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Olhos d’água, de Conceição Evaristo | Resenha

Qual a porcentagem de livros escritos por mulheres na lista da suas últimas leituras? Qual foi a última obra nacional que você leu? E a última escrita por alguma autora ou autor negro? Hoje eu presto muita atenção na hora de escolher minhas leituras. Tento fazer minha parte para garantir uma diversidade e representatividade dos autores e das temáticas lidas. Comece a prestar atenção nisso também!
De origem periférica e pobre, Conceição Evaristo é mestre e doutora em Literatura e, na minha opinião (e de muita gente), é um dos principais nomes da literatura contemporânea nacional. Mas, acima de tudo, Conceição Evaristo é um símbolo de representatividade na literatura. É porta-voz de questões sociais que, apesar de serem muito presentes no dia a dia das classes menos privilegiadas, são pouco faladas e, menos ainda, compreendidas. Quando me perguntam qual o principal benefício da leitura, eu não tenho dúvidas na hora de responder: com os livros eu consigo me colocar no lugar do outro; enxergar problemas e situações a partir da perspectiva de alguém que vive em circunstâncias completamente diferentes das minhas. Aprendo a respeitar o diferente, ser mais empático e ter mais compaixão.
A leitura de “Olhos d’água” confirmou mais uma vez essa minha opinião. Essa coletânea de contos me despertou reflexões sobre a condição do ser humano, sobre as tristezas diárias que passam despercebidas ao nosso redor. Conceição Evaristo consegue transmitir ao leitor de forma sensível e perfurante a realidade do ser humano silenciado. “Estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres” em sua condição mais vulnerável.

Com contos curtos, a autora também revela um domínio incrível sobre as emoções e as dificuldades presentes na miséria e marginalização. A escrita também se destaca pela sua oralidade e crueza, servindo como uma ferramenta mais eficaz para atingir a nós leitores. Uma leitura que não apenas recomendo, mas que entendo ser necessária!

Quero saber, alguém já leu?

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21 lições para o século 21, de Yuval Harari | Resenha

Harari é, sem dúvidas, um autor de best seller garantido. “Sapiens” foi o seu primeiro sucesso mundial e, como já contei para vocês na resenha que fiz, é um livro realmente sensacional. A capacidade que o autor tem de nos contar sobre a extensa história da humanidade, sem tornar o texto maçante, técnico ou superficial é impressionante.
Em seu último lançamento, Harari pretende despertar a reflexão sobre questões sociais ou politicamente relevantes para o futuro da humanidade. Dentre os pontos trazidos, destaco imigração, terrorismo, justiça e educação.
Apesar de a premissa ter chamado minha atenção e me motivado a escolher essa leitura, a expectativa com que iniciei o livro não foi correspondida. Sabe quando um livro parecer ter o dobro de páginas do que realmente tem? Foi isso que senti: a leitura
foi arrastada, já que em muitas passagens senti que o autor não seguia uma linha de estrutura para suas ideias, mas se limitava a apresentar ideias soltas. Ainda que muitas delas sejam interessantes, e que realmente nos façam questionar ou desenvolver uma opinião sobre o tema, a experiência da leitura fica comprometida.
Além disso, as ideias acabavam se repetindo ao longo dos capítulos, como se o autor já escrevesse uma mesma opinião de diferentes formas. Isso talvez se dê pelo fato de Harari ter compilado diversas palestras e textos que escreveu para produzir a obra. “21 lições para o século 21” ficou, na minha opinião, com um toque mais comercial.
Importante lembrar que esse livro foi o primeiro que ouvi uma grande parte pela plataforma de audiobooks (ainda vou fazer um post apenas sobre isso), o que pode ter influenciado a minha opinião. Mas para falar a verdade, mesmo nas oportunidades em que resolvi ler o livro físico, a minha experiência não foi tão melhor.
De qualquer forma, não há como negar a importância dos temas aqui discutidos e a capacidade que Harari tem de disseminá-los para um grande número de pessoas. Para quem não conhece o autor, recomendo muito “Sapiens”.

Quero saber se vocês também. alguém já leu? O que acharam?

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O eterno marido, de Fiodor Doistoiévski | Resenha

