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Botchan, Natsume Soseki

Da agitada cidade de Tóquio para a inóspita ilha de Shikoku, Japão. É esse mudança radical de vida que acompanhamos em Botchan. A obra narra a vida de um jovem professor de matemática que aceita lecionar para alunos ginasiais de uma escola pequena. Lá, além de se acostumar com a vida no interior, Botchan ainda sofre problemas com a recepção dos alunos. É um enredo que revela o choque cultural entre a vida conturbada de uma cidade grande e o dia a dia no interior.

A capacidade de Natsume Soseki em colocar o leitor “dentro” dos pensamentos do personagem, que, no caso, é impaciente, impulsivo e ríspido, é impressionante. Botchan é um personagem muito humano e isso transparece para quem lê a obra. Também gostei de encontrar na obra alguns aspectos típicos da vida de um cidadão comum japonês.

Escrita leve e bem humorada! Estou curioso para ler outros livros desse autor.

 

Trecho do livro:

“Era um pedido totalmente exorbitante, para alguém tão impulsivo como eu, servir de exemplo aos alunos e ser um modelo respeitado por toda a escola. Segundo ele, eu não me tornaria um educador se não estendesse  a influência de minha virtude moral para além dos bancos escolares. Haveria alguém de tão nobre caráter que em sã consciência se deslocaria para este fim de mundo por um salário de quarenta ienes?”

 

Editora: Estação Liberdade

Número de páginas: 184

Ano de publicação: 2016

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As boas mulheres da China, Xinran

Em “As boas mulheres da China”, Xinran nos presenteia com os relatos sobre a vida de mulheres de diferentes idades e classes sociais, mas com um ponto em comum: o abuso e a submissão em relação ao marido, pais e irmãos. Em seu programa de rádio, a jornalista recebia desabafos e denúncias de ouvintes sobre o sofrimento vivenciado pela mera de condição de ser mulher e tentava, de certa forma, escancarar essa realidade até então tratada como um verdadeiro tabu no país. Xinran dá voz às mulheres.

 

Ao demonstrar a realidade enfrentada no final do século passado, com relatos datados de 1989 a 1997, a autora se deparar inúmeras vezes com temas envolvendo casamentos forçados, abusos sexuais, abusos psicológicos, objetificação da mulher e pobreza extrema. Alguns relatos são tão fortes que fica até mesmo difícil de acreditar que de fato ocorreram.

É, ao mesmo tempo, chocante e surpreendente! Um livro que recomendo muito e que aborda uma temática extremamente atual.

 

Editora: Companhia de Bolso.

Número de páginas: 256.

Ano de publicação: 2007.

 

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Vozes de Tchernóbil, Svetlana Aleksiévitch

Nessa obra, Svetlana traz uma coletânea de entrevistas feitas com sobreviventes da catástrofe de Tchernóbil, ocorrida na década de 80. Apesar da gravidade do episódio, não se sabe muito das consequências sofridas pela população que foi afetada pelo incidente. Dessa forma, a autora dá voz aos esquecidos, abordando, por meio das entrevistas, não apenas diferentes pontos de vista sobre a catástrofe, mas também as marcas que foram deixadas em cada indivíduo. Para isso, a autora passa por temas como a morte, guerra, amor e ciência. Apesar de a narrativa não ser das mais leves, é muito agradável e enriquecedora.

 

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Norwegian Wood, Haruki Murakami

Para quem nunca leu alguma obra de Murakami, Norwegian Wood pode ser uma boa forma de iniciar e entrar no 9mundo do autor. Nessa obra, Murakami se atém ao “mundo real”, diferente de fantasias – sem muita explicação – que estão presentes em grande parte de seus livros. A leitura é bem profunda, e o leitor consegue se colocar no lugar de Toru, personagem principal, acompanhando seus pensamentos e problemas do dia a dia. Passando por temas como a juventude e o suicídio, Norwegian Wood tem como pano de fundo o romance entre Toru e Naoko, com seus constantes encontros e desencontros.

 

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Pais e filhos, Ivan Turguêniev

Russos… Cada nova leitura, uma surpresa boa! Não foi diferente com Turguêniev! Pais e filhos foi um dos melhores livros que li recentemente. A obra aborda os contrastes entre gerações e ideologias distintas. Após se formar na universidade, Arkádi Nikolaitch retorna à propriedade de sua família no interior da Rússia. E não vem sozinho. Traz consigo Bazárov, seu amigo e mentor, que representa a negação dos valores conservadores e tradicionais das gerações antigas, isto é, Bazárov é um verdadeiro “niilista” – termo originado a partir daa obras de Turguêniev.

É bom para lembrar a necessidade que os costumes e conceitos de uma geração devem estar sempre sujeitos à mudanças, para se adequar ao momento em que vive a sociedade. Recomendo muito a leitura!

Além disso, a escrita de Turguêniev é fácil e flui muito bem, o que mais uma vez serve para derrubar aquela velha ideia de que a literatura russa é difícil e pouco acessível. Recomendo MUITO!

Infelizmente, o livro está esgotado no Brasil! Torcendo muito para alguma editora relançar a obra.

 

Editora: (finada) Cosac Naify

Número de páginas: 300

Ano da publicação: 2004

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Hibisco roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Para quem vê de fora, a família de Kambili aparenta ser perfeita (para o ponto de vista de uma família tradicional/conservadora da Nigéria). Pai bem sucedido, filhos educados e estudiosos e uma esposa que cumpre sua função de dona de casa. No entanto, o livro vai abordar justamente a realidade que se esconde dentro da rotina da casa de Kambili, uma realidade que revela as consequências catastróficas do fanatismo religioso. O pai da protagonista é um cristão fervoroso e que faz de tudo, até recorrendo a castigos físicos, para impor suas crenças e tradições sobre os filhos e esposa. O mais interessante do livro está no choque cultural vivenciado por Kambili e seu irmão quando vão passar um tempo na casa da sua tia, em um bairro universitário e simples da Nigéria, onde estarão livres da tirania familiar criada pelo pai. O encanto dos dois pela liberdade contida em pequenos detalhes do dia a dia dos primos é impressionante e deixa claro os efeitos negativos que o fanatismo religioso e a intolerância podem gerar.

 

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O tribunal da quinta-feira, Michel Laub

Com uma linguagem bem direta e revestida de forte humor negro, Michel Laub aborda temas – e problemas – bem atuais, como o vazamento de dados na internet e a criação de um verdadeiro “tribunal” virtual. Esse tribunal, composto por juízes anônimos (pela internet, é sempre mais fácil apontar o dedo para o outro, não é mesmo?), julga qualquer um, com base em meias informações, sem se atentar às trágicas consequências para quem está no banco do réu. A leitura é bem rápida (e pouco profunda), mas fará você repensar na forma com que as informações são divulgadas hoje em dia e da importância em questionar a veracidade do que encontramos hoje em dia na internet.

 

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