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A menina da montanha, de Tara Westover | Resenha

A partir de suas memórias, Tara narra a experiência de ter sido criada em uma família que se isolou do resto do mundo. Baseados em um fanatismo religioso e na crença de que o fim dos tempos estava próximo, seus pais decidiram criar Tara e seus irmãos nas montanhas do interior dos Estados Unidos, com o objetivo de depender o mínimo possível do sistema repressor que é o Estado. Assim, durante a sua infância, a autora nunca frequentou uma escola, nunca entrou em um hospital ou conviveu com crianças que não fossem seus irmãos. Os episódios relatados por Tara revelam situações de sofrimento físico e psicológico que iriam marcá-la pelos anos que estavam por vir. Seu pai, que claramente sofre de transtornos psicológicos, é apresentado como um homem obcecado pela religião, enquanto sua mãe, facilmente manipulada, acaba sendo arrastada pela loucura do ambiente em que vive. Na primeira parte da leitura, senti que o livro se limitaria aos episódios trágicos de sua infância.
A situação, no entanto, começa a mudar quando os irmãos mais velhos de Tara resolvem se livrar dessas crenças extremistas e saem de casa para tentar viver como um “jovem comum”. Com isso, a curiosidade por entender o que havia além daquele pedaço de terra em que vivia passou a atormentar a autora. E o mais interessante na obra é poder acompanhar justamente essa transformação vivida por Tara: um lento e sofrido processo de tomada de uma consciência própria, em que pode ser livre para ter opiniões e questionar a única visão de mundo que conhecia. Mas ao começar essa realidade até então desconhecida, Tara passou a enfrentar uma constante crise de identidade. Em qual versão acreditar? Como ter uma opinião diferente se isso podia colocar em risco os seus laços familiares – que apesar de conturbados, eram os únicos que tinha?
No final, terminei o livro com a sensação de ter lido não apenas um relato sobre uma infância fora do comum, mas de ter conhecido as memórias de uma identidade em formação, em que o novo e o aterrorizante podem estar nos pequenos detalhes.

Escolhas da vez!

Costumo escolher as minhas leituras com base em quatro categorias: (1) clássico; (2) até 200 páginas; (3) autor contemporâneo/ ficção científica; e (4) não ficção/ contos/poemas.
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Ou seja, escolho quatro livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Isso me tira da zona de conforto e me incentiva a ler obras de diferentes gêneros. Essa “técnica” também ajuda muito no ritmo da leitura, evitando que eu canse de alguma obra. E é importante dizer que eu não leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2, e aí vou iniciando os próximos conforme finalizo as leituras, sem deixar nenhum de lado.
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Escolhas de vez:
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1 – Clássico: “Rúdin”, Ivan Turguêniev – Livro da #leituraconjuntabookster ! Turuêniev é um dos meus autores russos favoritos e é uma ótima porta de entrada para a literatura russa (+ detalhes no destaque dos stories chamado “Conjunta”). “O autor retrata aqui o ‘homem supérfluo’, motivo central da literatura russa de então”.
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2 – Até 200 páginas: “A mulher dos pés descalços”, Scholastique Mukasonga – Autora de Ruanda, Mukasonga traz as memórias de sua mãe, vítima do sangrento genocídio do povo Tutsi, ocorrido na década de 90. Escolha para o clube @viajonolivro ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
3 – Autor contemporâneo: “Terra sonâmbula”, Mia Couto – Escolha de fevereiro para o #desafiobookster2019, com a temática de Guerras/Violência. O autor moçambicano, conhecido por sua escrita poética, vai narrar por meio da história de dois personagens, Tuahir e Muidinga, a devastadora guerra civil que assolou o país, iniciada na década de 70. “Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo”.
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4 – Não ficção: “A menina da montanha”, Tara Westover – No topo da lista dos mais vendidos, o livro traz a autobiografia de uma garota criada nas montanhas, em uma família isolada, que vivia para se preparar para o fim do mundo, e em um ambiente extremamente machista e religioso.
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E vocês, estão lendo o que?

