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A máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe

Arrisco dizer que esse é um dos meus livros favoritos! A escrita de Valter Hugo Mãe é sempre brilhante, extremamente poética, como se cada palavra tivesse sido pensada e repensada antes de ser incluída no texto. Nessa obra, o autor aborda de forma muito sensível – e com certo toque de humor – a velhice do ser humano. Tamanha é a profundidade com que a narrativa é construída, que o leitor se sente como se estivesse “dentro” da cabeça do protagonista, partilhando com ele a solidão, os anseios, a impaciência e as angústias trazidas pelo acúmulo dos anos. Um verdadeiro ensaio sobre a velhice! Leiam!

 

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O Xamã, Noah Gordon

Em o Xamã, Noah Gordon dá sequência à história da Família Cole, narrada em O Físico, e da sua relação com a medicina. O cenário é os Estados Unidos do século XIX, envolto em discussões envolvendo as populações indígenas, a escravidão, os dogmas religiosos e a Guerra da Secessão. A obra narra a história de dois médicos, Roberto Judson Cole, que possui o dom de sentir a morte chegando em seus pacientes, e Robert Jefferson Cole, um menino surdo, também conhecido como Xamã. Achei interessante a abordagem da relação (e conflitos) entre a medicina ocidental e o misticismo da curandeira. Em alguns momentos, a narrativa fica um pouco lenta, principalmente quando o autor se aprofunda no tema da Guerra da Secessão. No entanto, apesar de não superar O Físico, ainda assim é um ótimo romance histórico!

 

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Desonra, J. M. Coetzee

Vencedor do Man Booker Prize, Desonra narra a história de um professor universitário que, após se envolver em um romance com uma de suas alunas e ser expulso da universidade, resolve passar um tempo na casa de sua filha, na África do Sul pós-apartheid. Apesar de Coetzee criar uma narrativa com personagens comuns, aborda inúmeros temas sensíveis e polêmicos, como abuso sexual, racismo, violência, submissão, maus-tratos contra animais… É um livro real, seco, pesado, com cenas fortes e que prende muito o leitor!

 

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Adeus, China: O último bailarino de Mao, Li Cunxin

Uma autobiografia emocionante, que aborda toda a vida de Li Cunxin, desde o seu nascimento em um vilarejo camponês pobre do interior da China, até o seu sucesso como bailarino no ocidente. Fadado à pobreza e ao trabalho no campo, surge para Li Cunxin uma oportunidade única de mudar seu destino quando é escolhido para treinar balé na academia da Madame Mao. Em uma sociedade tão reprimida, a determinação do autor em alcançar os seus sonhos é impressionante. A obra permite uma verdadeira imersão na realidade da China comunista, relatando a pobreza dos camponeses e as dificuldades de acesso à cultura ocidental. Embora a leitura tenha algumas partes mais lentas, o livro é muito fácil e gostoso de ler.

 

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Caixa de pássaros, Josh Malerman

Um verdadeiro thriller psicológico… O leitor se depara com um mundo assolado pelo terror, em que as pessoas precisam viver de olhos fechados pra poderem sobreviver!!! Quem abrir os olhos e se depara com algum alguma das misteriosas criaturas, conete suicídio! Nesse cenário que acompanhamos a luta pela sobrevivência da protagonista e de seus dois filhos pequenos, que já nasceram no meio desse caos, que buscam algum refúgio livre do perigo. A ideia por trás do livro é muito boa, a leitura é instigante e rápida, mas achei os personagens bem raso, de forma que o leitor não consegue se envolver tanto na história. Mas mesmo assim, é um suspense que vale a pena ler!

 

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A mulher que escreveu a bíblia, Moacyr Scliar

Essa obra foi uma grande surpresa para mim, ainda mais por nunca ter lido nada de Moacyr Scliar! Em “A mulher que escreveu a bíblia”, uma mulher dos nossos tempos faz uma consulta sobre suas vidas passadas e descobre que já foi uma das esposas de um rei famoso na nossa história – o Rei Salomão. A partir daí, o autor volta a esse passado e constrói, com uma narrativa em primeira pessoa, a vida dessa mulher, que foi dada ao rei pelo próprio pai, chefe tribal.

A narrativa mescla de forma muito interessante – e cômica – a história do Rei Salomão com a vida de uma de suas 700 esposas – a mais feia de todas, mas a única que sabia escrever. Por ser feia, a mulher é inicialmente rejeitada pelo rei. No entanto, após descobrir a sua rara capacidade de ler e escrever, o Rei Salomão lhe confere a incumbência – nada fácil – de reescrever a história da humanidade, principalmente do povo hebreu.

“A mulher que escreveu a bíblia” é uma leitura é muito rápida, divertida e descomplicada, abordando, cheia de ironia, temas como religião, história, sexo e culto à beleza. Recomendadíssimo!!!

E aí, alguém me recomenda o próximo livro de Moacyr Scliar?

 

Trecho do livro:

“Por que precisavas te meter a besta?
Já não bastava tua feiura, tinhas de bancar a inteligente?”

 

Edição – Companhia de Bolso / Número de páginas: 168 / Ano de publicação: 2007

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Holocausto brasileiro, Daniela Arbex

Não tenho muito interesse em livros jornalísticos e, após a leitura de Holocausto Brasileiro, ainda mantenho minha opinião. Mas isso não tira as qualidades da obra e nem torna a leitura uma experiência negativa. Pelo contrário, aprendo muito sobre um episódio da nossa história do qual não sabia quase nada. Por meio de relato de sobreviventes, a autora expõe a história do maior hospício brasileiro, O Colônia, e as atrocidades que foram cometidas ao longo de várias décadas. O tratamento dado aos pacientes era, na verdade, tortura. Vivendo em condições sub-humana, as mortes no Colônia eram rotina. Para ilustrar ainda mais esse episódio, o livro é repleto de fotos tiradas na época em que o “hospital” estava em funcionamento. Ao final, achei a leitura um pouco repetitiva, mas ainda assim acho que é uma leitura obrigatória para qualquer brasileiro.

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