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Escolhas da vez! – Mulheres na literatura

Desde que criei o @book.ster, passei a conhecer um pouco mais sobre o mercado editorial e seus problemas. Dentre eles, a menor visibilidade de escritoras mulheres é um tema que merece atenção! Ano passado, analisando minhas leitura mais recentes, constatei que a proporção de autores homens ou mulheres dos livros era realmente distinta. Desde então, resolvi levar isso em consideração nas escolhas das minhas leituras. Como vocês sabem, costumo escolher 4 livros para ler ao mesmo tempo e, dessa vez, resolvi escolher livros apenas de escritoras mulheres.

As escolhas são sempre divididas em quatro categorias, que podem ser assim resumidas: um clássico; um livro curto (até 200 páginas); um autor contemporâneo/ficção científica; e um livro de não-ficção/contos/jornalístico/poemas. Isso me incentiva a ler alguns gêneros que não tenho tanto costume e também evita que eu canse de determinado livro.
Os escolhidos dessa vez são:

1 – Clássico: Orlando: uma biografia, Virginia Woolf – Livro escolhido do mês de março para o #desafiobookster2018! Já estou no meio dessa leitura e estou gostando MUITO. VW escreve bem demais!

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2 – Livro curto: O voo da guará vermelha, Maria Valéria Rezende – A autora é brasileira e vencedora de diversos prêmios literários. O livro trata da relação de Irene e Rosálio. Ela, uma mulher que chega do Norte e, em São Paulo, se torna uma prostituta com Aids. Ele, um servente de pedreiro que vive na cidade grande.

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3 – Autor contemporâneo: Canção de ninar, Leïla Slimani – A obra foi vencedora do Goncourt, principal prêmio literário francês. Promete ser um romance muito instigante, daqueles que você não consegue parar de ler. Slimani é uma autora franco-marroquina e vai participar da Flip 2018 (@flipse).

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4 – Livro de não-ficção: Quarto de despejo: diário de uma favelada, Maria Carolina de Jesus. O livro é escrito em forma de diário e retrata o difícil dia a dia de uma catadora de lixo na década de 50. Já iniciei a leitura e posso afirmar que é um soco no estômago.

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E vocês, estão lendo o que? Vamos prestar mais atenção nas nossas escolhas e ler mais escritoras mulheres?

Leonardo da Vinci, Walter Isaacson

E foi por isso que escolhi esse livro. No entanto, o que encontrei foi muito mais uma análise – muito profunda, por sinal – das criações e técnicas de estudos de Da Vinci, do que uma biografia acessível sobre sua vida e suas principais obras. Tanto isso é verdade que o livro não foi estruturado de forma linear, seguindo o decorrer dos anos, mas com base nas principais áreas de trabalho do Da Vinci – até porque, diferente do que se imagina, o trabalho de Leonardo foi muito além de suas pinturas. Dessa forma, o livro possui partes muito técnicas e detalhadas, que acabaram tornando a leitura maçante! Por exemplo, há um capítulo apenas sobre engenharia hidráulica e outro sobre os estudos de Da Vinci com a água.

Por outro lado, depois de ler uma biografia, você percebe o quanto o nosso conhecimento sobre determinada personalidade é superficial e limitado ao senso comum. Além disso, o livro tem partes muito interessantes, principalmente aquelas que buscam analisar as pinturas mais importantes de Leonardo. O autor consegue demonstrar, por meio das imagens que compõem a edição, que cada detalhe de suas obras eram pensadas e tinham alguma técnica por trás – o que o diferenciava dos artistas e cientistas de época. Depois de ler a biografia, fica evidente a genialidade de Leonardo! Ele era interessado por tudo, tinha sede de conhecimento e só atingiu seu sucesso por conta de muito esforço. Outro ponto alto da edição são as imagens de partes importantes dos cadernos de Da Vinci. É muito interessante ver como ele trabalhava e o ponto de partida de suas principais ideias.

No final confesso que estava bem cansado dessa leitura e com vontade de terminar. Acho que para ficar mais acessível, a obra poderia ter sido enxugada, cortando as partes mais técnicas e que não interessam tanto o leitor leigo, como eu. De qualquer forma, uma obra enriquecedora, com uma pesquisa muito bem feita e com uma escrita didática! #bookster

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DesCasos, Alexandra Szafir

E o livro é surpreendente por diversos motivos.
Em primeiro lugar, pela força de superação da autora. A obra foi escrita quando Alexandra já estava acometida por uma doença degenerativa gravíssima (ELA), que paralisou a maior parte dos seus músculos. Por isso, incapaz de se movimentar ou de falar, a autora escreveu os relatos apenas com o movimento dos olhos, com a ajuda de um programa de computador desenvolvido justamente para pessoas com deficiências.