Publicado em 1870, quando o autor já tinha atingido a maturidade em sua carreira, tendo inclusive publicado “Crime e castigo” alguns anos antes, “O eterno marido” é considerado um dos romances curtos mais bem sucedidos de Dostoiévksi. E depois da leitura, não há como discordar dessa afirmação. A obra é completa, com personagens bem construídos, reflexões interessantes e um misto de comédia e drama. Uma leitura muito gostosa de ser feita e, na minha opinião, pode ser um bom começo para quem quer iniciar nos livros do autor.
A narrativa até parece simples, pois envolve um tema até batido na literatura: o triângulo amoroso. Mas para quem conhece tanto os conflitos internos do ser humano como Dostoiévski, a traição, o amor e a vingança se transformam em prato cheio para a construção de um romance inteligente e cheio de suspense.
Depois de quase uma década de ausência, Pávlovitch vai encontrar Vieltchâninov, com um objetivo pouco claro e que vai muito além de um puro e simples “acerto de contas”. E é desse encontro entre o marido, agora viuvo, com o ex-amante de sua mulher, que Dostoiévski constrói os diálogos que vão servir como o fio condutor dessa história – e que, na minha opinião, são a melhor parte da obra.
Diferentemente de algumas obras do autor, esse livro é de uma leitura fluida e sem tantos aprofundamentos no psicológico dos personagens. A construção de Pávlovitch, o bobo e o “eterno marido”, e de Vieltchâninov, um típico “playboy” de São Petesburgo, está nas atitudes de cada personagem, em suas reações aos acontecimentos – alguns bem dramáticos – que vão se desenrolando durante a leitura.
Recomendo muito, excelente leitura! “Mas amava-me ao acaso ontem, quando expressou o seu amor e disse: ‘Ajustemos as contas?’ Sim, amava-me por ódio; e este amor é o mais forte…”

Quero saber, alguém já leu?

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#DesafioBookster2019 | Julho

Tema de Julho: Bioética e os limites da tecnologia
Livro escolhido: “Oryx e Crake“, de Margaret Atwood
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Como havia prometido, vou mostrar para vocês a minha escolha do desafio @book.ster para esse mês e dar indicações de outros livros com a temática a ser abordada. Se você só chegou aqui agora, não tem problema! Comece o desafio a partir desse mês e busque aqui na página o post oficial para entender melhor como funciona.
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O tema de julho é traz discussões que vem cada vez ganhando mais destaque, mas que já foram muito abordadas na literatura, principalmente em romances distópicos (distopia é aquele um futuro que não deu certo, é o oposto de uma sociedade utópica). Quantas histórias já não ouvimos sobre um futuro dominado pela inteligência artificial ou sobre a criação de animais e seres humanos geneticamente modificadas? Mas também vale lembrar que os limites da tecnologia também envolvem outras temáticas, como o impacto das redes sociais em nossas vidas.
E confesso que estava bem animado para ler o livro escolhido para esse mês. “Oryx e Crake” é o primeiro volume de uma trilogia escrita pela mesma autora de “O conto da aia”. No livro escolhido, nos deparamos com um mundo pós-apocalíptico, habitado por criaturas biologicamente modificadas. Só há um ser humano sobrevivente e ele precisa conviver com crianças criadas em laboratório. Como promete a sinopse, “a autora conjuga uma fábula fantástica, mórbida e cheia de ação, com personagens cujo mundo interior é misterioso e uma constante descoberta”. Quem aí se animou com a escolha? Corre lá nos stories, porque tem link do livro com 50% de desconto (ao comprar pelo meu link você ajuda a página sem gastar nada a mais por isso)!
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Além do escolhido, indico os seguintes livros que abordam a temática: “Flores para Algernon”, de Daniel Keyes; “Cama de gato”, de Kurt Vonnegut, “Máquinas como eu”, de Ian McEwan; “O tribunal de quinta-feira”, de Michel Laub; “Eu, Robô”, de Isaac Asimov; “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley; e “A máquina do tempo”, de H. G. Wels.

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E você, já escolheu sua leitura de julho? #bookster

Autobiografia, de José Luís Peixoto | Resenha e Parceria

Será que as palavras mantêm vivos aqueles cuja falta nos é sentida? Peixoto conseguiu fazer isso com José Saramago. A presença do gênio da literatura como um dos personagens principais dessa obra conseguiu, sem qualquer dúvida, dar novos suspiros a Saramago. “Autobiografia” é uma leitura inteligente e que nos mantém famintos pelas próximas linhas, pelos próximos encontros e desencontros que, aos montes, se repetem nessa história.
José, o narrador-personagem, compartilha não apenas seu nome com Saramago, mas também a escolha da escrita como profissão. No entanto, José se encontra em um momento de crise: Como superar a dificuldade de escrever o segundo romance? Essa síndrome da folha em branco, que parece assombrar muitos escritores, não poupou o nosso narrador e, como parece, também fez de Saramago sua vítima. Em meio a essa obsessão causada pela ausência da escrita, a vida de José se cruza com a de Saramago. Mais que isso: José é convidado a escrever uma biografia da vida desse grande escritor.
E o que não podemos deixar de lado é a presença de um terceiro José: o autor do livro. São, portanto, três “Josés”, cujas histórias vão se mesclando entre uma indecifrável mistura de realidade e ficção. O importante é não querer ser um leitor tão racional nesse “jogo de espelhos”, mas curtir a inteligência de José – qual deles? – ao construir essa incrível narrativa sobre a escrita, sobre a vida do escritor e sobre situações imprevisíveis!
Para quem se interessou pelo livro, esse lançamento de Peixoto é mais uma conquista da @taglivros, clube de assinaturas com mais de 50 mil inscritos no Brasil. Em julho, a @taglivros completa 5 anos e, para isso, presenteou seus associados com essa obra escrita exclusivamente para o clube (categoria Curadoria). Assim, se você ainda não está inscrito, não perca tempo e corra no link dos stories para receber esse presente em casa (válido até dia 10.07). A partir do momento em que você assinar, todo mês será surpreendido com uma caixa contendo um livro surpresa e MUITO mais. No canal do Book.ster no Youtube tem um vídeo explicando os benefícios do clube para vocês.

