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#DesafioBookster2019 | Fevereiro

Fevereiro – Guerras e Violência
Livro escolhido: “Terra sonâmbula”, de Mia Couto

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Segundo mês do desafio está prestes a começar e, como havia prometido, vou mostrar para vocês a minha escolha e dar indicações de outros livros com a temática a ser abordada. Se você só chegou aqui agora, não tem problema! Comece o desafio a partir desse mês e busque aqui na página o post oficial para entender como funciona.
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O escolhido para fevereiro foi “Terra sonâmbula”, de um dos maiores autores contemporâneos da língua portuguesa. Quem lê Mia Couto fica impressionado com a poesia que vem carregada em sua escrita. Já li alguns livros do autor e sempre terminei a leitura com aquela sensação de querer mais! Nessa obra, o autor moçambicano vai trazer para o leitor a crueldade e os sofrimentos da guerra civil que ocorreu em seu país natal por cerca de mais de 15 anos, logo após se tornar independente de Portugal. É a guerra contada pelos personagens a quem o autor dá vida.
Pelo que já li sobre o livro, Mia Couto constrói um texto repleto de metáforas e em um cenário característico do realismo mágico. É a beleza de sua escrita confrontada com a tristeza das guerras. “Terra sonâmbula” foi considerado um dos 12 melhores livros africanos do século XX.
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Além do escolhido, indico os seguintes livros que abordam a temática “Guerras e Violência”: “Meio sol amarelo”, de Chimamanda Adichie; “A velocidade da luz”, de Javier Cercas, “Uma temporada de facões”, de Jean Hatzfeld; “Contos de Kolimá”, Varlam Chalámov; “É isto um homem”, de Primo Levi; “Baratas”, de Scholastique Mukasonga; “As aventuras do bom soldado Svejk”, Jaroslav Hasek; e “Soldados rasos”, de Frederic Manning.
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E você, já escolheu sua leitura de fevereiro?

Machado, de Silviano Santiago

Essa foi a obra escolhida para última categoria do #desafiobookster2018. Confesso que não estava muito empolgado para lê-la. Não sou um fã de biografias e já tinha lido algumas críticas negativas sobre o livro – que, inclusive, foi vencedor do Prêmio Jabuti 2017. Mas resolvi colocar “Machado” no desafio do ano passado como forma de incentivo para tirá-lo da estante… Na capa do livro já nos deparamos com uma dica do que aparentemente iremos encontrar durante a leitura: “romance”. Em seguida, comecei a ler a sinopse que promete “uma perspectiva totalmente original e audaciosa dos últimos anos de vida de um dos maiores romancistas de todos os tempos”. Logo já me veio a dúvida: esse livro é uma biografia ou um romance? E a verdade é que, depois de concluída a leitura, eu não conseguiria classificar essa obra. Ela é muito diferente e acho que qualquer tentativa de encaixá-la em uma única categoria seria falha.
Ao longo das suas mais de 400 páginas, o leitor encontrará relatos extraídos de cartas escritas por Machado de Assis, um amplo ensaio histórico sobre o Rio de Janeiro do início do século XX e uma análise detalhada acerca dos mais diversos assuntos, que vão desde tratamentos para epilepsia até curiosidades arquitetônicas da cidade e reflexões sobre trechos bíblicos. É uma obra muito inteligente e recheada de referências à produção literária de Machado, assim como a personalidades importantes que viveram na sua época. Santiago realmente sabe trabalhar com as palavras e encantar o leitor com sua habilidade em lidar com os mais variados assuntos, enriquecendo a leitura com uma profunda pesquisa histórica.
Há, no entanto, um problema. Ao mesmo tempo que encontrei capítulos interessantíssimos e que me fascinaram (!), sofri com algumas partes da obra, principalmente depois da metade da leitura. Há passagens muito extensas e prolixas que me desanimaram e, na minha opinião, não acrescentaram muito à obra.
No final, valeu a pena a leitura! Foi uma experiência diferente e que recomendo, principalmente para quem gosta do trabalho de Machado e tem interesse em saber mais sobre aspectos históricos e curiosidades de sua época!

Editora: Companhia das Letras

Ano de publicação: 2016

Número de páginas:  424

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Escolhas da vez!

Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que eu costumo escolher as minhas leituras com base em quatro categorias: (1) clássico; (2) livro de até 200 páginas; (3) autor contemporâneo ou ficção científica; e (4) não ficção / contos / poemas. .
Ou seja, escolho quatro livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Isso me tira da zona de conforto e me incentiva a ler obras de diferentes gêneros. Essa “técnica” também ajuda muito no ritmo da leitura, evitando que eu canse de alguma obra. E é importante dizer que eu não leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2 e aí vou iniciando os próximos conforme finalizar as leituras. O importante é intercalar as leituras, sem deixar nenhuma de lado.

