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#DesafioBookster2018 – Junho

Posted on 3 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
#DesafioBookster2018 – Junho

– Mês: Junho – Categoria: Livro publicado na década de 1950
– Livro escolhido: “Ciranda de Pedra”, Lygia Fagundes Telles (1954)

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Para quem ainda não conhece, o Desafio Book.ster 2018 foi lançado com o objetivo de, seguindo uma ordem temporal, incentivar a leitura de obras clássicas publicadas no século XX. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas. Por exemplo, em janeiro lemos um livro publicado entre 1900 e 1909. E por aí vai… Se você ainda não começou, ainda dá tempo de participar, é só escolher um livro para esse mês e que tenha sido publicado na década de 50…
No início de todo mês venho aqui apresentar o livro escolhido, assim como algumas sugestões para de obras publicadas na década respectiva!
O livro escolhido para o mês de junho é, sem dúvidas, de uma das principais autoras brasileiras, Lygia Fagundes Telles. Nunca li nada da autora, conhecida por suas obras sobre temas universais, como amor, laços familiares e morte. Em “Ciranda de pedra”, seu primeiro romance, a autora narra a história de Virgínia, a caçula de um casal de pais separados e que se vê no meio de conflitos familiares marcados pela traição e loucura. A obra já fez tanto sucesso que foi adaptada duas vezes para as telenovelas brasileiras. Em 2016, aos 92 anos, Lygia foi a primeira autora brasileira a ser indicada ao Prêmio Nobel da Literatura. A título de curiosidade, Lygia também é advogada e se formou na mesma faculdade que eu (USP).

Além de “Ciranda de pedra”, indico os seguintes livros publicados na década de 1950:

“O apanhador no campo de centeio”, J. D. Salinger (1951); https://amzn.to/2LitDIR

“Memórias de Adriano”, Marguerite Yourcenar (1951); https://amzn.to/2Li1phq

“Fahrenheit 451”, Ray Bradbury (1953); https://amzn.to/2xEYBsM

“O senhor das moscas”, William Golding (1954); https://amzn.to/2Lk1n8Q

“Auto da compadecida”, Ariano Suassuna (1955); https://amzn.to/2LkbB94 e

“Lolita”, Vladimir Nabokov (1955). https://amzn.to/2sw2oUj

E você, já escolheu sua leitura de junho?
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As brasas, Sándor Márai

Posted on 2 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
As brasas, Sándor Márai

De um lado, Heinrik, general do império austro-húngaro e nascido em uma família aristocrata. De outro, Konrad, seu amigo de infância que, depois de uma tarde aparentemente normal de caça, resolve desaparecer. E passadas mais de quatro décadas desse sumiço, quando os dois “antigos” amigos já estão no final da vida, Konrad aparece para um reencontro.

E o leitor logo se pergunta: quais teriam sido os motivos para o fim de uma amizade tão forte? Essa é a pergunta que vem remoendo e assombrando os pensamentos do general há 41 anos e 43 dias contados. Sim, durante esse longo período, Heinrik sofreu com as possíveis justificativas para esse abandono repentino. As incertezas são uma fonte de sofrimento corrente para o general (o que me lembrou do nosso clássico Dom Casmurro).  E o autor sabe como usar esse mistério: vai progredindo na narrativa no ritmo certo, levando o leitor para momentos do passado, desde a infância e juventude dos amigos, para tentar encontrar o verdadeiro motivo para o fim da amizade. As respostas vão aparecendo ao longo do livro, enquanto o leitor acompanha o diálogo profundo e sensível construído pelo autor. O general até suspeita de um possível motivo, mas não consegue acreditar que o amigo poderia traí-lo de tal forma – são tantas dúvidas e rancores alimentados pelo general que o diálogo é, na verdade, um monólogo.

Minuciosamente descrito pelo autor, o cenário por trás dessa história é um dos pontos altos da obra: um castelo na Húngria, cercado por densas florestas, no qual viveram várias gerações de uma família aristocrata. Apesar do pouco número de páginas (cerca de 170), a leitura leva mais tempo, com um texto profundo e detalhado que deve ser aproveitado pelo leitor nos mínimos detalhes. Um clássico sobre amizade, paixão e vingança escritor de forma excepcionalmente sensível e profunda!