Em segundo lugar, pelo grau de injustiça contida em cada um dos relatos apresentados. Como sou advogado, já havia lido e escutado casos bem absurdos do nosso sistema judiciário e carcerário. Mas esse livro consegue expor de forma crua e sensível a pouco divulgada realidade de acusados ou presos que, por sua condição social, ficam à mercê de um Estado falido e desestruturado. São casos de advogados que abandonam seus clientes por falta de dinheiro, autoridades que humilham os acusados, presos que estão na cadeia indevidamente, condições desumanas das prisões, e por aí vai…

Em terceiro lugar, a obra é muito acessível. Ela foi escrita para todos, independente se você estudou direito ou não. O livro é curto, fácil e rápido de ler.

Concluindo, na minha opinião DesCasos é uma daquelas leituras necessárias, que escancara uma realidade pouco conhecida, a realidade dos excluídos. Depois de lutar por mais de 10 anos contra a doença, a advogada e escritora faleceu em 2016.

 

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Os 120 dias de sodoma, Marquês de Sade

Tanto isso é verdade que o termo sadismo tem origem justamente no seu nome. Como nunca havia lido nada do autor, resolvi começar por Os 120 dias de sodoma, uma de suas obras mais comentadas. No entanto, além de ser um dos mais conhecidos, acho que acabei escolhendo o mais pesado de todos – e bota pesado nisso! Escrito em 1785, quando o autor estava preso na Bastilha, o enredo pode ser assim resumido: quatro homens nobres decidem se isolar por 120 dias em um castelo com mais 46 pessoas, dentre eles 16 jovens sequestrados (entre 12 e 15 anos), em busca de um prazer no seu modo mais extremo. Eu sabia que havia escolhido um livro polêmico, ou seja, eu não estava esperando uma leitura leve ou um romance mais tradicional… Mas o que encontrei foi apenas uma descrição do quanto doentia a imaginação do ser humano pode ser. O autor narra detalhadamente cenas de pedofilia, necrofilia, tortura, assassinato – e a lista vai longe… Precisa ter um bom estômago para conseguir ler a obra inteira, sem pular algumas das descrições mais fortes. E além do próprio conteúdo problemático, senti falta de um enredo melhor construído, que não se limitasse à mera descrição de cenas, para – talvez – tornar a obra menos repugnante. Por curiosidade, um pouco antes da revolução francesa, quando conseguiu sair da prisão, o autor achou que os manuscritos haviam se perdido e não conseguiu terminar sua obra. Tanto isso é verdade que, apesar do título, só há 30 dias efetivamente narrados (os demais foram deixados em forma de roteiro). Marquês de Sade morreu sem saber que sua obra foi reencontrada e, posteriormente, publicada. Ou seja, da quase metade que li, achei uma obra superestimada e não consegui compreender o que a torna um clássico da literatura… Mas como acho que escolhi o mais pesado de todos, pretendo dar uma nova chance ao autor.

Alguém recomenda alguma obra de Marquês de Sade?
E quem aí conseguiu terminar esse livro?

 

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A sociedade dos sonhadores involuntários, José Eduardo Agualusa

Rossi tem a capacidade de caminhar pelos sonhos alheios, enquanto Daniel pode sonhar com pessoas que existem, mas que ele nunca havia conhecido, e Moira consegue retratar os seus sonhos por meio dafotografia. Além disso, Hélio teria desenvolvido uma máquina capaz de reproduz em imagens o que as pessoas sonham. A ideia é, de fato, muito interessante e achei que me depararia com um boa historia de ficção. No entanto, ao longo da leitura, percebi que a narrativa não tinha nos sonhos, ou no “dom” de cada uma dos personagens, o seu objeto principal. Na verdade, essa a temática onírica é construída como um pano de fundo para uma obra que vai muito além, entrelaçando um romance prazeroso com uma forte crítica social e política sobre a atual situação da Angola – que sofre com um governo ditatorial desde 1979. E o autor, que nasceu em Angola e lá vive, faz dessa obra como um instrumento de disseminação e conscientização da triste situação de seu país. Nunca havia lido nada de Agualusa, mas fiquei muito bem impressionado com a sua habilidade no uso de metáforas e na criação de uma narrativa fluída e poética. Confesso que no começo achei a história um pouco confusa, mas depois de alguns capítulos já acabei sendo capturado pela narrativa. Recomendadíssimo!
Mais um livro que me deixa certo de que temos autores contemporâneos de língua portuguesa fazendo um trabalho excelente e de muita qualidade. Temos que incentivar escritores nacionais e escritores de língua portuguesa!