Escolhas de vez:

1 – Clássico: “A queda”, de Albert Camus – Livro escolhido por vocês, Booksters! Essa é uma das principais obras do autor e foi construída na forma de um monólogo. O narrador, que se autointitula “juiz-penitente”, faz uma denúncia sobre a natureza humana, ao mesmo tempo que conduz um processo de autocrítica. Só li “O estrangeiro” do autor, obra que considero fenomenal!

2 – Livro de até 200 páginas: “Minha casa é onde estou”, Igiaba Scego – Escolha de janeiro para o #desafiobookster2019, com a temática de migração/xenofobia. Conheci a autora pessoalmente na Flip2018 e já li uma obra dela, “Adua”, que me impressionou muito! Na obra escolhida, a autora percorre pela sua infância, uma criança filha de imigrantes somalis vivendo na Itália.

3 – Autor contemporâneo: “Machado”, Silviano Santiago – Apesar de definir esse livro como um ”romance”, não espere encontrar uma obra comum. Santiago reconstrói os últimos anos de Machado de Assis com base em cartas que Machado trocou com seu amigo, Mário de Alencar, trazendo um panorama detalhado do Rio de Janeiro do início do séc. XX. O livro foi vencedor do Prêmio Jabuti de 2017.

4 – Não ficção: “A civilização do espetáculo”, Mario Vargas Llosa – Gosto muito das obras do autor, mas só li seus romances. Nesse ensaio, o autor peruano questiona o papel da cultura nos dias atuais. Recebi boas indicações da obra!
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E vocês, estão lendo o que?

Sonhos em tempo de guerra, de Ngugi Wa Thiong’o

Apesar de ser considerado um dos principais nomes da literatura africana contemporânea, nunca tinha lido nenhuma obra do autor. Resolvi começar por seu livro de memórias, especificamente memórias da sua infância e juventude.
Thiong’o nasceu em uma região rural do Quênia, na década de 40, e foi criado com base nos costumes e tradições das gerações antepassadas. Sua mãe, uma figura extremamente presente ao longo da vida do autor, era a terceira das quatro esposas de seu pai.
E é a partir da visão de uma criança nascida em uma família poligâmica no interior do Quênia que o leitor acompanha as mudanças que o colonialismo traz na vida de Thiong’o e dos que estão à sua volta. É um contraste, percebido em pequenos detalhes, entre os costumes da população local e o “novo” conceito de civilização trazido pela colonização britânica. Essas mudanças impostas pelos colonizadores vão ser percebidas dentro da própria casa, nas escolas, no idioma falado, na religião, nos jornais e em diversos aspectos da vida cotidiana.
A história do Quênia no período colonial e dos movimentos de resistência que surgiram em busca da independência está dissolvida de forma sutil ao longo de toda a obra. É um daqueles livros em que se aprende sem nem mesmo perceber!
Além de relatar suas memórias de forma envolvente, o autor conseguiu transmitir ao leitor de forma muito real o processo de perda de identidade do povo colonizado. É o sentimento de não pertencer a uma cultura, de perder as terras em que vive e, como mencionado pelo próprio Thiong’o, de se sentir como um “forasteiro” em seu próprio país. “Sonhos em tempo de guerra” é um relato autobiográfico inspirador e que ensina muito ao leitor não só sobre fatos históricos, mas também sobre a resiliência e determinação do ser humano. .

Trecho: “A crença em si mesmo é mais importante do que intermináveis temores acerca do que os outros pensam de você. Valorize-se, e os outros irão valorizá-lo. A melhor legitimação é a que vem de dentro.”

Editora: Biblioteca Azul

Ano de publicação: 2015

Número de páginas:  272

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Como as democracias morrem, de Steven Levitsky & Daniel Ziblatt

Não é tão comum, mas às vezes gosto de escolher um livro que está sendo muito comentado, até para conferir se concordo com toda a atenção que o mercado editorial está dando para aquela obra. E como já tinha lido opiniões positivas sobre esse livro, resolvi tentar… Pela sinopse, Levitsky e Ziblatt prometem trazer uma “análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo”. Por meio de uma análise histórica de governos autoritários, os dois professores de Ciência Política de Harvard constroem um cenário com as principais ameaças a um governo democrático, demonstrando como esses riscos estão sofrendo mudanças ao longos dos anos.
Muito embora os autores se concentrem bastante na situação política dos Estados Unidos, a leitura é, na minha opinião, muito relevante para o atual momento vivenciado pelo Brasil – e isso, importante registrar, independentemente da posição política do leitor. Tanto isso é verdade que os autores utilizam como exemplos de governos antidemocráticos tanto regimes liderados por partidos de esquerda, quanto de direita. Ou seja, o objetivo da obra é analisar a democracia como uma garantia ao cidadão e que está acima da identificação política de cada um.
No entanto, apesar de relatarem os acontecimentos históricos de modo “imparcial”, os autores deixam clara a sua oposição a governos atuais que seriam antidemocráticos, em especial, o governo de Donald Trump. A pergunta que eles tentam responder é a seguinte: como foi possível a chegada de um “outsider” como Trump ao poder?
Além disso, a partir de uma linguagem acessível e objetiva, os autores indicam os sinais que devem ser combatidos para evitar a ascensão de um regime antidemocrático. Também é muito interessante como o livro traz novos pontos de vista sobre os alicerces da democracia, revelando a importância das regras não escritas do jogo político.
Por fim, achei que a leitura ficou um pouco arrastada mais para a parte final da obra, quando o enfoque passou para a polarização da política norte-americana – o que inclusive contraria a premissa sobre a qual a obra é vendida aqui no Brasil.

