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#DesafioBookster2018 – Abril

– Mês: Abril – Categoria: Livro publicado na década de 1930
– Livro escolhido: Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo (1938)

O Desafio Book.ster 2018 foi lançado com o objetivo de conhecer, seguindo uma ordem temporal, obras clássicas publicadas no século XX. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas.

Antes de começar o mês, venho aqui apresentar o livro escolhido, assim como algumas sugestões para quem ainda não montou sua lista! Esse semana terminei a leitura de março e já adianto que foi uma dos melhores livros do ano… Logo, logo terá resenha!
Como os três primeiros meses tinham ficado com escritores europeus, estava sentindo falta de um escritor/escritora nacional. Então, em abril escolhi um livro de um dos maiores escritores brasileiros: Érico Veríssimo. E para a supresa de alguns, esse também será meu primeiro contato com o autor. Apesar de Olhai os lírios do campo não ser sua obra mais conhecida, foi o livro que deu repercussão nacional e internacional para Veríssimo. O próprio autor chegou a afirmar que “depois do aparecimento de Olhai os lírios do campo é que pude fazer profissão da literatura”.
O livro promete trazer reflexões sobre os valores da vida. Eugênio Pontes, um estudante de medicina, de origem humilde e que batalha muito para se formar como médico, decide se casar com uma jovem rica e, assim, ingressa na alta sociedade. No entanto, essa escolha acaba exigindo de Eugênio certos sacrifícios: sacrifício de seus ideias, de sua família e de seu verdadeiro amor. Depois que eu ler, conto para vocês o que achei! Quem aí já leu?

Além da obra de Veríssimo, indico os seguintes livros publicados na década de 1930: O quinze, Rachel de Queiroz (1930); Admirável mundo novo, Aldous Huxley (1932); Trópico de câncer, Henry Miller (1934); O garoto do riquixá, Lao She (1936); Capitães de areia, Jorge Amado (1937); e Vidas secas, Graciliano Ramos (1938); e As vinhas da ira, John Steinbeck (1939).
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E você, já escolheu sua leitura de abril?

Quarto de despejo: diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus

Carolina de Jesus era catadora de lixo e, com o pouco dinheiro que recebia, lutava diariamente para conseguir alimentar os seus 3 filhos. No entanto, a fome era comum e muito dolorosa, fazendo com que a autora recorresse com frequência ao lixo, em busca de restos de comidas. Durante a leitura, me deparei com diversas passagens de violência e miséria que chegam a embrulhar o estômago. Além de contar sobre o seu dia a dia, a autora também relata o ambiente caótico em que vive: a sujeira, as constantes brigas de vizinhos, a “bondade” dos políticos nas vésperas das eleições, o amadurecimento precoce das crianças, a doença e a morte. E é muito interessante que o editor tomou o cuidado de deixar a linguagem da forma mais natural possível, sem tentar corrigir os erros ortográficos e gramaticais da autora. É a vardeira linguagem utilizada por Carolina, uma mulher negra, moradora da favela, com pouca escolaridade, mas que, diante disso, conseguiu escrever um livro arrebatador. Enfim, Quarto de despejo é mais do que um relato da fome e da pobreza, é a história de resistência a um cenário de completa adversidade. Leitura obrigatória!

“A favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos.”

Dica: esse é um livro para ser lido aos poucos, sem pressa. Isso porque, apesar de ser uma leitura rápida, a obra é escrita em forma de diário e os “dias” acabam ficando repetitivos. Então, se você decidir ler tudo de uma vez, a leitura pode parecer arrastada e você deixará de aproveitar e extrair o melhor do livro: a força contida nas palavras de Carolina de Jesus.

 

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O sol é para todos, Harper Lee

O pano de fundo é uma cidadezinha do Alabama, extremamente racista, na década de 1930. Nela, um advogado, Atticus Finch, assume a defesa de um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. E a sua escolha traz sérias consequências para a reputação de sua família. Os cidadãos de Maycom não conseguem entender como Atticus pode defender um homem negro, da mesma forma que faria com alguém branco.

Só essa breve descrição já deixa claro que o livro aborda temas extremamente sensíveis e que causam repugnância. De fato! Mas o que torna a leitura tão interessante é que a narradora é uma garota de apenas 8 anos, Scout, a filha do advogado. São temas como racismo, intolerância e justiça a partir da visão ingênua e inocente de uma criança. Scout não consegue entender o porquê da revolta de seus vizinho e dos demais colegas da escola, quando, na verdade, seu pai só está fazendo seu trabalho.