A queda, de Albert Camus | Resenha

Camus é autor de um dos meus livros preferidos: “O estrangeiro”. Apesar disso, ainda não havia lido nenhum outro livro seu – talvez pelo medo de ficar decepcionado por já ter lido o melhor! Mas para resolver isso, coloquei “A queda” na lista dos 10 livros que com certeza leria em 2019… E já foi logo o primeiro a ser lido!
Em “A queda”, Camus vai abordar aspectos da condição humana a partir de uma perspectiva individual, de autocrítica. A obra é construída na forma de um monólogo, em que o narrador, um advogado francês, passa a fazer uma análise da condição humana e da própria existência, tendo inclusive se autodenominado “juiz penitente”. Ele é um profissional bem-sucedido, mas que vê a sua vida mudar depois de testemunhar uma mulher se jogando no rio Sena, sem ter feito nada para tentar salvá-la. O enredo é bem simples e boa parte da leitura envolve os conflitos internos do personagem, tornando bem difícil a tarefa de fazer uma resenha sobre o livro.
Logo no início da obra, o narrador conhece um indivíduo em um bar em Amsterdam e inicia um diálogo. Contudo, em nenhum momento temos contato com as falas do interlocutor. Escutamos apenas as falas e pensamentos do “juiz penitente”, que acusa, ao mesmo tempo que confessa. Julga a natureza do ser humano, mas acaba denunciando a si próprio. E o desenrolar da obra segue com os diálogos entre os dois personagens em diferentes locais e momentos.
Camus, que além de escritor era filósofo, fez de “A queda” uma obra densa e extremamente reflexiva. O leitor se depara constantemente com os pensamentos sarcásticos e amargurados do narrador. É uma forte carga psicológica, que me fez lembrar bastante de alguns romances de Dostoiévski.
Não recomendaria como uma obra para conhecer seu trabalho, mas é um excelente livro e que confirma a genialidade de Camus! O próximo que pretendo ler do autor é “A peste”… e você, já leu algum livro de Camus?

Trecho:  “Quando deixava um cego sobre a calçada onde eu o tinha ajudado a aterrisar, saudava-o. Evidentemente, esse cumprimento não lhe era destinado, ele não o podia ver. A quem, pois, se dirigia? Ao público.”

Editora: Record

Ano de publicação: 2018

Número de páginas:  160

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A civilização do espetáculo, de Mario Vargas Llosa | | Resenha

Gosto bastante da escrita de Llosa (com destaque para “A festa do bode” e “Travessuras da menina má”), mas ainda não havia tido contato com algum trabalho de não ficção.
Nesse ensaio publicado em 2012, o vencedor do Prêmio Nobel traz ao leitor a sua visão sobre a transformação que o conceito de cultura vem sofrendo nas últimas décadas. Para o autor, o senso de cultura que existia no começo de século XX, em que a ideia e o conteúdo eram a força motriz da vida cultural, foi esvaziado por um movimento de banalização das artes e veículos de informação. Nos dias atuais, denominados por Llosa como “civilização do espetáculo”, a cultura passou a servir como simples ferramenta de entretenimento. É a geração da informação pronta e rápida, em que o esforço intelectual é evitado e os meios audiovisuais (como cinema e internet) foram adquirindo um espaço cada vez maior. Na “civilização do espetáculo”, a preocupação em se mostrar como alguém culto é muito maior do que realmente absorver e conseguir apreciar um conteúdo artístico.
Mas é importante saber que não se trata de um ensaio teórico sobre os conceitos da cultura ao longo da história. Llosa deixou claro que esse não é o seu objetivo. O que o autor faz nessa obra é compartilhar sua opinião – muitas vezes em tom crítico, bem crítico! – sobre diversos temas englobados no universo da cultura. São análises sobre comportamento humano, religião, mídia, erotismo, democracia, literatura e temas polêmicos dos mais variados.
É um ensaio inteligente, gostoso de ler e que me fez refletir bastante, seja porque me identifiquei com alguns pensamentos, seja porque, apesar de não concordar com algumas posições do autor, fui apresentado a um ponto de vista diferente sobre temas de inegável relevância. A escrita é simples e fluida, mas recheada de referências a obras e autores, que só contribuíram para aumentar ainda mais a minha lista de livros a serem lidos. “Porque ninguém será culto se todos acreditarem que o são ou se o conteúdo do que chamamos de cultura tiver sido degradado de tal modo que todos possam justificadamente acreditar que são cultos.”

Editora: Objetiva

Ano de publicação: 2013

Número de páginas: 208

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#DesafioBookster2019 | Fevereiro

Fevereiro – Guerras e Violência
Livro escolhido: “Terra sonâmbula”, de Mia Couto

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Segundo mês do desafio está prestes a começar e, como havia prometido, vou mostrar para vocês a minha escolha e dar indicações de outros livros com a temática a ser abordada. Se você só chegou aqui agora, não tem problema! Comece o desafio a partir desse mês e busque aqui na página o post oficial para entender como funciona.
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O escolhido para fevereiro foi “Terra sonâmbula”, de um dos maiores autores contemporâneos da língua portuguesa. Quem lê Mia Couto fica impressionado com a poesia que vem carregada em sua escrita. Já li alguns livros do autor e sempre terminei a leitura com aquela sensação de querer mais! Nessa obra, o autor moçambicano vai trazer para o leitor a crueldade e os sofrimentos da guerra civil que ocorreu em seu país natal por cerca de mais de 15 anos, logo após se tornar independente de Portugal. É a guerra contada pelos personagens a quem o autor dá vida.
Pelo que já li sobre o livro, Mia Couto constrói um texto repleto de metáforas e em um cenário característico do realismo mágico. É a beleza de sua escrita confrontada com a tristeza das guerras. “Terra sonâmbula” foi considerado um dos 12 melhores livros africanos do século XX.
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Além do escolhido, indico os seguintes livros que abordam a temática “Guerras e Violência”: “Meio sol amarelo”, de Chimamanda Adichie; “A velocidade da luz”, de Javier Cercas, “Uma temporada de facões”, de Jean Hatzfeld; “Contos de Kolimá”, Varlam Chalámov; “É isto um homem”, de Primo Levi; “Baratas”, de Scholastique Mukasonga; “As aventuras do bom soldado Svejk”, Jaroslav Hasek; e “Soldados rasos”, de Frederic Manning.
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E você, já escolheu sua leitura de fevereiro?