Editora: Zahar

Ano de publicação: 2018

Número de páginas:  272

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As meninas, de Lygia Fagundes Telles | RESENHA

Publicado em 1973, durante o governo de Médici, muito se questiona sobre como o livro teria escapado da censura imposta pelo Ato Institucional n. 5 (AI-5). Nesse romance, a autora apresenta a vida de Lorena, Lia e Ana Clara, três jovens com personalidades e passados muito diferentes, mas que vivem juntas em um pensionato de freiras paulistano. Lá partilham de uma amizade forte e vivem as angústias típicas da juventude. Apesar de um título comum e de uma sinopse aparentemente “inofensiva” para um governo autoritário, ao longo da narrativa, o leitor encontra fortes críticas ao regime vigente – contando, inclusive, com a descrição de uma sessão de tortura.

O que mais impressiona na obra, por sua vez, é a construção da história e dos personagens. É um romance em movimento, por meio do qual Lygia vai alternando o foco narrativo entre as três personagens. E é por meio da perspectiva dessas três jovens que Lygia traz o universo feminino sob uma perspectiva moderna, rompendo com questões morais até então impostas por uma sociedade machista. Uma temática muito atual!

O começo da leitura pode até parecer confuso, porque a autora se vale muito da técnica do fluxo de consciência, isto é, tenta inserir o leitor dentro dos pensamentos – desordenados – de cada uma das jovens. São várias vozes se alternando a todo momento. Mas como as três personagens são tão bem construídas, com personalidades marcantes e com um estilo peculiar de se expressar, o leitor vai aos poucos conseguindo identificar quem conduz a narrativa em cada momento.

Para evitar a confusão entre as narradoras, dou uma dica que me ajudou MUITO na compreensão da história: consulte a orelha dessa edição ao longo da leitura, pois nela há uma breve descrição de cada uma das personagens.

Enfim, foi muito interessante acompanhar a vida das três jovens e entrar na intimidade de cada uma a partir de seus próprios pensamentos. Mas lembre-se de que as três apresentam uma visão parcial dos fatos e, por isso, não são totalmente confiáveis. Recomendo muito a obra! Entrou para uma das melhores leituras de 2018! #bookster

#DesafioBookster2019 | Janeiro

Janeiro – Migração e Xenofobia
Livro escolhido: “Minha casa é onde estou”, de Igiaba Scego

Como havia prometido, antes de cada mês, vou mostrar para vocês a minha escolha para o mês seguinte e dar indicações de livros com a temática a ser abordada. Eu sei que o mês de Janeiro já começou e esse post vem atrasado, mas nos próximos meses vou cumprir a promessa de fazer esse post com antecedência. De qualquer forma, a minha primeira escolha para o #desafiobookster2019 é um livro curto, com 160 páginas, então, quem quiser vir comigo ainda dá tempo de terminar a leitura até o final de Janeiro.

O escolhido foi “Minha casa é onde estou”, de uma autora filha de somalis e nascida na Itália. Ano passado, li “Adua”, outra obra da autora que também aborda a temática da imigração, e fiquei muito bem impressionado com a capacidade de Igiaba em escrever um romance curto, mas que impacta o leitor. E o mais legal foi conhecer pessoalmente a autora na Flip de 2018, onde pude assistir uma mesa de debates em que Igiaba contou um pouco da experiência de escrever o livro autobiográfico “Minha casa é onde estou”. Nele, Igiaba – filha de imigrantes somalis – relata os primeiros anos de sua vida na Itália, país onde nasceu e cresceu sem conseguir identificá-lo como sua terra natal. “Se o livro é um mapa, o destino ao qual ele leva a autora e os leitores é o tesouro mais precioso: a identidade fugidia de uma imigrante de segunda geração, este ‘outro’, a um só tempo familiar e estranho, que somos cada um de nós.”

Além do escolhido, indico os seguintes livros que abordam a temática “Migração e Xenofobia”: “Americanah”, de Chimamanda Adichie; “O xará”, de Jhumpa Lahiri; “A hora da estrela”, Clarice Lispector; “Existem crocodilos no mar”, de Fabio Geda; “A imensidão íntima dos carneiros”, de Marcelo Maluf; “A fantástica vida breve de Oscar Wao”, de Junot Diaz; e “Muito além do inverno”, de Isabel Allende.

E você, já escolheu sua leitura de janeiro?