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“K – Relato de uma busca”, de Bernardo Kucinski | Resenha

“Caro leitor: tudo neste livro é invenção, mas quase tudo aconteceu”. É com essa frase que começamos a obra de Kucinski, escolhida para o desafio Bookster do ano passado na categoria democracia. A narrativa tem como pano de fundo a história da irmã do autor, uma professora de química da USP que, em 1974, foi presa pelos militares e nunca mais foi encontrada. Desapareceu sem deixar rastros.

E nesse “relato de uma busca”, vamos acompanhar o triste desaparecimento da professora pela perspectiva de seu pai, K – um senhor de idade, judeu e imigrante. É uma corrida contra o tempo, já que a cada dia que passa as chances de encontrar a pessoa viva diminuem. Na verdade, chega um momento em que o desespero é tão grande, que a vontade é apenas de saber o que aconteceu. Ter ao menos um corpo ou uma resposta. E resposta é algo que K dificilmente consegue encontrar… Quando algum indício ou pista da localização da professora aparece, logo acaba desaparecendo e K fica mais uma vez à mercê do Estado. •
Além do relato da busca, o autor vai intercalando a obra com passagens sobre a vida de sua irmãs, depoimentos de torturadores e outros documentos da época. Com apenas 176 páginas, e misturando realidade e ficção, Kucinski conseguiu construir uma história carregada de uma sensação de esperança, mas que é perseguida pelo fantasma da perda e da dúvida.

É um livro que nos ensina e nos faz refletir sobre uma época que deve ficar no passado, mas cujos fantasmas da volta insistem em nos assombrar. Assim, a gente aprende a partir de uma experiência individual, não por números ou por datas. É uma de centenas de outras histórias tão doloridas que, por outro lado, não foram colocadas no papel e vão acabar se perdendo nas memórias.

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#DesafioBookster2020 | Janeiro

#DesafioBookster2020
Mês: Janeiro
Tema: Terror/Horror
Livro escolhido: Frankenstein, de Mary Shelley

Vamos ao primeiro escolhido do ano? Sei que a ansiedade tava grande (recebi dezenas de mensagens me cobrando a indicação?), mas ao mesmo tempo também sei que estava fácil acertar o escolhido.

Quem me segue sabe que em 2019 falei diversas vezes que gostaria de ler Frankenstein, porque recebi muitas boas recomendações. Inclusive, esse foi um dos livros que coloquei na lista dos 10 livros que pretendo ler em 2020.

E o que todo mundo que leu me fala é que, diferentemente da ideia que os filmes passam sobre Frankenstein, o livro é muito mais profundo do que a mera história de um monstro criado por um ser humano. Na verdade, a autora inglesa faz um mergulho nos pensamentos e reflexões do “monstro”. E isso me deixou muito animado! Publicado anonimamente em 1818, a obra é percursora da literatura de horror e ficção científica.

Escolhi ler nessa edição incrível da @penguinclassics no idioma original. Mas sobre as edições em português, recomendo muito a da @penguincompanhia , a da @darksidebooks e da @editorazahar , por conta da qualidade das traduções e dos textos de apoio.

E sobre a temática, importante dizer que terror ou horror podem ser definidos de forma distinta, mas para esse desafio decide contemplar ambos os termos. Apenas por curiosidade, há quem diga que o terror se refere à antecipação de uma experiência de medo, enquanto o horror se refere ao momento posterior, ao sentimento de repulsa a algo horrível.

Já nesse primeiro mês senti dificuldade em encontrar autoras que tenham livros publicados em grandes editoras ou traduzidos para o português. Por isso que é tão importante que cresca a procura por obras de escritoras brasileiras e estrangeiras.

Quem aí vai me acompanhar na leitura? Para quem preferir outra escolha, seguem algumas indicações: “Entrevista com o vampiro”, de Anne Rice; “Os mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe: Enterre seus mortos, ana paula maia; “Diário de uma escrava”, de Ro Mierling.

Ps: me indicaram um filme sobre a vida da autora (Netflix). Vou assistir!

#DesafioBookster2020

2020 começando e, com isso, vamos para a 3ª edição do Desafio Bookster: #DesafioBookster2020

A ideia é simples: uma categoria por mês! E alguns dias antes de iniciar o mês, eu venho aqui mostrar o meu escolhido e dar outras sugestões de livros que encaixam no tema. Então, você pode fazer sua própria seleção ou me seguir nas leituras!