 

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#DesafioBookster2018 – Março 

– Categoria: Livro publicado na década de 1920
– Livro escolhido: Orlando – uma biografia, Virginia Woolf (1928)

Para quem chegou por aqui agora, o Desafio Bookster 2018 foi lançado com o objetivo de conhecer obras clássicas publicadas no século XX e, ao mesmo tempo, acompanhar a evolução do pensamento dos escritores e da época em que as obras foram publicadas. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas, começando Janeiro por um livro publicado na década de 1900, e assim por diante. Ah, e para quem só conheceu o desafio agora e ficou com vontade de começar, não tem problema nenhum iniciar por março. O importante é escolher um livro e iniciar a leitura!

Ano passado li Mrs. Dalloway e fiquei impressionado com a escrita de Virginia Woolf, principalmente a sua capacidade de colocar o leitor dentro da cabeça dos personagens. Como já tinha lido uma obra sua em que foi utilizada essa técnica de fluxo de consciência, agora alternar e optei uma obra com um estilo distinto. A narrativa parece ser genial: uma biografia ficcional de um indivíduo que percorre centenas de anos (séc. XVI-XX), mas envelhece pouco mais de 30. É um livro sobre transformações do indivíduo como ser humano, independente de questões envolvendo as diferenças de sexo. O protagonista passa de um jovem membro da aristocracia elisabetana a uma mulher moderna do século XX.

Além de Orlando, indico os seguintes livros publicados na década de 1920: Sidarta, Hermann Hesse (1922); Nós, Yevgeny Zamyatin (1924); O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald (1925); O sol também se levanta, Ernest Hemingway (1926); Macunaíma, Mário de Andrade (1928);O som e a fúria, William Faulkner (1929).

E você, já escolheu sua leitura de março?

O poder do hábito, Charles Duhhigg

Como mostrei hoje nos stories, 12 minutos é um aplicativo que traz microbooks dos principais títulos de não ficção (como livros de negócios, auto-ajuda e bem-estar). Achei uma ótima opção para ajudar o leitor a escolher, dentre uma quantidade cada vez maior de opções, a sua próxima leitura. Ou seja, o aplicativo – gratuito – funciona como um “filtro”, para que você conheça um pouco do conteúdo, sem que você fique limitado ao que as editoras escolhem incluir na sinopse. Mas é importante reforçar que o microbook NÃO substitui a leitura! Resolvi fazer o teste e escolhi um livro que já vinha chamando minha atenção há um certo tempo: O poder do hábito. Quem segue o @book.ster, sabe o quanto eu bato na tecla de que leitura é um hábito diário, que pode ser desenvolvido por qualquer um! Apesar da curiosidade que o título me despertou, eu não tinha nenhuma ideia de qual seria a proposta da obra. E depois que escutei o microobook, percebi que o livro me interessaria sim e fiquei com ainda mais vontade de ler. O autor vai tentar mostrar a importância e a influência dos hábitos no nosso dia a dia e como podemos usar isso a nossa favor. Ele pretende orientar o leitor a a desenvolver hábitos positivos, que nos interessam, com pequenas mudanças de comportamento. Duhhigg também se propõe a analisar como as grandes empresas e a mídia utilizam o poder do hábito para influenciar nossas decisões e aumentar suas vendas ou audiência. Ou seja, é uma abordagem do comportamento humano face às atividades da nossa rotina e às influências externas a que estamos o tempo todo submetidos. Acho que o aplicativo pode ser um bom incentivo para quem, assim como eu, não tem o costume de ler livros de não ficção, já que ele realmente conseguiu criar em mim a vontade de ler essa obra!Alguém aí já leu?
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Para quem se interessou, o link para baixar o aplicativo está no meu perfil do instagram! #bookster #12minutos