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#DesafioBookster2019 : A literatura como meio de reflexão!

Em 2018, lancei o primeiro Desafio Book.ster e fiquei muito feliz com o resultado: muitas pessoas aderiram ao desafio e eu descobri leituras incríveis – e que dificilmente teria escolhido por conta própria. Agora, com o ano chegando ao fim, venho apresentar o #DesafioBookster2019!
A ideia é a mesma: ler um livro por mês, mas a temática e o critério de escolha das obras são completamente diferentes. Enquanto em 2018 lemos clássicos do século XX em ordem cronológica, em 2019 as escolhas dos livros vão ser baseadas em temas atuais e de grande relevância social. O objetivo é entender o papel da literatura como responsável por disseminar diferentes pontos de vista e despertar reflexões sobre temas que precisam ser discutidos.
E, assim como no ano passado, você pode participar de duas formas: ou fazer as escolhas desde agora, montando a sua lista para o ano de 2019, ou escolher as obras ao longo dos meses, com base nas minhas sugestões. Isso porque, um pouco antes do início de cada mês, vou mostrar o livro que escolhi para o desafio e indicar outros títulos que se encaixam no tema daquele mês.
Ah, a intenção é escolher uma obra (de ficção ou não) que aborde o tema de alguma forma e não necessariamente buscar um livro que tenha como objeto unicamente a discussão daquele assunto. Com isso, vamos perceber, por exemplo, como um romance ou uma coletânea de contos podem despertar – ao longo do desenvolvimento da obra – a reflexão de um ou mais assuntos tão importantes, contribuindo para nossa formação como cidadãos!

Bom, feitas as introduções, vamos para a lista (o n. 1 corresponde a Janeiro, e assim por diante): .

1 (janeiro) – Migração e xenofobia;

2 – Guerras e violência; .

3 – Feminismo;

4 – Intolerância religiosa;

5 – Meio ambiente e direito dos animais;

6 – LGBTfobia;

7 – Bioética e os limites da tecnologia;

8 – Desigualdade social;

9 – Saúde mental;

10 – Democracia;

11 – Racismo;

12 – Relações afetivas e estrutura familiar.

E aí, o que acharam? Marquem os amigos para participarem nesse desafio com vocês! Quem vem nessa comigo em 2019?

Pedro Páramo, Juan Rulfo | RESENHA

Considerado o romance mais aclamado da literatura mexicana, Pedro Páramo é uma leitura única e que exige do leitor. A sinopse e as pouco mais de 100 páginas podem deixar o leitor em dúvida sobre a real força desse romance. Na verdade, nem se pode falar tanto do enredo do livro sem correr o risco de dar grandes spoilers – ou de tirar do futuro leitor a curiosidade no decorrer das páginas. O que posso adiantar desse romance é que ele tem início com uma promessa. No leito de morte de sua mãe, Juan Preciado prometer sair em busca de seu pai, Pedro Páramo. Ao chegar na pequena cidade, o protagonista logo descobre que Pedro Páramo já faleceu faz tempo e que, aparentemente, todos na cidade se foram. No entanto, um clima de assombro e incertezas começa a tomar conta do enredo, ficando claro para o leitor que naquela cidade – repleta de ecos e vozes – nada é o que parecer ser.

E é esse mistério por trás da obra que vai, aos poucos, revelando a genialidade de Juan Rulfo, sem que ele precise se valer de uma narrativa complexa ou de uma escrita rebuscada. Pelo contrário! A escrita é muito econômica, tendo o autor se preocupado em cortar ao máximo frases e palavras, para restar apenas o essencial. Tanto isso é verdade, que algumas das passagens ficam em aberto, cabendo ao leitor a tarefa de ligar as pontas soltas com sua própria imaginação.
O cenário em que se passa a obra também é muito simples. É um ambiente árido, quente e rural. Mas mesmo em meio a essa simplicidade, a narrativa consegue despertar no leitor a reflexão sobre questões relevantes e delicadas, como o papel da igreja, coronelismo, incesto, miséria e amor não correspondido.
Foi por meio dessa obra que Juan Rulfo teria iniciado o realismo mágico, técnica que inspirou muito as obras de Gabriel García Marquez e outros tantos escritores.
Esse é, com certeza, um livro que precisa ser relido. Você termina se fazendo perguntas e tentando construir as suas próprias versões da história.
Recomendo muito! Ler Pedro Páramo foi uma experiência engrandecedora!

Trecho: “Esta cidade está cheia de ecos. Parece até que estão trancados no oco das paredes ou debaixo das pedras.”