E para 2020 tem novidade: no final de todo mês vou fazer uma live para conversar com vocês sobre o livro que eu escolhi… Ou seja, um clube do livro virtual com os Booksters!

Bom, vamos ao tema do ano… Em 2020, a proposta é ler livros escritos por MULHERES e de GÊNEROS LITERÁRIOS diferentes.

A ideia é trazer uma maior representatividade nas nossas leituras ao
mesmo que diversificamos o que estamos lendo. Até alguns anos atrás, eu nunca tinha parado para pensar se eu lia mais livros escritos por homens do que mulheres. Mas quando a gente analisa, a diferença acaba sendo grande… E não que não existam centenas de bons livros escritos por autoras. Pelos contrário! O problema é que há maiores obstáculos encontrados por mulheres no meio editorial – que, felizmente, vêm diminuindo. Então, vamos começar a prestar mais atenção nas nossas escolhas? E vamos sair um pouco da “zona de conforto” dos temas que estamos mais acostumados a ler?

-Janeiro: Terror
-Fevereiro: Ficção histórica
-Março: Clássico
-Abril: Fantasia
-Maio: Livro censurado
-Junho: Livro reportagem
-Julho: Ficção científica • -Agosto: Drama
-Setembro: Thriller/Suspense
-Outubro: Humor/Ironia
-Novembro: Romântico
-Dezembro: Biografia

Importante dizer que esses “gêneros” que escolhi não são baseados em conceitos técnicos, mas apenas da minha experiência como leitor! E no post de cada mês, explico um pouco mais de cada categoria para vocês!

Essa semana ainda posto o escolhido para janeiro! Já quero ver algumas dicas de vocês! Quem vai entrar nessa comigo?

Sobre os ossos dos mortos, de Olga Tokarczuk | Resenha

Quando a gente começa uma leitura de uma ganhadora do Prêmio Nobel, é difícil deixar as expectativas baixas. No caso da escritora polonesa, não conhecia o seu trabalho até o anúncio do prêmio em 2019 – mas, para a nossa sorte, a @todavialivros já estava editando esse livro.

Vamos à obra… Com uma temática bem atual, ligada ao direito dos animais, laços de amizade e à própria condição humana, Olga nos coloca para seguir os passos de Dusheiko, uma professora aposentada e astróloga, cujas ideias causam estranhamento nos habitantes de uma fria e remota cidade da Polônia.

Já no início, um assassinato intriga os moradores do vilarejo e os principais suspeitos são, na opinião da protagonista, os próprios animais da região. E nesse cenário de incertezas, novas mortes vão sendo denunciadas – sempre em condições misteriosas.

Em paralelo aos crimes cometidos, a autora desenvolve a personagem de Dusheiko e suas relações com os demais moradores. E esse foi, na minha opinião, o ponto mais interessantes da narrativa. Dusheiko é má compreendida, sendo taxada de “doida” quando, na verdade, tem apenas uma visão de mundo mais dolorosa. Ela parece entender o que está por trás das ações do ser humano e reconhece o seu dever e responsabilidade com o meio ambiente.

A obra também é muito bem escrita, com passagens carregadas de um humor ácido e inteligente. No meio da leitura, senti uma maior lentidão no desenvolvimento da história… mas, como disse, acho que a intenção da autora não foi criar apenas um livro de suspense, e sim despertar reflexões atuais no leitor.

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10 livros para 2020

Em 2019, resolvi fazer uma seleção de 10 livros que eu tinha na minha estante e que gostaria de ler! Como contei para vocês, li apenas 6 dos 10 escolhidos, mas foi uma ótima forma de incentivo para conseguir aproveitar excelentes leituras que estavam aguardando na estante. •
Em 2020, resolvi fazer o mesmo! Mas é como sempre falo, as metas não passam de uma brincadeira para estimular ainda mais a leitura, mas não devem ser encaradas como obrigações ou como competição… Leitura não combina com pressa: vamos ler o que temos vontade e quando temos vontade. •
Seguem os escolhidos para 2020, lembrando que essa lista não tem relação com o #Desafiobookster2020, que eu vou lançar no dia 1º de janeiro!

*O alienista, de Machado de Assis
*Orgulho e preconceito, de Jane Austen
*Trilogia do adeus, de João Anzanello Carrascoza
*Complexo de Portnoy, de Philip Roth
*Frankenstein, de Mary Shelley
*Reparação, de Ian McEwan
*Água viva, de Clarice Lispector (2020 é o ano de seu centenário)
*Serotonina, de Michel Houellebecq
*Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
*Memória da casa dos mortos, de Fiódor Dostoiévski 

E aí, o que acharam das escolhas?

