríssimo, indico os seguintes livros publicados na década de 1930: O quinze, Rachel de Queiroz (1930); Admirável mundo novo, Aldous Huxley (1932); Trópico de câncer, Henry Miller (1934); O garoto do riquixá, Lao She (1936); Capitães de areia, Jorge Amado (1937); e Vidas secas, Graciliano Ramos (1938); e As vinhas da ira, John Steinbeck (1939).
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E você, já escolheu sua leitura de abril?

Quarto de despejo: diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus

Carolina de Jesus era catadora de lixo e, com o pouco dinheiro que recebia, lutava diariamente para conseguir alimentar os seus 3 filhos. No entanto, a fome era comum e muito dolorosa, fazendo com que a autora recorresse com frequência ao lixo, em busca de restos de comidas. Durante a leitura, me deparei com diversas passagens de violência e miséria que chegam a embrulhar o estômago. Além de contar sobre o seu dia a dia, a autora também relata o ambiente caótico em que vive: a sujeira, as constantes brigas de vizinhos, a “bondade” dos políticos nas vésperas das eleições, o amadurecimento precoce das crianças, a doença e a morte. E é muito interessante que o editor tomou o cuidado de deixar a linguagem da forma mais natural possível, sem tentar corrigir os erros ortográficos e gramaticais da autora. É a vardeira linguagem utilizada por Carolina, uma mulher negra, moradora da favela, com pouca escolaridade, mas que, diante disso, conseguiu escrever um livro arrebatador. Enfim, Quarto de despejo é mais do que um relato da fome e da pobreza, é a história de resistência a um cenário de completa adversidade. Leitura obrigatória!

“A favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos.”

Dica: esse é um livro para ser lido aos poucos, sem pressa. Isso porque, apesar de ser uma leitura rápida, a obra é escrita em forma de diário e os “dias” acabam ficando repetitivos. Então, se você decidir ler tudo de uma vez, a leitura pode parecer arrastada e você deixará de aproveitar e extrair o melhor do livro: a força contida nas palavras de Carolina de Jesus.

 

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O sol é para todos, Harper Lee

O pano de fundo é uma cidadezinha do Alabama, extremamente racista, na década de 1930. Nela, um advogado, Atticus Finch, assume a defesa de um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. E a sua escolha traz sérias consequências para a reputação de sua família. Os cidadãos de Maycom não conseguem entender como Atticus pode defender um homem negro, da mesma forma que faria com alguém branco.

Só essa breve descrição já deixa claro que o livro aborda temas extremamente sensíveis e que causam repugnância. De fato! Mas o que torna a leitura tão interessante é que a narradora é uma garota de apenas 8 anos, Scout, a filha do advogado. São temas como racismo, intolerância e justiça a partir da visão ingênua e inocente de uma criança. Scout não consegue entender o porquê da revolta de seus vizinho e dos demais colegas da escola, quando, na verdade, seu pai só está fazendo seu trabalho.

E é no meio dessa dificuldade de compreensão que entram os ensinamentos de Atticus. Seu pai tenta transmitir o seu conceito de justiça, com a ideia de que todos são iguais e merecem ser tratados com tal. As críticas dos demais moradores de Maycomb não permitirão que ele passe por cima de seus valores. Uma das cenas mais interessantes do livro é o julgamento de Tom Robbinson, o acusado pelo estupro, e as reações de Scout com o desenrolar da sessão. Com uma narradora tão jovem, a obra, que trata de temas extremamente sérios, acaba revelando uma narrativa simples e acessível.

Por curiosidade, tamanha a relevância da obra que, em seu último discurso como presidente dos EUA, Obama fez questão de citar um de seus trechos: “You never really understand a person … until you climb into his skin and walk around in it.”

 

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