“Nesse instante, ambos perceberam que o que lhes dera força para se manterem vivos nos anos e anos que tinham se passado era a expectativa de se encontrarem. Como acontece com os que levaram a vida toda se preparando para uma única missão e de repente chega o momento de agir, Konrad sabia que um dia retornaria àquele lugar, e o general sabia que um dia chegaria aquele momento. Foi isso que os manteve em vida.”

Curiosidade: Livro do mês de maio do #desafiobookster2018, foi publicado em 1942, em um período conturbado de início da 2 Guerra Mundial.

 

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Como os advogados salvaram o mundo, José Roberto de Castro Neves

Posted on 30 de maio de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Como os advogados salvaram o mundo, José Roberto de Castro Neves
O título chama a atenção logo de cara, ainda mais quando se fala em advogados, sempre vítimas de piadas e críticas – especialmente no atual Brasil da “Lava Jato”. Então, a primeira pergunta que passa na cabeça é: como seria possível afirmar que os advogados salvaram o mundo? E é justamente a partir desse título provocativo, que o autor desenvolve uma proposta muito interessante: demonstrar ao leitor como a presença de advogados foi relevante nos principais momentos de nossa história. O autor faz referência a episódios marcantes para a proteção dos cidadãos contra um estado arbitrário e governos autoritários. Dessa forma, o que José Roberto consegue fazer ao longo desse livro é, por meio de uma vasta pesquisa, expor uma visão humanista do advogado, aquele que, por centenas de anos, vem atuando para garantir a liberdade daqueles em nome de quem atua. São personalidades como Ghandhi, Mandela, Montesquieu, Cícero e muitos outros – que partilham da formação jurídica como ponto comum – conseguiram “salvar o mundo”, no sentido de proteger “o homem de seu maior inimigo: os próprios homens“. 
E para demonstrar isso ao leitor, José Roberto atravessa um período histórico surpreendente. Desde a lei das 12 Tábuas, datada do século V a.c., passando pelo Renascimento, Iluminismo, Revolução Americana, Revolução Francesa, o autor chega às questões polemicas da profissão nos dias atuais e se arrisca até mesmo a discutir os riscos para a função do advogado em um futuro marcado pela inteligência artificial. Na minha opinião, um dos pontos mais positivos da obra é que essa “aula de história” em forma de livro foi construída de forma extremamente fluida e de fácil leitura! Ou seja, não é uma leitura apenas para advogados, mas para qualquer um que goste de história, direito ou tenha curiosidade sobre a formação da sociedade como conhecemos hoje. Além disso, José Roberto deixa o conteúdo ainda mais rico com trechos de diversos textos e discursos originais e representativos desses principais episódios que marcaram a nossa história.  

Por fim, como o autor é um grande colega, resolvi fazer essa resenha sem nota, sempre com o objetivo de manter a imparcialidade na minha avaliação. Independente disso, fato é que recomendo muito!

Recebi o livro da @novafronteira, muito obrigado!

“Talvez, num mundo diferente, habitado apenas por seres perfeitos, bons, altruístas e pacíficos, os advogados fossem supérfluos. Mas não é esse o mundo que vivemos. Sem os advogados, o mundo seria pior.

Os advogados não são perfeitos. É claro. São seres humanos que têm na imperfeição uma das suas características mais marcantes e belas. Por outro lado, apenas enquanto humanos é que eles conseguem compreender a humanidade.”

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Posted in LIVROS, NÃO FICÇÃOTagged Como os advogados salvaram o mundoLeave a Comment on Como os advogados salvaram o mundo, José Roberto de Castro Neves

Compartilhando Leitura

Posted on 27 de maio de 201827 de maio de 2018 by bookster
Compartilhando Leitura

 Ler é, muitas vezes, visto como uma atividade solitária. Eu, inclusive, tinha essa opinião até criar o @book.ster. Mas o que descobri nesse meio tempo é que, na verdade, não é a leitura que é solitária. O que faltam são espaços para conversar sobre o assunto. E quando eu digo que faltam espaços, não me refiro apenas a perfis como esse, por exemplo, mas ao espaço para o tema leitura no nosso dia a dia.