Machado, de Silviano Santiago

Essa foi a obra escolhida para última categoria do #desafiobookster2018. Confesso que não estava muito empolgado para lê-la. Não sou um fã de biografias e já tinha lido algumas críticas negativas sobre o livro – que, inclusive, foi vencedor do Prêmio Jabuti 2017. Mas resolvi colocar “Machado” no desafio do ano passado como forma de incentivo para tirá-lo da estante… Na capa do livro já nos deparamos com uma dica do que aparentemente iremos encontrar durante a leitura: “romance”. Em seguida, comecei a ler a sinopse que promete “uma perspectiva totalmente original e audaciosa dos últimos anos de vida de um dos maiores romancistas de todos os tempos”. Logo já me veio a dúvida: esse livro é uma biografia ou um romance? E a verdade é que, depois de concluída a leitura, eu não conseguiria classificar essa obra. Ela é muito diferente e acho que qualquer tentativa de encaixá-la em uma única categoria seria falha.
Ao longo das suas mais de 400 páginas, o leitor encontrará relatos extraídos de cartas escritas por Machado de Assis, um amplo ensaio histórico sobre o Rio de Janeiro do início do século XX e uma análise detalhada acerca dos mais diversos assuntos, que vão desde tratamentos para epilepsia até curiosidades arquitetônicas da cidade e reflexões sobre trechos bíblicos. É uma obra muito inteligente e recheada de referências à produção literária de Machado, assim como a personalidades importantes que viveram na sua época. Santiago realmente sabe trabalhar com as palavras e encantar o leitor com sua habilidade em lidar com os mais variados assuntos, enriquecendo a leitura com uma profunda pesquisa histórica.
Há, no entanto, um problema. Ao mesmo tempo que encontrei capítulos interessantíssimos e que me fascinaram (!), sofri com algumas partes da obra, principalmente depois da metade da leitura. Há passagens muito extensas e prolixas que me desanimaram e, na minha opinião, não acrescentaram muito à obra.
No final, valeu a pena a leitura! Foi uma experiência diferente e que recomendo, principalmente para quem gosta do trabalho de Machado e tem interesse em saber mais sobre aspectos históricos e curiosidades de sua época!

Editora: Companhia das Letras

Ano de publicação: 2016

Número de páginas:  424

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Escolhas da vez!

Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que eu costumo escolher as minhas leituras com base em quatro categorias: (1) clássico; (2) livro de até 200 páginas; (3) autor contemporâneo ou ficção científica; e (4) não ficção / contos / poemas. .
Ou seja, escolho quatro livros e só vou começar um livro diferente depois que eu acabar a “leva” atual. Isso me tira da zona de conforto e me incentiva a ler obras de diferentes gêneros. Essa “técnica” também ajuda muito no ritmo da leitura, evitando que eu canse de alguma obra. E é importante dizer que eu não leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2 e aí vou iniciando os próximos conforme finalizar as leituras. O importante é intercalar as leituras, sem deixar nenhuma de lado.

Escolhas de vez:

1 – Clássico: “A queda”, de Albert Camus – Livro escolhido por vocês, Booksters! Essa é uma das principais obras do autor e foi construída na forma de um monólogo. O narrador, que se autointitula “juiz-penitente”, faz uma denúncia sobre a natureza humana, ao mesmo tempo que conduz um processo de autocrítica. Só li “O estrangeiro” do autor, obra que considero fenomenal!

2 – Livro de até 200 páginas: “Minha casa é onde estou”, Igiaba Scego – Escolha de janeiro para o #desafiobookster2019, com a temática de migração/xenofobia. Conheci a autora pessoalmente na Flip2018 e já li uma obra dela, “Adua”, que me impressionou muito! Na obra escolhida, a autora percorre pela sua infância, uma criança filha de imigrantes somalis vivendo na Itália.

3 – Autor contemporâneo: “Machado”, Silviano Santiago – Apesar de definir esse livro como um ”romance”, não espere encontrar uma obra comum. Santiago reconstrói os últimos anos de Machado de Assis com base em cartas que Machado trocou com seu amigo, Mário de Alencar, trazendo um panorama detalhado do Rio de Janeiro do início do séc. XX. O livro foi vencedor do Prêmio Jabuti de 2017.

4 – Não ficção: “A civilização do espetáculo”, Mario Vargas Llosa – Gosto muito das obras do autor, mas só li seus romances. Nesse ensaio, o autor peruano questiona o papel da cultura nos dias atuais. Recebi boas indicações da obra!
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E vocês, estão lendo o que?