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Escolhas da vez!

Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que eu costumo escolher as minhas leituras com base em 4 categorias: (1) clássico; (2) livro curto de até 200 páginas; (3) autor contemporâneo ou ficção científica; e (4) livro de não-ficção / de contos / poemas. .

Ou seja, escolho 4 livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Com isso, acabo saindo da zona de conforto e me incentivo a ler obras de diferentes temáticas e gêneros. Ah, mas isso não significa que eu leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2 e aí vou iniciando os próximos conforme vou finalizando as leituras. E também não tem regra de qual ler no dia… O importante é não deixar nenhum livro de lado. Essa “técnica” ajuda muito no ritmo da leitura e evita que eu canse de determinada obra.

Escolhas de vez:

1 – Clássico: “Pedro Páramo”, Juan Rulfo – Livro escolhido para a #leituraconjuntabookster . Apesar de ser um livro não tão conhecido no Brasil, é considerado como o romance mais aclamado da literatura mexicana. Um livro curto, mas que promete impactar o leitor! Animado para a 1a live com vocês, no dia 25/11, às 21:30hrs.

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2 – Livro de até 200 páginas: “Do amor e outros demônios”, Gabriel García Márquez – Gosto muito das narrativas do autor colombiano. Nessa obra, o autor se vale de seu realismo fantástico para trazer a incrível história de uma garota, filha de um marquês, que aparenta estar possuída por um demônio. Mas será que é isso mesmo?

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3 – Autor contemporâneo: “Não me abandone jamais”, Kazuo Ishiguro – Escolha de novembro para o #desafiobookster2018. Obra do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2017. De acordo com a editora, a obra “reflete, através da ficção científica, a questão da existência humana”.

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4 – Livro de não-ficção: “Nú, de botas”, Antonio Prata – Estava querendo um livro mais leve e divertido para compensar as últimas leituras mais pesadas que fiz. Nessa obra, Antonio Prata promete reviver, com humor e inteligência, as memórias de sua infância.
E vocês, estão lendo o que?
#bookster

O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde | RESENHA

Publicado pela primeira vez em 1890, a obra de Wilde foi recebida com muitas críticas, principalmente por conter indícios de relações homossexuais entre os personagens. Diante disso, em 1891, o autor adaptou a obra, suavizando as passagens “imorais”, adicionando 7 capítulos e incluindo um prefácio muito interessante. Nesse prefácio, Wilde deixa um recado para quem criticou a primeira versão da obra: “Não existe livro moral ou imoral. Livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo”. Nesse clássico, conhecemos Dorian Gray, em um primeiro momento descrito como um jovem educado e inocente. Quando Basil Hallward, um conhecido pintor, conhece Dorian, fica fascinado com jovem e decide eternizar essa beleza em um retrato.
Lorde Henry, amigo de Basil, fica encantado pela obra e deseja conhecer aquele jovem. Essa amizade que nasce entre Henry e Dorian vai mudar radicalmente a vida e a própria “essência” do jovem rapaz. Lorde Henry valoriza extremamente o prazer e a beleza e tenta mostrar como Dorian deveria aproveitar mais esse lado bom da vida. Essa influência faz ainda mais efeito quando Dorian olha pela primeira vez o seu retrato e toma consciência de sua beleza. Com isso, passa a temer os efeitos do tempo e deseja nunca envelhecer, ficar para sempre com a aparência que vê no retrato.
A partir disso, levando uma vida voltada ao prazer e futilidades, o caráter de Dorian vai sendo aos poucos corrompido e, para sua surpresa, essas mudanças passam a ser refletidas em seu retrato. Enquanto Dorian permanece jovem e belo, o retrato passa a envelhecer, absorvendo o modo de vida do personagem.
Apesar de ter sido escrita no séc. XIX, a obra é atual e revela não só a obsessão do indivíduo pela beleza e juventude eternas, mas também a dificuldade de lidar com as decisões.
Sobre a escrita de Wilde, gostei muito e é possível perceber um tom poético e descritivo. Como li no original, tive certa dificuldade com um vocabulário mais rebuscado.
Por fim, senti que o personagem de Dorian poderia ter sido mais explorado e aprofundado. O destaque ficou para o Lorde Henry, com seus diálogos cheios de cinismo e humor.