Experiência própria: antes do @book.ster,  a leitura não era um assunto recorrente na minha rotina (já hoje em dia, virei o louco dos livros, kkkk).  E foi a partir dessa mudança de comportamento minha e das pessoas a minha volta que eu percebi que como o “falar” sobre livros – e trazer esse tema para o nosso dia a dia – pode ser uma excelente forma de incentivar a leitura.

É impressionante o número de pessoas que vêm compartilhar suas experiências literárias comigo e falar como a página está ajudando a ler mais. No entanto, estou conseguindo influenciar a leitura porque, ao me seguir, a pessoa acaba inserindo um pouco do tema “leitura” em seu dia. E isso é tão fácil de fazer! São atitudes simples, como, por exemplo, combinar com um amigo de ler um mesmo livro. Só nesse ato, você já está transformando 1 leitor em 2 leitores – e criando uma companhia para conversar sobre o livro! Você também pode recomendar uma boa leitura para alguém, pedir um sugestão ou simplesmente perguntar qual a leitura atual. E isso depende essencialmente de uma iniciativa nossa. Se a gente reclama que o Brasil é um país em que se lê pouco, é porque é um país que fala pouco da leitura (sem esquecer, é lógico, da questão social envolvendo o acesso aos livros).

 Portanto, hoje em dia, quando me parabenizam pelo meu trabalho de incentivar a leitura, eu respondo que a pessoa também pode fazer a parte desse trabalho.

 Vamos começar isso agora? Marque algum amigo aqui, recomendando uma leitura ou combinando de ler um livro juntos! Vamos transformar o leitor aparentemente solitário, em  leitores conjuntos. Os próximos passos vêm naturalmente…

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Laços, Domenico Starnone

Posted on 23 de maio de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Laços, Domenico Starnone

Laços é uma obra sobre relações conturbadas, traição e a desmitificação da família perfeita. Vanda e Aldo, casados há mais de cinco décadas, ainda sofrem com um episódio de infidelidade que marcou sua relação. Esse assunto é rememorado quando o casal, ao voltar de uma viagem de férias, encontra o apartamento em que vivem completamente revirado. Na organização de cartas e fotos, as lembranças vêm a tona e, com isso, o leitor passa a conhecer a época de crise vivida pelo casal a partir da versão de cada um: Vanda, no papel de traída e que sofre com a sensação de abandono, e Aldo, que simplesmente foi embora…

Apesar da banalidade do assunto abordado pelo autor, essa não é uma resenha fácil de ser feita. É difícil expor a alguém que não leu a obra o que um livro com um assunto de certa forma “clichê” pode trazer de tão bom. Para mim, o sucesso desse romance italiano está na humanização dos personagens e na realidade com que seus sentimentos são apresentados. A leitura é bem rápida e instigante, com diálogos fortes e muito bem construídos. Gostei muito do significado por trás do título da obra, que vai muito além da simples ideia de laço emocional e é destrinchado pelo autor ao longo da narrativa. O final também é excelente!

Há boatos de que Starnone seria o marido da autora por trás do pseudônimo Elenta Ferrante, ou até mesmo que Starnone seria o verdadeiro autor de suas obra, e que Laços seria uma resposta a uma das obras de sucesso de Ferrante, “Dias de abandono”. Além disso, os leitores enxergam uma nítida semelhança entre as obras dos dois – ou um só! – autores. Não sei se é verdade e também nunca li nada de Elena Ferrante, mas se essa semelhança entre as obras de fato existir, fica fácil de compreender os motivos do sucesso que os romances da autora italiana vêm fazendo.

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“Em toda casa há uma ordem aparente e uma desordem real.”