Um conto de Natal, de Charles Dickens | Resenha

Acredito que esse meu primeiro Dickens tenha sido um livro bem diferente das suas obras mais consagradas, todas longos romances como Grandes esperanças, David Copperfield e A casa soturna. E isso eu digo não apenas por conta do tamanho do livro, mas também pela profundidade da história. Em “Um conto de Natal”, encontramos uma história bastante simples, curta, mas muito gostosa de ler.

A narrativa gira em torno de Scrooge, um personagem que chegou à terceira idade apenas acumulando dinheiro, tendo deixado de lado os importantes valores da vida. Scrooge não dá atenção para a sua família, não é generoso com seus empregados e não gasta o dinheiro por nada, nem mesmo para seu conforto. Dentre tantos temas aos quais o personagem não dá a mínima bola, está o Natal: um enorme desperdício de tempo e dinheiro, na sua opinião.

E é justamente durante uma noite de Natal que se passa a história criada por Dickens. Scrooge recebe uma visita – no mínimo assustadora – do fantasma de seu sócio, que já antecipa a visita de três espíritos que irão acompanhá-lo durante essa noite. Cada um deles irá mostrar a Scrooge as consequências de seu comportamento rabugento e antipático em noites de Natal do seu passado, presente e futuro.

Para ser sincero, na minha opinião a narrativa não é, por si só, incrível. Como eu disse, ela é bem simples, podendo até mesmos ser lida por uma criança… Mas quando entendemos o contexto em que a obra foi escrita, assim como as repercussões para a época de seu lançamento (1843), a leitura fica muito mais interessante. Isso porque, por meio dessa obra, Dickens ficou conhecido por inventar o Natal como celebramos atualmente, isto é, o espírito natalino. Até por sua importância, o livro foi objeto de diversas adaptações.

Além disso, o que deixou a experiência ainda mais legal foi a edição incrível da @antofagica ! Ela é repleta de ilustrações e textos de apoio, que conseguem nos inserir ainda mais na mágica da história. Dentre tantas opções no mercado, não hesito em indicar essa!

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“A marca da vitória”, de Phil Knight | Resenha

Quem me segue aqui há um tempo sabe que meu objetivo é indicar livros que vão além dos best-sellers, até porque eles já têm uma baita divulgação… Mas isso também não significa que eu não escolha leituras que estão na lista dos mais vendidos. Algumas obras são tão comentadas que eu fico com vontade de saber qual a minha opinião…

No caso da autobiografia do criador da Nike, Phil Knight, aconteceu isso: recebi muitas indicações que atiçaram meu interesse. Além disso, como eu estou tentando desenvolver meu gosto por biografias (que não costumam me agradar tanto), resolvi dar uma chance e incluir “A marca da vitória” nas últimas leituras de 2019. •
Quando a gente dá uma lida na sinopse, pode até parecer que vai encontrar mais uma história sensacionalista, daquelas que não dão a impressão de serem reais: Knight começou com um empréstimo de 50 dólares de seu pai, em 1963, e hoje é dono de uma das empresas mais famosas do mundo. Mas o que me surpreendeu e me interessou muito ao longo da leitura foi perceber o lado humano por trás dessa história, a quantidade de obstáculos corriqueiros que o criador da Nike enfrentou ao longo de sua carreira. E quando a gente fala em desafios, eles não são apenas comerciais, mas envolvem dúvidas pessoais, conflitos familiares, perdas, falta de sorte, e por aí vai…

Ou seja, a gente consegue se identificar com Knight e isso me deixou preso à sua história até o fim do livro. E se há obstáculos, também há passagens inspiradoras, principalmente pela crença do autor no poder de transformação do esporte, uma das suas grandes paixões. Ah, também há muitos detalhes interessantes sobre a história dessa marca, que vão desde o momento da criação da logomarca, até o escândalo envolvendo mão de obra infantil (que, na minha opinião, até poderia ser sido melhor desenvolvido).

Por isso, recomendo o livro! E não apenas para quem gosta de ler livros de empreendedores bem-sucedidos, na busca por lições que podem te ajudar a chegar no “topo”, mas também para quem tem interesse de conhecer mais sobre uma pessoa que já viveu e precisou lidar com situações comuns e desafiadoras.

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