E é no meio dessa dificuldade de compreensão que entram os ensinamentos de Atticus. Seu pai tenta transmitir o seu conceito de justiça, com a ideia de que todos são iguais e merecem ser tratados com tal. As críticas dos demais moradores de Maycomb não permitirão que ele passe por cima de seus valores. Uma das cenas mais interessantes do livro é o julgamento de Tom Robbinson, o acusado pelo estupro, e as reações de Scout com o desenrolar da sessão. Com uma narradora tão jovem, a obra, que trata de temas extremamente sérios, acaba revelando uma narrativa simples e acessível.

Por curiosidade, tamanha a relevância da obra que, em seu último discurso como presidente dos EUA, Obama fez questão de citar um de seus trechos: “You never really understand a person … until you climb into his skin and walk around in it.”

 

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Escolhas da vez! – Mulheres na literatura

Desde que criei o @book.ster, passei a conhecer um pouco mais sobre o mercado editorial e seus problemas. Dentre eles, a menor visibilidade de escritoras mulheres é um tema que merece atenção! Ano passado, analisando minhas leitura mais recentes, constatei que a proporção de autores homens ou mulheres dos livros era realmente distinta. Desde então, resolvi levar isso em consideração nas escolhas das minhas leituras. Como vocês sabem, costumo escolher 4 livros para ler ao mesmo tempo e, dessa vez, resolvi escolher livros apenas de escritoras mulheres.

As escolhas são sempre divididas em quatro categorias, que podem ser assim resumidas: um clássico; um livro curto (até 200 páginas); um autor contemporâneo/ficção científica; e um livro de não-ficção/contos/jornalístico/poemas. Isso me incentiva a ler alguns gêneros que não tenho tanto costume e também evita que eu canse de determinado livro.
Os escolhidos dessa vez são:

1 – Clássico: Orlando: uma biografia, Virginia Woolf – Livro escolhido do mês de março para o #desafiobookster2018! Já estou no meio dessa leitura e estou gostando MUITO. VW escreve bem demais!

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2 – Livro curto: O voo da guará vermelha, Maria Valéria Rezende – A autora é brasileira e vencedora de diversos prêmios literários. O livro trata da relação de Irene e Rosálio. Ela, uma mulher que chega do Norte e, em São Paulo, se torna uma prostituta com Aids. Ele, um servente de pedreiro que vive na cidade grande.

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3 – Autor contemporâneo: Canção de ninar, Leïla Slimani – A obra foi vencedora do Goncourt, principal prêmio literário francês. Promete ser um romance muito instigante, daqueles que você não consegue parar de ler. Slimani é uma autora franco-marroquina e vai participar da Flip 2018 (@flipse).

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4 – Livro de não-ficção: Quarto de despejo: diário de uma favelada, Maria Carolina de Jesus. O livro é escrito em forma de diário e retrata o difícil dia a dia de uma catadora de lixo na década de 50. Já iniciei a leitura e posso afirmar que é um soco no estômago.

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E vocês, estão lendo o que? Vamos prestar mais atenção nas nossas escolhas e ler mais escritoras mulheres?

Leonardo da Vinci, Walter Isaacson

E foi por isso que escolhi esse livro. No entanto, o que encontrei foi muito mais uma análise – muito profunda, por sinal – das criações e técnicas de estudos de Da Vinci, do que uma biografia acessível sobre sua vida e suas principais obras. Tanto isso é verdade que o livro não foi estruturado de forma linear, seguindo o decorrer dos anos, mas com base nas principais áreas de trabalho do Da Vinci – até porque, diferente do que se imagina, o trabalho de Leonardo foi muito além de suas pinturas. Dessa forma, o livro possui partes muito técnicas e detalhadas, que acabaram tornando a leitura maçante! Por exemplo, há um capítulo apenas sobre engenharia hidráulica e outro sobre os estudos de Da Vinci com a água.