 

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Augustus, John Williams

Posted on 20 de maio de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Augustus, John Williams

O autor busca recontar a história de Augusto, fundador do Império Romano, a partir de cartas e fragmentos de diários que, embora com conteúdo fictício, tem autoria de personagens históricos reais. Já falei diversas vezes aqui como eu gosto de romance histórico, principalmente quando envolve períodos mais antigos. No entanto, o que diferencia esse livro dos demais é justamente a estrutura sobre a qual foi construído. O autor soube usar muito bem a troca de correspondências entre os personagens para contar uma história tão rica, como a de Augusto, e repleta de intrigas políticas, sociais e familiares.
A autoria dessas correspondências varia muito, passando pelo próprio Augusto e pessoas próximas do Imperador a cidadãos comuns e escravos. Assim, o leitor consegue perceber a diferença entre as opiniões que cada pessoa tinha sobre o Imperador, a depender de sua posição social ou interesse político. É a construção de um personagem histórico a partir de diversos pontos de vista .
Também gostei muito da forma com que Augustus, em alguns momentos, é apresentado como um ser humano qualquer. Ou seja, a despeito de se tratar da história de um Imperador – que, naquela época, era comparado a um deus -, o autor consegue mostrar que Augusto tinha fraquezas, dúvidas e anseios. Li esse livro no original no final do ano passado, mas como fiquei sabendo que a @radio.londres ia publicar a edição no Brasil só em 2018, resolvi esperar para postar a resenha. Recomendo muito! .
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. “Estou convencido de que, na vida de todo homem, cedo ou tarde, chega o momento em que ele toma consciência, mais claramente que nunca, e independentemente do que ele consegue admitir, da terrível realidade da sua condição; do fato que ele está sozinho, e separado dos outros; e que ele apenas pode ser a miserável criatura que ele é.”

 

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Livro físico ou eReader?

Posted on 19 de maio de 201821 de maio de 2018 by bookster
Livro físico ou eReader?

Livro físico ou eReader? É bem comum receber perguntas sobre os eReaders, se vale a pena o investimento e se é fácil de se acostumar! Eu tenho um eReader há um certo tempo, mas confesso que não consigo me desapegar do livro físico (na verdade, quase não uso meu Kindle). Digo desapegar porque, na minha opinião, os eReaders têm de fato mais “vantagens” e são uma excelente alternativa para quem tem o hábito de ler. São mais leves (acho que a foto acima deixa isso bem claro), mais práticos de levar para qualquer lugar, costumam ter uma bateria que dura bastante, possuem dicionários embutidos e, normalmente, os livros digitais são mais baratos. Mas então, por que eu continuo com os livros físicos? Acho que não é uma decisão muito racional… É meio clichê falar, mas eu gosto de ter o livro comigo, sentir o progresso da leitura com o avançar das páginas. Gosto de poder entrar em uma livraria, folhar os livros e sair com um novo comigo. Gosto de terminar um livro, colocar de volta na estante e, em seguida, ficar procurando a próxima leitura (até porque meu quarto está quase virando uma livraria, kkkk).

Além disso, apesar de também ser possível marcar as partes que eu mais gosto no livro digital, prefiro colocar os meus  post-its e  – mesmo que eu nunca volte para ler o trecho marcado – poder ver que eles estão lá! Às vezes, quando terminava um ebook, ficava com a sensação que eu não tinha de fato lido o livro ou que, por não tê-lo fisicamente, iria esquecer em breve! Acho que são manias, mas tenho certeza de que não sou o único. Pelos perfis que sigo aqui no Instagram, percebo que tem muita gente que ainda não conseguiu mudar para o eReader. Para mim, não é nem questão de conseguir, eu simplesmente não quero deixar de ler os livros físicos, mas não ignoro a possibilidade de essa minha opinião mudar mais para frente.

Então, quando me perguntam se eu recomendo comprar um eReader, a resposta é sempre positiva! Acho que têm muitos aspectos positivos e se você não liga tanto para essas manias, a escolha fica ainda mais fácil. Já em relação ao modelo do eReader, os mais famosos são o Kindle, Kobo e Lev. Na época em que comprei meu primeiro Kindle, dei uma boa pesquisada e cheguei à conclusão de que ele era de fato o melhor – apesar de ser o mais caro. Mas também nunca tive nenhum dos outros para poder confirmar essa afirmação.

E vocês?

Posted in DIVERSOSTagged eReader, Livro físico1 comentário em Livro físico ou eReader?

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