Editora: BestBolso

Ano de publicação: 2008

Número de páginas:  140

Link de compra: https://amzn.to/2SHCiIQ

 

“Nu, de botas”, de Antonio Prata

Escolhi esse livro depois de pedir indicações para vocês de uma leitura mais leve, já que eu vinha em uma sequência de obras mais densas e impactantes. Fiquei muito satisfeito com essa sugestão! “Nu, de botas” é uma coletânea de crônicas que tem como temática momentos da infância do autor. E, de fato, como promete, a leitura é muito fácil e bem-humorada. O leitor não encontra um livro de memórias, mas sim uma narrativa criada a partir do ponto de vista de uma criança. Assuntos sérios e delicados são relatados com o vocabulário de um adulto, mas com a inocência e a ingenuidade características de uma criança, em que a cada dia há uma nova descoberta.
A construção desse narrador infantil é feita de forma tão inteligente que em inúmeras passagens me identifiquei com os seus pensamentos. Imagino que quem tenha nascido na década de 70, como o autor, possa se conectar ainda mais com as referências contidas em cada uma das crônicas, como programas de televisão, brincadeiras e acontecimentos históricos. Para mim, que nasci na década de 90, já foi uma oportunidade muito legal de revisitar as memórias da infância!
Recomendo muito! .

Trecho:
“Hoje em dia, se a polícia para um carro e flagra uma criança nessa posição, o motorista deve perder a carta, talvez até a guarda dos filhos, mas estávamos em 1984 e o mundo era outro, não se usava cinto de segurança nem protetor solar, as pessoas não andavam por aí com garrafinhas d’água, como se fosse o elixir da vida eterna, fazíamos cinzeiros de argila para os pais nas aulas de artes e o colesterol era apenas uma vaga ameaça de gente paranoica, como a CIA ou a KGB, (…)”(p. 91) “De início, todos na rua tinham o mesmo poder aquisitivo e os bens per capita se resumiam a uma bicicleta, uma bola de futebol e uma caixa onde se misturavam Playmobils (…). Com o lançamento do álbum de figurinhas da Copa de 82, contudo, percebemos uma ligeira diferença na distribuição de renda: uns recebiam cinco pacotinhos por dia, outros tinham direito a dez, mas nada que ameaçasse nosso equilíbrio socioeconômico.”(p. 95)

Editora: Companhia das Letras

Ano de publicação: 2013

Número de páginas:  144

Link de compra: https://amzn.to/2Vp6mLr

 

10 leituras para 2019

Pela primeira vez resolvi escolher 10 livros que estão na minha estante para serem lidos no próximo ano. Essa meta vai ser um grande incentivo para ler obras que eu já tenho, ao invés de ficar comprando novos e apenas alimentando a pilha de não lidos (não que eu vá parar de comprar, né kkk). Tentei escolher obras que tenho vontade de ler, mas que sempre deixava para depois. Ou seja, agora com essa meta, de 2019 não vai passar! Ah, esses livros não têm uma relação direta com o #DesafioBookster2019 ou com as leituras conjuntas que eu farei ao longo do ano. Pode até ser que algum deles se encaixe nos projetos, mas a premissa é que foram escolhidos ao acaso. Vamos à lista:

– “A casa dos espíritos”, Isabel Allende (quero ler no original, em espanhol);
– “Lavoura Arcaica”, Raduan Nassar;
– “O continente, vol. 1”, Érico Veríssimo (primeiro volume da coleção “O tempo e o vento”);
– “A queda”, Albert Camus (tenho a versão original em francês também, vou tentar ler por aquela);
– “A ilha”, Aldous Huxley;
– “A cor púrpura”, Alice Walker;
– “A paixão segundo G.H.”, Clarice Lispector;
– “Persépolis”, Marjane Satrapi;
– “Ao farol”, Virgínia Woolf; e
– “O conde de monte cristo”, Alexandre Dumas (esse vai ser o CALHAMAÇO do ano, estou muito animado)

E aí, gostaram da lista? Já leram algum ou pretendem ler? .