Por outro lado, depois de ler uma biografia, você percebe o quanto o nosso conhecimento sobre determinada personalidade é superficial e limitado ao senso comum. Além disso, o livro tem partes muito interessantes, principalmente aquelas que buscam analisar as pinturas mais importantes de Leonardo. O autor consegue demonstrar, por meio das imagens que compõem a edição, que cada detalhe de suas obras eram pensadas e tinham alguma técnica por trás – o que o diferenciava dos artistas e cientistas de época. Depois de ler a biografia, fica evidente a genialidade de Leonardo! Ele era interessado por tudo, tinha sede de conhecimento e só atingiu seu sucesso por conta de muito esforço. Outro ponto alto da edição são as imagens de partes importantes dos cadernos de Da Vinci. É muito interessante ver como ele trabalhava e o ponto de partida de suas principais ideias.

No final confesso que estava bem cansado dessa leitura e com vontade de terminar. Acho que para ficar mais acessível, a obra poderia ter sido enxugada, cortando as partes mais técnicas e que não interessam tanto o leitor leigo, como eu. De qualquer forma, uma obra enriquecedora, com uma pesquisa muito bem feita e com uma escrita didática! #bookster

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DesCasos, Alexandra Szafir

E o livro é surpreendente por diversos motivos.
Em primeiro lugar, pela força de superação da autora. A obra foi escrita quando Alexandra já estava acometida por uma doença degenerativa gravíssima (ELA), que paralisou a maior parte dos seus músculos. Por isso, incapaz de se movimentar ou de falar, a autora escreveu os relatos apenas com o movimento dos olhos, com a ajuda de um programa de computador desenvolvido justamente para pessoas com deficiências.

Em segundo lugar, pelo grau de injustiça contida em cada um dos relatos apresentados. Como sou advogado, já havia lido e escutado casos bem absurdos do nosso sistema judiciário e carcerário. Mas esse livro consegue expor de forma crua e sensível a pouco divulgada realidade de acusados ou presos que, por sua condição social, ficam à mercê de um Estado falido e desestruturado. São casos de advogados que abandonam seus clientes por falta de dinheiro, autoridades que humilham os acusados, presos que estão na cadeia indevidamente, condições desumanas das prisões, e por aí vai…

Em terceiro lugar, a obra é muito acessível. Ela foi escrita para todos, independente se você estudou direito ou não. O livro é curto, fácil e rápido de ler.

Concluindo, na minha opinião DesCasos é uma daquelas leituras necessárias, que escancara uma realidade pouco conhecida, a realidade dos excluídos. Depois de lutar por mais de 10 anos contra a doença, a advogada e escritora faleceu em 2016.

 

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Os 120 dias de sodoma, Marquês de Sade

Tanto isso é verdade que o termo sadismo tem origem justamente no seu nome. Como nunca havia lido nada do autor, resolvi começar por Os 120 dias de sodoma, uma de suas obras mais comentadas. No entanto, além de ser um dos mais conhecidos, acho que acabei escolhendo o mais pesado de todos – e bota pesado nisso! Escrito em 1785, quando o autor estava preso na Bastilha, o enredo pode ser assim resumido: quatro homens nobres decidem se isolar por 120 dias em um castelo com mais 46 pessoas, dentre eles 16 jovens sequestrados (entre 12 e 15 anos), em busca de um prazer no seu modo mais extremo. Eu sabia que havia escolhido um livro polêmico, ou seja, eu não estava esperando uma leitura leve ou um romance mais tradicional… Mas o que encontrei foi apenas uma descrição do quanto doentia a imaginação do ser humano pode ser. O autor narra detalhadamente cenas de pedofilia, necrofilia, tortura, assassinato – e a lista vai longe… Precisa ter um bom estômago para conseguir ler a obra inteira, sem pular algumas das descrições mais fortes. E além do próprio conteúdo problemático, senti falta de um enredo melhor construído, que não se limitasse à mera descrição de cenas, para – talvez – tornar a obra menos repugnante. Por curiosidade, um pouco antes da revolução francesa, quando conseguiu sair da prisão, o autor achou que os manuscritos haviam se perdido e não conseguiu terminar sua obra. Tanto isso é verdade que, apesar do título, só há 30 dias efetivamente narrados (os demais foram deixados em forma de roteiro). Marquês de Sade morreu sem saber que sua obra foi reencontrada e, posteriormente, publicada. Ou seja, da quase metade que li, achei uma obra superestimada e não consegui compreender o que a torna um clássico da literatura… Mas como acho que escolhi o mais pesado de todos, pretendo dar uma nova chance ao autor.

Alguém recomenda alguma obra de Marquês de Sade?
E quem aí conseguiu terminar esse livro?

 

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