As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta | Resenha

Diferentemente do que o título dá a entender, não se trata de um livro sobre alegrias. A maternidade abordada por Emecheta, escritora nigeriana de incrível talento, também está longe daquele conceito idealizado sobre a criação dos filhos. O que encontramos nessa obra é a difícil vida de uma Nnu Ego nigeriana, nascida no interior do país e que é enviada para a capital para se casar com um homem que nem conhece.
Nnu Ego é filha de um grande líder da tribo em que nasceu. Acostumada com as tradições de seu povo, a personagem sofre um choque cultural ao chegar na capital da Nigéria e se deparar com a dura vida nas grandes cidades – fortemente influenciadas pelos colonizadores. A presença do contraste entre a identidade de cada povo africano e dos colonizadores é muito forte na obra. É triste identificar como a mentalidade do colonizador branco tenta silenciar os costumes e tradições de uma nação.
Além disso, a narrativa tem um grande enfoque na constante batalha de Nnu Ego para criar seus filhos em situações precárias e, em grande parte do tempo, completamente sozinha. Qual o papel da mulher na cultura africana? Porque ela deve suportar tantas responsabilidades e se submeter ao injusto crivo moral da sociedade?
Ao se colocar no lugar da protagonista, não há como terminar esse livro sem uma visão mais real e empática sobre a maternidade e sobre as discriminações que ela sofre apenas por ser mulher. Apesar de publicado em 1979, a abordagem da autora sobre temáticas sensíveis e de inegável relevância social é muito atual.
Ah, não dá para deixar de dizer que a escrita de Emecheta também é deliciosa, muito agradável de ler, daquelas que as páginas passam sem você se dar conta. Inclusive, a história da autora não diverge muito da escrita nessa obra. Prometida ao seu marido desde os 11, casou aos 16 anos. Foi vítima de um casamento violento e perturbado. Talvez seja por isso que a sua visão sobre as condições da mulher nigeriana é tão facilmente transmitida ao leitor, que compartilha das angústias da protagonista.

E aí, alguém já leu o livro?

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Escolhas da vez!

Não consegui fazer o post dos escolhidos para o mês de maio, mas vou aproveitar que estamos no início do mês para apresentar as leituras de junho! Como sempre falo aqui, costumo escolher as minhas leituras com base em quatro categorias: (1) clássico; (2) até 200 páginas; (3) autor contemporâneo/ ficção científica; e (4) não ficção/contos/poemas.
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Ou seja, escolho quatro livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Isso me tira da zona de conforto e me incentiva a ler obras de diferentes gêneros. Essa “técnica” também ajuda muito no ritmo da leitura, evitando que eu canse de alguma obra. E é importante dizer que eu não leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2, e aí vou iniciando os próximos conforme finalizo as leituras, sem deixar nenhum de lado.
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Escolhas de vez:
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1 – Clássico: “A ilha”, de Aldous Huxley – Em seu último romance, Huxley leva o leitor à uma ilha fictícia, palco de uma civilização que persegue serenamente a felicidade. “Lá a utopia da existência plena é possível, e esse é o grande tema da discussão proposta na obra por Huxley”. Estou muito animado com a leitura e já sei que as opiniões sobre o livro costumam ser bem divergentes! Escolhido para a #leituraconjuntabookster, com a live marcada para 23.06, às 21:30!
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2 – Até 200 páginas: “O eterno marido”, de Fiódor Dostoiévski – Considerado com um dos mais importantes romances curtos do autor, a obra parte do encontro de um viúvo com o ex-amante de sua mulher. Para quem é de São Paulo, esse livro será discutido em 26.06, no @notucupi. Inscreva-se!
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3 – Autor contemporâneo: “O fim de Eddy”, de Édouard Louis – Abordando a temática da LGBTfobia, o livro foi o escolhido para o #desafiobookster2019.
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4 – Não ficção: “21 lições para o século 21 “, de Yuval Harari – Adorei “Sapiens”, agora vamos conhecer o seu último lançamento…. Ah, e vou fazer um teste com esse livro: alternar o audiobook com a leitura. Nunca escutei um audiobook, mas quero ter essa experiência para poder compartilhar minha opinião com vocês.
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E vocês, estão lendo o que?
#bookster #escolhidosdavez