Trilogia suja de Havana, Pedro Juan Gutiérrez | RESENHA

A obra reúne pequenos contos, em sua maioria autobiográficos, e todos com um ponto em comum: o cenário! Apesar de histórias diferentes, todas se passam em uma Havana caótica, suja e pobre. Uma Havana assolada pela crise econômica enfrentada por Cuba na década de 90. É a rotina de cidadãos rodeados pelo sexo, pelo álcool, pelas drogas e pela falta de oportunidades. Estão fadados a essa vida e, por isso, se preocupam em garantir o dinheiro para conseguir comer, beber e sobreviver. E em uma sociedade tão pobre e cerceadora de liberdade, o corpo é uma das poucas coisas que ainda sobrou para o indivíduo usar e abusar. E é isso que vemos na obra: a presença intensa do sexo. Mas não se trata de uma obra erótica, é a vulgaridade e o lado animal do ser humano que representam um pausa da miséria de todos os dias. Sem medir as palavras que usa, o autor conta boas histórias e ainda consegue tecer uma crítica social, expondo a realidade que viveu.
Apesar de se valer de uma escrita econômica e direta, o autor tem a enorme capacidade de transportar o leitor para aquele ambiente caótico, descrevendo sensações, cheiros e sabores. A primeira obra que li de Gutiérrez foi em 2017 e me surpreendeu muito – O rei de Havana. As duas obras trazem as características do autor e acho que fiz certo ao não começar por essa obra. Por serem muitos os relatos, e alguns com temática e ritmo parecidos, a leitura pode causar certo cansaço no leitor que se depara com o estilo de Gutiérrez pela primeira vez. Independentemente de qual livro escolher, não deixem de conhecer esse autor cubano. “Trilogia suja de Havana” é uma obra visceral e que recomendo muito! .

“Sexo é um intercâmbio de líquidos, de fluidos, de saliva, hálito e cheiros fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias. Ou não é. Se é só ternura e espiritualidade etérea, se reduz a uma paródia estéril do que poderia ser. Nada”

#DesafioBookster2018 – Novembro

Mês: Novembro –

Livro publicado na década de 2000 – “Não me abandone jamais”, Kazuo Ishiguro (2005)

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Para quem ainda não conhece, criei o Desafio Book.ster 2018 para incentivar a leitura de obras clássicas publicadas a partir do século XX, seguindo uma ordem cronológica. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas. Por exemplo, em janeiro lemos um livro publicado entre 1900 e 1909, em fevereiro da década de 1910… e por aí vai!
Se você não começou, ainda dá tempo de participar: é só escolher um livro para esse mês e que tenha sido publicado entre 2000 e 2009.
Alguns dias antes de começar cada mês, posto para vocês o livro escolhido, assim como algumas sugestões de obras publicadas na mesma década!

Estamos chegando ao final do desafio desse ano e o escolhido para o penúltimo mês foi uma obra do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2017, o escritor japonês Kazuo Ishiguro. Eu já li uma obra do autor, “O gigante enterrado”, e gostei bastante. A narrativa é bem incomum, mas de uma sensibilidade intensa (tem resenha aqui!). Na verdade, uma das características mais enaltecidas de Ishiguro é essa capacidade de inserir na obra uma carga emocional contagiante. No livro escolhido para novembro, “Não me abandone jamais”, Ishiguro narra a história de Kathy e sua passagem por um internato inglês, chamado Halisham, onde trabalhou como cuidadora. O internato, no entanto, guarda muitos mistérios. A sinopse ainda promete um livro que “reflete, através da ficção científica, a questão da existência humana”. .

Além do escolhido, indico os seguintes livros publicados na década de 2000 (tem MUITA coisa boa, foi difícil escolher): “A marca humana”, Philip Roth (2000); “Dois irmãos”, Milton Hatoum (2000); “A festa do bode”, Mario Vargas Llosa (2000); “Reparação”, Ian McEwan (2001); e “Kafka à beira-mar”, Haruki Murakami (2002); e “Equador”, Miguel Sousa Tavares (2003).

E você, já escolheu sua leitura de novembro? Além disso, já leu alguma obra de Ishiguro?

Ramsés: O filho da luz, Christian Jacq | RESENHA

Como sempre falo por aqui, quando tenho alguma viagem programa, tento ler algum livro relacionado ao local de destino. Então, antes de ir para o Egito dei uma pesquisada e me recomendaram ler a série Ramsés, uma série com 5 livros. “O filho da luz” é o primeiro deles e traz o início da vida de Ramsés II, um dos principais faraós do Egito Antigo e que reinou por 60 anos – em uma época em que a expectativa de vida era em torno de 30 anos. Ramsés, filho mais novo do grande faraó Sethi, não é o primeiro da linha sucessória ao trono. Chenar, o primogênito, é reconhecido como o favorito para substituir seu pai. No entanto, a escolha é do próprio faraó, que passa a indicar uma certa preferência ao filho mais novo, criando uma forte e perigosa rivalidade entre os irmãos. E é nesse cenário que o autor consegue construir uma história muito prazerosa, mesclando romance e fatos históricos! A narrativa é recheada de descrições dos locais, como a grandiosidade dos templos construídos aos deuses, dos costumes, das tradições e da estrutura social e política da época.