Lentes de Contato | ACUVUE®️

Minha relação com os óculos é recente. Comecei a usá-los há cerca de 2 anos, quando passei a sentir dores de cabeça e dificuldade na hora de ler. A verdade é que a rotina diária de trabalhar em frente a um computador acabou contribuindo para os problemas de visão. Fui ao oftalmologista e já saí de lá com uma receita para fazer meus primeiros óculos. A vida melhorou, mas, quem usa óculos sabe que, apesar dos benefícios, às vezes eles podem não ser muito convenientes. Principalmente no verão, na hora de viajar, quando você precisa dos óculos de sol e tem que ficar andando com os dois óculos para todo lado. Para piorar, ainda tem que colocar lentes com grau nos óculos escuros e fazer uma lente nova toda vez que o grau mudava. Ou seja, gasto e trabalho em dobro!
Desde o começo deste ano, achei a solução: lentes de contato!!! Para falar a verdade, achei que não ia me acostumar, mas depois de alguns dias já estava habituado e comecei a usar lentes em viagens e finais de semana. É um hábito, como a leitura. Uso as lentes de contato ACUVUE®️ e, falando em hábito, eles lançaram um ótimo desafio: o #Desafio21Dias. Você tem 21 dias para experimentar as lentes (tempo que os especialistas entendem como necessário para se criar um HÁBITO) e, se você não se adaptar, a @acuvuebrasil te reembolsa (não se esqueça de consultar um oftalmologista antes de comprar suas lentes)! Hoje em dia não abro mão e minhas lentes estão sempre na mala de viagem! No final de ano, por exemplo, vou passar uns dias na praia e, junto com os livros, vou levar as lentes também! Tem coisa melhor do que poder ir para a praia sem precisar levar dois óculos e, ainda assim, poder ler à vontade? Na foto tem duas dicas de leitura pare esse verão, duas obras que já levam o sol no título: “O sol é para todos”, Harper Lee, e “O sol na cabeça”, Geovani Martins. Ah, e as lentes da ACUVUE®️ têm proteção UV, ou seja, você lê protegido nesse verão!
E para você que nunca testou, participe do #Desafio21Dias e desenvolva um novo hábito em 2019 (que tem tudo a ver com a leitura)! Qual será a sua leitura para o verão???

#ACUVUEBrasil #FocoNoVerao#Desafio21Dias #PubliPost

Do amor e outros demônios, de Gabriel García Márquez | RESENHA

Quando se fala em Gabriel García Márquez, os primeiros livros que nos vêm à cabeça são “Cem anos de solidão” e “O amor nos tempos do cólera”. É verdade, são duas obras incríveis e que merecem todo reconhecimento! No entanto, esse ano “descobri” as obras mais curtas de Gabo, mas que em nenhum aspecto deixam a desejar… Pelo contrário: “Do amor e outros demônios” foi uma leitura muito prazerosa, daquelas que eu não queria largar. Em menos de 200 páginas, e se valendo do seu característico realismo mágico, o autor consegue construir uma narrativa intensa e que deixa marcas. Uma escrita econômica, mas bastante rica e impactante.
Logo nas primeiras páginas, descobrimos que a inspiração para o livro veio de uma reportagem acerca do túmulo de uma jovem garota, que o autor cobriu em 1949, quando ainda era um jovem jornalista. A partir disso, Gabo retorna para a Colômbia colonial e escravocrata do fim do século XVIII para narrar a triste história de Sierva Maria, uma garota que desde o nascimento era indesejada pelos pais. Foi criada junto com os escravos e, com eles, aprendeu os costumes e cultura originários da África. Como dizia a própria mãe, “a única coisa que essa guria tem de branca é a cor”.
E a vida de Sierva Maria se transforma quando é mordida por um cão raivoso. Com a suspeita da raiva – posteriormente confundida com uma possessão demoníaca – a garota é submetida aos mais diversos tratamentos, até ser deixada em um Convento.
Eu gostei MUITO do livro porque, além de um enredo interessante, desperta reflexões sobre escravidão, relações familiares, papel da igreja e o poder dos sentimentos humanos, até porque, o amor é um demônio, como sugere o título?
Por fim, deixo aqui uma dica: esse livro pode ser uma boa forma de iniciar as obras do autor antes de se aventurar por seus romances mais conhecidos, porém mais densos.

Trecho: “Tentou ensiná-la a ser branca de lei, a restaurar para ela seus sonhos fracassados de nobre nativo, de tirar-lhe o gosto pela iguana em escabeche e pelo ensopado de tatu. Tentou quase tudo, menos indagar de si mesmo se aquele era o modo certo de fazê-la feliz.”

Editora: Record

Ano de publicação: 1994

Número de páginas:  192

Link de compra: https://amzn.to/2F7LDWI

Leituras do ano | 2018

O ano está chegando ao fim e, assim como em 2017, quero compartilhar os Top 5 livros do ano! A seleção não foi nada fácil, já que li MUITA coisa boa nesse ano. Fiquei feliz pois consegui ler livros de diferentes gêneros e aumentando bem mais o número de obras escritas por autoras. Também consegui finalizar leituras que considerava difíceis ou pesadas e que, ao final, fui surpreendido positivamente. .

Segue a lista (não está em ordem de preferência): .
– As brasas, Sándor Márai
– A hora da estrela, Clarice Lispector
– Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar
– O mestre e Margarida, Mikhail Bulgákov
– Lolita, Vladimir Nabokov .

O que vocês acharam da lista? E para vocês, quais foram os melhor do ano?