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Barba ensopada de sangue, Daniel Galera

Narrado em primeira pessoa, por um protagonista cujo nome é desconhecido, a obra Daniel Galera é fluída e elaborada com uma linguagem coloquial e envolvente. Acompanhamos a fuga – existencial – do protagonista que, após a morte de seu pai, decide se mudar para Garopaba, um pequeno balneário de Santa Catarina. Lá, vivendo uma rotina pacata, o protagonista começa a busca pelo passado de sua família e, principalmente, pela verdadeira causa da morte de seu avô, assassinado anos antes nessa mesma cidade. Além disso, o livro nos faz refletir acerca de um sonho comum de muitos: morar em uma cidade litorânea tranquila e longe dos
problemas. No entanto, acabamos nos questionando se realmente conseguimos fugir das inquietações normais a todos seres humanos ou se elas, na verdade, moram dentro de nós.
Crítica: o autor não segue uma linha narrativa tão delineada, discorrendo em alguns momentos sobre histórias de personagens paralelos, o que, na minha opinião, deixou a leitura levemente massante.
Fora esse ponto, ótima opção de obra nacional!

 

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O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura

Iván, Trotskie Mercader: o autor consegue entrelaçar, de uma forma muito habilidosa, a história do narrador, um personagem fictício, aspirante a escritor e veterinário na Havana do século XXI, a vida do revolucionário Leon Trotski e a trajetória de seu assassino, o catalão Ramón Mercader. Apesar da alternância entre essas três perspectivas ao longo de todo o livro, o leitor consegue mergulhar afundo na cabeça dos personagens, que, diga-se de passagem, são muito bem construídos. Também achei muito interessante como é abordado o contraste entre a Europa comunista da década de 40 e a Cuba moderna dos anos 2000. Além de uma narrativa extremamente envolvente, com um toque de romance policial ao discorrer acerca dos preparativos que antecederam a morte de Trotski, Padura nos dá uma verdadeira aula de história! Só não dei 10, porque em algumas partes achei o ritmo da leitura um pouco lento. Mas, independentemente disso, a obra é excelente e merece ser lida!

 

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A redoma de vidro, Sylvia Plath

Com um forte toque autobiográfico, Sylvia Plath nos apresenta um romance extremamente profundo e perturbador. A narrativa aborda a juventude de Esther e os acontecimentos que a levaram à internação em uma clínica psiquiátrica. Ao longo do livro, e do desenvolvimento da gravíssima depressão que acomete a protagonista, o leitor é sugado para dentro dos pensamentos e angústias da protagonista, acompanhando de perto a solidão de dentro da “redoma de vidro” em que passa a viver. Um livro que nos faz refletir muito, trazendo temas delicados como a depressão e o suicídio e, principalmente, sobre o doloroso processo que é crescer. Também fiquei impressionado com a escrita poética da autora. Escolhi esse livro para a categoria “roman à clef” do #desafiolivrada2017criado pelo Yuri do @bloglivrada ! Li a versão original, em inglês, mas sei que a @globolivros publica a obra pela #bibliotecaazul

 

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A espuma dos dias, Boris Vian

O romance tem como pano de fundo o cuidado de Colin por sua esposa, Chloé, que logo após o casamento é acometida por uma doença cujo tratamento se resume a flores! Sim, flores: Colin deve sempre cercá-la de flores para combater um nenúfar (um tipo de planta aquática) que cresce em seu pulmão. A partir disso, e por meio de uma narrativa fantasiosa e rica em detalhes, o autor nos apresenta a vida de Colin, Chloé e de mais quatro amigos na Paris da década de 50. Com o desenrolar da obra – e com o desenvolvimento da doença de Chloé – o que era colorido e alegre passa a ser trágico e melancólico.
A leitura é profunda e com um forte toque existencialista, abordando temas como o amor, a morte e a tristeza. Por se tratar de uma realidade surreal, a leitura inicia um pouco truncada, mas com o tempo o leitor se acostuma à linguagem e consegue aproveitar a riqueza da escrita de Boris.
Mais uma belíssima edição da finada Cosac!

 

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A confissão da leoa, Mia Couto

Assim como Valter Hugo Mãe, Mia Couto é uma das grandes surpresas da literatura contemporânea da língua portuguesa. A escrita é extremamente poética, como se o autor tivesse pensado muito antes de inserir uma nova palavra, e agradável. Além disso, o autor tem uma capacidade impressionante de envolver o leitor não só com a narrativa, mas também com os personagens por ele tão bem construídos. Em A confissão da leoa, acompanhamos os relatos – alternados – de Arcanjo, caçador enviado a uma aldeia moçambicana para proteger os moradores dos ataques de leões, e Marimar, uma habitante “rebelde” dessa aldeia! Apresentando ao leitor a ótica de cada um dos protagonistas, Mia Couta insere uma forte crítica social à condição das mulheres africanas que, não por outro motivo, são as principais vítimas dos ataques dos leões. Não foi o meu livro preferido do autor, pois achei que ele poderia ter se aprofundado mais em alguns momentos, mas ainda assim é muito bom! Quais obras vocês recomendam de Mia Couto?

 

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O rei de Havana, Pedro Juan Gutiérrez

Uma das grandes surpresas deste ano! Um livro completo, que alcança com maestria a intenção pelo autor. Por meio de uma narrativa forte e de uma linguagem crua e sem frescuras, o leitor acompanha a vida de Reinaldo, menino pobre, morador da periferia de Havana e vítima de um ambiente familiar caótico. Depois de um incidente, do qual não teve qualquer culpa, o protagonista é mandado para um reformatório, onde fica alguns anos – os mais importantes para sua formação – e consegue fugir. Uma criança que desde o começo precisa desconfiar de qualquer um para poder sobreviver e enfrentar a dura realidade de uma sociedade que o abandonou. É chocante, mas também compreensível, a frieza e o desapego de Reinaldo com tudo e com todos. O autor também constrói de maneira impecável o cenário da Cuba da década de 80 e 90, cercada de miséria, drogas, álcool e prostituição. Uma obra intensa e muito cativante! Fiquei com vontade de ler outras obras do autor… alguém tem indicação?

 

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O estrangeiro, Albert Camus

Um clássico da literatura mundial, O estrangeiro é um romance sempre atual e com forte teor existencialista, abordando a solidão, o desapego do ser humano aos valores da sociedade e a sua indiferença com a rotina e as próprias emoções. Com uma narrativa em primeira pessoa, o leitor acompanha o cotidiano de Mersault, um cidadão comum, com um emprego comum e que apenas observa o passar dos dias – e da vida. Mersault vive em um constante estado de “Tanto faz”. Um dia, no entanto, o protagonista se envolve em uma briga e comete um assassinato. A partir desse momento, submetido a um longo julgamento que poderá, inclusive, condená-lo à pena de morte, Mersault começa a acordar para a vida (foi exatamente essa a sensação que tive!), se tornando cada vez menos alheio ao que se passa no seu redor. Gostei muito de enxergar o ponto de vista do próprio acusados que pode, a qualquer momento, ser condenado à pena de morte. Uma obra prima! Li a versão original, em francês, e pretendo fazer uma releitura em português daqui a um tempo!

 

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