É uma leitura fluída e simples, em que o autor não se preocupou tanto na densidade de informações e dados históricos colocados ao longo do livro. Na verdade, você acaba aprendendo ao longo da leitura, com os próprios personagens e acontecimentos. Isso eu senti lá no Egito. Em vários passeios que fiz pude identificar locais ou nome de figuras importantes que viveram na época de Ramsés II e que tinham sido mencionados na obra.
Por outro lado, senti um pouco de falta de um desenvolvimento mais profundo dos personagens. Mas acho que a intenção do autor foi criar um romance mais leve mesmo. Ou seja, se você busca um livro sobre a história do Egito, não recomendaria tanto a obra de Jacq. Mas se você gosta do tema Egito Antigo e de romances com dados históricos, então essa série pode ser uma boa opção para você. Ah, não posso negar que fiquei com vontade de ler os próximos volumes da série… Uma leitura agradável e interessante!

Editora: Bertrand Brasil
Ano de publicação: 1998
Número de páginas: 392
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Lolita, Vladimir Nabokov | RESENHA

Não é fácil fazer uma resenha de Lolita. Para falar sobre o livro, precisamos passar por um assunto muito polêmico: pedofilia. Nabokov narra a história de Humbert Humbert (H.H.), um homem de meia-idade, que se apaixona obcecadamente por uma garota de 12 anos, Dolores – apelidada de Lolita. Na verdade, quem narra a história é o próprio Humbert, que mergulha o leitor em seus pensamentos e em sua obsessão incontrolável por garotas jovens, que ele denomina como “ninfetas”.
E em nenhum momento H.H. nega que seu comportamento é reprovável. Há, na verdade, diversas passagens em que ele reconhece isso expressamente e se culpa por seus atos. Mas isso não é capaz de frear esse seu desejo interior. E é a partir dessa relação doentia, e não romântica, que Nabokov mostra o seu dom da escrita e a capacidade de construir personagens muito humanos.
O que mais me impressionou na obra é a forma como o narrador consegue manipular o leitor. Ele brinca com constantemente com a realidade, ao ponto de o leitor não saber o que é real ou o que é fruto de uma visão distorcida de Humbert. Será que a própria Lolita provocava H.H., como ele dá a entender? Eu passei a questionar os fatos a todo momento, pois, na verdade, não chegamos a conhecer a verdadeira Dolores, mas apenas a Lolita, na forma como é descrita por Humbert.
Importante dizer que a obra não traz passagens obscenas ou pornográficas. A relação entre H.H. e Lolita é narrada de forma sutil, com pinceladas de vulgaridade – e que ainda assim deixam dúvidas no leitor sobre o que de fato H.H. quer dizer com aquilo.
Além disso, apesar de uma visão totalmente parcial, H.H. se apresenta como honesto: escancara os seus sentimentos e seus conflitos internos. Ele sofre pelo que sente e isso pode gerar, em certos momentos, um sentimento de “compaixão” por Humbert, mas que logo passa.
É um obra sensacional e que, apesar de incomodar o leitor, não traz uma história romantizada da pedofilia, mas a visão manipuladora de um homem atormentado pela obsessão. Foi para a lista de favoritos!

Trecho: “Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha, alma, meu pecado (…)”

Editora:  Alfaguara
Ano de publicação: 2011
Número de páginas: 392
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Escolhas da vez!

Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que eu costumo escolher as minhas leituras com base em 4 categorias: (1) clássico; (2) livro curto de até 200 páginas; (3) autor contemporâneo ou ficção científica; e (4) livro de não-ficção / de contos / poemas.

Ou seja, escolho 4 livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Com isso, acabo saindo da zona de conforto e me incentivo a ler obras de diferentes temáticas e gêneros. Ah, mas isso não significa que eu leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2 ao mesmo tempo e aí vou iniciando os próximos aos poucos. E também não tem regra de qual ler no dia… O importante é não deixar nenhum livro de lado. Essa “técnica” ajuda muito no ritmo da leitura e evita que eu canse de determinada obra.

Escolhas de vez:

1 – Clássico: “O retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde – Resolvi ler esse clássico da literatura mundial no original, depois te tantas recomendações nesse sentido. Já estou gostando muito da escrita de Wilde e, como muitos mostraram interesse, lancei aqui o #leituraconjuntabookster para esse livro.

2 – Livro de até 200 páginas: “Morreste-me”, José Luís Peixoto – Ganhei da @dublinense e quando mostrei aqui recebi MUITA mensagem positiva! Gosto muito de autores portugueses contemporâneos e estou com altas expectativas! “É o relato da morte do pai, o relato do luto e, ao mesmo tempo, uma homenagem, uma memória redentora”

3 – Autor contemporâneo: “Trilogia suja de Havana”, Pedro Juan Gutirérrez – Escolha de outubro para o #desafiobookster2018. Esse autor foi uma grande surpresa em 2017 quando li “O rei de Havana”. O livro traz o cotidiano de Cuba em plena crise econômica da década de 90, com uma escrita crua e sem pudores.

4 – Livro de não-ficção: “A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”, Bruno Manso e Camila Dias – Lançamento da @todavialivros. Obra jornalística em que o leitor vai se deparar com as entranhas da organização criminosa, com base em entrevistas feitas com integrantes do PCC. Promete trazer um panorama completo sobre como a influência do PCC se consolidou no Brasil.

E vocês, estão lendo o que?
#bookster