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#DesafioBookster2019 | Julho

Tema de Julho: Bioética e os limites da tecnologia
Livro escolhido: “Oryx e Crake“, de Margaret Atwood
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Como havia prometido, vou mostrar para vocês a minha escolha do desafio @book.ster para esse mês e dar indicações de outros livros com a temática a ser abordada. Se você só chegou aqui agora, não tem problema! Comece o desafio a partir desse mês e busque aqui na página o post oficial para entender melhor como funciona.
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O tema de julho é traz discussões que vem cada vez ganhando mais destaque, mas que já foram muito abordadas na literatura, principalmente em romances distópicos (distopia é aquele um futuro que não deu certo, é o oposto de uma sociedade utópica). Quantas histórias já não ouvimos sobre um futuro dominado pela inteligência artificial ou sobre a criação de animais e seres humanos geneticamente modificadas? Mas também vale lembrar que os limites da tecnologia também envolvem outras temáticas, como o impacto das redes sociais em nossas vidas.
E confesso que estava bem animado para ler o livro escolhido para esse mês. “Oryx e Crake” é o primeiro volume de uma trilogia escrita pela mesma autora de “O conto da aia”. No livro escolhido, nos deparamos com um mundo pós-apocalíptico, habitado por criaturas biologicamente modificadas. Só há um ser humano sobrevivente e ele precisa conviver com crianças criadas em laboratório. Como promete a sinopse, “a autora conjuga uma fábula fantástica, mórbida e cheia de ação, com personagens cujo mundo interior é misterioso e uma constante descoberta”. Quem aí se animou com a escolha? Corre lá nos stories, porque tem link do livro com 50% de desconto (ao comprar pelo meu link você ajuda a página sem gastar nada a mais por isso)!
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Além do escolhido, indico os seguintes livros que abordam a temática: “Flores para Algernon”, de Daniel Keyes; “Cama de gato”, de Kurt Vonnegut, “Máquinas como eu”, de Ian McEwan; “O tribunal de quinta-feira”, de Michel Laub; “Eu, Robô”, de Isaac Asimov; “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley; e “A máquina do tempo”, de H. G. Wels.

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E você, já escolheu sua leitura de julho? #bookster

Autobiografia, de José Luís Peixoto | Resenha e Parceria

Será que as palavras mantêm vivos aqueles cuja falta nos é sentida? Peixoto conseguiu fazer isso com José Saramago. A presença do gênio da literatura como um dos personagens principais dessa obra conseguiu, sem qualquer dúvida, dar novos suspiros a Saramago. “Autobiografia” é uma leitura inteligente e que nos mantém famintos pelas próximas linhas, pelos próximos encontros e desencontros que, aos montes, se repetem nessa história.
José, o narrador-personagem, compartilha não apenas seu nome com Saramago, mas também a escolha da escrita como profissão. No entanto, José se encontra em um momento de crise: Como superar a dificuldade de escrever o segundo romance? Essa síndrome da folha em branco, que parece assombrar muitos escritores, não poupou o nosso narrador e, como parece, também fez de Saramago sua vítima. Em meio a essa obsessão causada pela ausência da escrita, a vida de José se cruza com a de Saramago. Mais que isso: José é convidado a escrever uma biografia da vida desse grande escritor.
E o que não podemos deixar de lado é a presença de um terceiro José: o autor do livro. São, portanto, três “Josés”, cujas histórias vão se mesclando entre uma indecifrável mistura de realidade e ficção. O importante é não querer ser um leitor tão racional nesse “jogo de espelhos”, mas curtir a inteligência de José – qual deles? – ao construir essa incrível narrativa sobre a escrita, sobre a vida do escritor e sobre situações imprevisíveis!
Para quem se interessou pelo livro, esse lançamento de Peixoto é mais uma conquista da @taglivros, clube de assinaturas com mais de 50 mil inscritos no Brasil. Em julho, a @taglivros completa 5 anos e, para isso, presenteou seus associados com essa obra escrita exclusivamente para o clube (categoria Curadoria). Assim, se você ainda não está inscrito, não perca tempo e corra no link dos stories para receber esse presente em casa (válido até dia 10.07). A partir do momento em que você assinar, todo mês será surpreendido com uma caixa contendo um livro surpresa e MUITO mais. No canal do Book.ster no Youtube tem um vídeo explicando os benefícios do clube para vocês.

As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta | Resenha

Diferentemente do que o título dá a entender, não se trata de um livro sobre alegrias. A maternidade abordada por Emecheta, escritora nigeriana de incrível talento, também está longe daquele conceito idealizado sobre a criação dos filhos. O que encontramos nessa obra é a difícil vida de uma Nnu Ego nigeriana, nascida no interior do país e que é enviada para a capital para se casar com um homem que nem conhece.
Nnu Ego é filha de um grande líder da tribo em que nasceu. Acostumada com as tradições de seu povo, a personagem sofre um choque cultural ao chegar na capital da Nigéria e se deparar com a dura vida nas grandes cidades – fortemente influenciadas pelos colonizadores. A presença do contraste entre a identidade de cada povo africano e dos colonizadores é muito forte na obra. É triste identificar como a mentalidade do colonizador branco tenta silenciar os costumes e tradições de uma nação.
Além disso, a narrativa tem um grande enfoque na constante batalha de Nnu Ego para criar seus filhos em situações precárias e, em grande parte do tempo, completamente sozinha. Qual o papel da mulher na cultura africana? Porque ela deve suportar tantas responsabilidades e se submeter ao injusto crivo moral da sociedade?
Ao se colocar no lugar da protagonista, não há como terminar esse livro sem uma visão mais real e empática sobre a maternidade e sobre as discriminações que ela sofre apenas por ser mulher. Apesar de publicado em 1979, a abordagem da autora sobre temáticas sensíveis e de inegável relevância social é muito atual.
Ah, não dá para deixar de dizer que a escrita de Emecheta também é deliciosa, muito agradável de ler, daquelas que as páginas passam sem você se dar conta. Inclusive, a história da autora não diverge muito da escrita nessa obra. Prometida ao seu marido desde os 11, casou aos 16 anos. Foi vítima de um casamento violento e perturbado. Talvez seja por isso que a sua visão sobre as condições da mulher nigeriana é tão facilmente transmitida ao leitor, que compartilha das angústias da protagonista.

E aí, alguém já leu o livro?

Se gostou da resenha e quer ler, é só clicar AQUI para comprar o livro!

Escolhas da vez!

Não consegui fazer o post dos escolhidos para o mês de maio, mas vou aproveitar que estamos no início do mês para apresentar as leituras de junho! Como sempre falo aqui, costumo escolher as minhas leituras com base em quatro categorias: (1) clássico; (2) até 200 páginas; (3) autor contemporâneo/ ficção científica; e (4) não ficção/contos/poemas.
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Ou seja, escolho quatro livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Isso me tira da zona de conforto e me incentiva a ler obras de diferentes gêneros. Essa “técnica” também ajuda muito no ritmo da leitura, evitando que eu canse de alguma obra. E é importante dizer que eu não leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2, e aí vou iniciando os próximos conforme finalizo as leituras, sem deixar nenhum de lado.
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Escolhas de vez:
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1 – Clássico: “A ilha”, de Aldous Huxley – Em seu último romance, Huxley leva o leitor à uma ilha fictícia, palco de uma civilização que persegue serenamente a felicidade. “Lá a utopia da existência plena é possível, e esse é o grande tema da discussão proposta na obra por Huxley”. Estou muito animado com a leitura e já sei que as opiniões sobre o livro costumam ser bem divergentes! Escolhido para a #leituraconjuntabookster, com a live marcada para 23.06, às 21:30!
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2 – Até 200 páginas: “O eterno marido”, de Fiódor Dostoiévski – Considerado com um dos mais importantes romances curtos do autor, a obra parte do encontro de um viúvo com o ex-amante de sua mulher. Para quem é de São Paulo, esse livro será discutido em 26.06, no @notucupi. Inscreva-se!
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3 – Autor contemporâneo: “O fim de Eddy”, de Édouard Louis – Abordando a temática da LGBTfobia, o livro foi o escolhido para o #desafiobookster2019.
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4 – Não ficção: “21 lições para o século 21 “, de Yuval Harari – Adorei “Sapiens”, agora vamos conhecer o seu último lançamento…. Ah, e vou fazer um teste com esse livro: alternar o audiobook com a leitura. Nunca escutei um audiobook, mas quero ter essa experiência para poder compartilhar minha opinião com vocês.
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E vocês, estão lendo o que?
#bookster #escolhidosdavez

A estrada, de Corman McCarthy

Sabe aquele livro que você não tem tanta vontade de ler, mas que depois acaba te surpreendendo muito? Então, essa foi a minha experiência com “A estrada”. A sinopse pode não ser das mais atraentes para mim: “Num futuro não muito distante, o planeta encontra-se totalmente devastado. (…) Um homem e seu filho não possuem praticamente nada. Apenas uns cobertores puídos, um carrinho de compras com poucos alimentos e um revólver com algumas balas (…)”. Parece até roteiro de um daqueles filmes de zumbis que passam à tarde na televisão. Mas a verdade é que o livro é muito bem escrito e vai muito além dessa camada superficial de um pai e um filho fugindo de assassinos.
O cenário é chocante: o planeta realmente está devastado. A descrição do ambiente é tão recorrente que, depois de algumas páginas, o ar repleto de cinzas e o céu turvo ficam em nossa imaginação ao longo da leitura. E o que mais me marcou foi o lado psicológico da obra: a relação entre pai e filho em uma situação de extremo abandono e falta de esperança. Apesar de ser escrito em 3ª pessoa, a sensação que temos é que, em alguns momentos, a obra passa a ser contada a partir da perspectiva do homem, e, em outros, passamos a acompanhar os desafios dos personagens do ponto de vista do menino.
Então, seja pela descrição das cenas, seja pelos diálogos curtos e diretos (às vezes até demais), a angústia do pai pela sobrevivência do filho impacta o leitor. Ao mesmo tempo, a coragem do garoto e o seu desejo de não ser abandonado pela última pessoa que lhe resta no mundo despertam a compaixão de quem lê a história.
Além disso, é engraçado que, embora possua um forte lado psicológico, os personagens chegam a ser “universais”. Tanto o homem como o menino não possuem nome, não têm uma personalidade muito peculiar e também não nos contam muito sobre seu passado. São duas pessoas, um garoto e um adulto, compartilhando os anseios e as dúvidas sobre um futuro incerto.

É tão boa essa sensação de ser surpreendido por uma leitura sobre a qual você não tinha muitas expectativas! .
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“You never know what worse luck your bad luck has saved you from.”

Todas as cores do céu, de Amita Trasi | Parceria Bookster

O cenário desta história é a Índia do final da década de 90, retratando a sua estrutura social dividida em castas e a submissão do povo indiano às suas tradições.
Mukta, protagonista da obra, nasce em uma casta de mulheres que, em respeito aos deuses, devem colocar seus corpos à disposição dos homens. Seu destino, portanto, já está traçado desde sua infância e, inevitavelmente, ela trabalhará como uma prostituta. Sendo assim, com pouco mais de 10 anos, Mukta deve passar por seu ritual de iniciação: a perda da virgindade. A beleza da personagem se destaca e isso pode garantir um espaço nos prostíbulos das grandes cidades.
Entretanto, Mukta tem a sorte de ser salva por um homem desconhecido, que a leva para morar junto com sua família. Lá, ela conhece Tara, a filha única da casa. A partir disso, as diferenças de castas entre as garotas entra em conflito com uma possível relação de amizade que tenta se desenvolver. Quando a situação parece melhorar, Mukta é sequestrada e retorna à vida a que as mulheres de sua casta devem se submeter.
A obra é narrada por Mukta e Tara, por meio de capítulos que vão se alternando e revelando a triste vida de Mukta e a luta de Tara para reencontrar a “irmã” que nunca teve. A leitura é fluida e a autora consegue traçar um retrato muito interessante da Índia contemporânea, marcada pela exploração do sistema das castas e a pobreza das grandes cidades. Durante a leitura, cheguei a me questionar em alguns momentos: Como algo tão absurdo pode acontecer nos dias atuais? A obra ainda desperta reflexões sobre a condição da mulher, a força da amizade e a possibilidade de manter a esperança mesmo nas situações mais desafiadoras.
Confesso que em algumas passagens senti que a autora se perdeu no enredo, focando, desnecessariamente, em alguns fatos e criando situações não tão verossímeis. Mas isso não tira a qualidade e importância da obra, que impacta o leitor ao mesmo tempo em que ensina sobre cultura e crenças bem peculiares. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
“A esperança é como um pássaro. Quer se manter em movimento, por mais que se tente aprisioná-la.”#publi

O que acharam da resenha? Link para o livro AQUI!

#DesafioBookster2019 | Junho

Junho – LGBTfobia
Livro escolhido: “O fim de Eddy“, de Édouard Louis
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Como havia prometido, vou mostrar para vocês a minha escolha do desafio @book.ster para esse mês e dar indicações de outros livros com a temática a ser abordada. Se você só chegou aqui agora, não tem problema! Comece o desafio a partir desse mês e busque aqui na página o post oficial para entender melhor como funciona.
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O tema de junho foi bastante discutido na semana passada, em que o Supremo Tribunal Federal formou a maioria a favor da votação para criminalizar a LGBTfobia. De acordo com os ministros que votaram, na falta de uma lei específica, a discriminação pela orientação sexual ou identidade de gênero deve ser equiparada ao crime de racismo.
O livro escolhido para o tema foi “O fim de Eddy”, uma autobiografia de um jovem autor francês contemporâneo. Desde criança, Édouard sofria pela dificuldade de se enquadrar em uma comunidade conservadora do interior da França. O autor cresceu tentando reprimir a sua orientação sexual, que não era aceita pela família e colegas.
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“Todas as manhãs, enquanto me arrumava no banheiro, eu repetia a mesma frase sem parar, tantas vezes que ela terminaria por perder o sentido, passaria a não ser mais do que uma sucessão de sílabas, de sons. Eu parava e retomava a frase: Hoje eu vou ser um durão. (…) Hoje eu vou ser um durão (e eu choro enquanto escrevo estas linhas: choro porque eu acho essa frase ridícula e horripilante, essa frase que, durante anos, me acompanhou e que de certa forma ocupou, não creio que haja exagero em dizer isso, o centro da minha vida).”⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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Além do escolhido, indico os seguintes livros que abordam a temática: “Fun home: uma tragicomédia em família”, de Alison Bechdel; “O quarto de Giovanni”, de James Baldwin, “Fabián e o caos”, de Pedro Juan Gutiérrez; “Amora”, Natália Polesso; “Devassos no paraíso”, de João Silvério Trevisan; e “O que te pertence”, de Garth Greenwell.
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E você, já escolheu sua leitura de junho?