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Úrsula, de Maria Firmina dos Reis | Resenha

A importância histórica dessa obra já é, por si só, suficiente para que você a leia: publicado em 1859, “Úrsula” é considerar o primeiro romance de autoria negra e feminina publicado no Brasil. E para a felicidades de nós, leitores, a obra foi recentemente republicada por algumas editoras, trazendo o trabalho da autora maranhense para o público de fora do mundo das Letras. Na verdade, me causa espanto que essa obra não seja ensinada nas escolas como um marco da nossa literatura.

O enredo de “Úrsula” é bem característico de um “romance romântico”, já que envolve um triângulo amoroso e os sofrimentos causados por uma grande paixão. E confesso que, apesar de ser uma leitura agradável e envolvente, essa parte da narrativa não me encantou. A princípio, acabou me deixando com a sensação de ser uma história pouco original. E talvez se a gente só focar no enredo, a obra pode não agradar alguns leitores. Mas quando a gente para e pensa sobre o contexto histórico em que a obra foi escrita, a sua originalidade está no simples fato de ela ter sido publicada em um ambiente tão hostil para Maria Firmina.

Além disso, em paralelo a esse foco narrativo, também somos apresentados a três outros personagens: Túlio, Suzana e Antero. Três escravos, personagens criados por uma autora negra que vivia em uma época em que a escravidão ainda estava longe de ser proibida no Brasil. Esses aspecto do livro me impressionou bastante e revelou a coragem da autora em tratar – ainda que de forma sútil – uma temática muito complicada para a época. E isso também explica o motivo pelo qual o romance foi inicialmente publicado com um pseudônimo: “uma maranhense”. E no decorrer da leitura, há passagens que retratam os horrores da escravidão. Dentre elas, está a cena que mais me impressionou: a descrição da captura e viagem de uma escrava para o Brasil, brutalmente separada de sua família e seus filhos.

Ah, e se prepare para encontrar algumas palavras pouco conhecidas, reflexo da época em que a história foi construída. Mas fique tranquilo que isso não chega a prejudicar o ritmo da leitura.

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#DesafioBookster2020 | Fevereiro

#DesafioBookster2020
Mês: Fevereiro
Tema: Ficção histórica
Livro escolhido: “Eu, Tituba – bruxa negra de Salem”, de Maryse Condé

Vamos ao livro escolhido em fevereiro para o desafio Bookster 2020? Lembrando que se você não conhece o desafio ou quer começar a partir desse mês, corre lá no destaque dos stories chamado “Desafio2020”, que tem tudo explicado. 

O gênero literário do mês é a ficção histórica, que pode ser definido como uma obra que mescla aspectos históricos verídicos com ficção. Basicamente, o autor narra uma situação ficcional no passado, incorporando características reais daquele período. 

Apesar de ser um gênero bem comum, com diversos clássicos amplamente conhecidos, resolvi escolher um livro que chegou há pouco tempo no Brasil. Eu não o conhecia até receber no final de 2019 do @grupoeditorialrecord … e, logo quando vi a sinopse, fiquei muito interessado e com vontade de inclui-lo na lista de próximas leitura. 

Premiado com importantes prêmios literários, a obra da autora caribenha reconta o famoso caso dos julgamentos das bruxas de Salem, no final do século XVII, a partir da perspectiva de Tituba, uma personagem “silenciada por três séculos, devido à implacável historiografia racista”. Tituba era uma mulher negra, escravizada, originária de Barbados, e que passou a ser perseguida por uma histeria coletiva puritana, sendo acusada de bruxaria. E, por meio da ficção, a autora vai preenchendo as lacunas deixadas em nossa história.

Maryse Condé foi vencedora do The New Academy Prize in Literature, premiação criada como alternativa ao Nobel Prize de 2018, suspenso após a polêmica de abusos sexuais. A edição conta com prefácio de ninguém menos que Conceição Evaristo e com tradução premiada da Natalia Borges Polesso.

Quem aí vai me acompanhar na leitura? Para quem preferir outra escolha, seguem algumas indicações: “Kindrer”, de Octavia Butler; “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen; “A mulher de pés descalços”, de Scholastique Mukasonga; “O tempo entre costuras”, de Maria Dueñas; e “A casa dos espíritos”, de Isabel Allende.

Pantaleão e as visitadoras, de Mario Vargas Llosa | Resenha

Sou fã de Llosa e de sua capacidade de escrever obras que transitam entre as mais diversas temáticas. Já li várias obras do autor, mas a lista de desejados ainda é grande e “Pantaleão e as visitadoras” estava no topo. O livro foi muito recomendado pelos booksters, principalmente quando pedi dicas de livros bem humorados (já que o que a gente mais lê é história triste ? ).

A premissa da obra é realmente inusitada: um capitão do exército peruano recebe a missão de criar um serviço secreto de prostitutas para acalmar os ânimos dos soldados isolados na Amazônia. E apesar da relutância inicial de Pantaleão Pantojas em assumir a sua tarefa, o militar acaba se mostrando um administrador extremamente habilidoso para os serviços… Mas o que era sigiloso, acaba caindo na boca dos habitantes dos pequenos vilarejos da região e a situação complica para o protagonista! E para deixar a história ainda mais sinistra, há uma seita religiosa que começa a crucificar corpos na região, sem que as pessoas entendam muito os motivos por trás de tais atos…

No início senti um pouco de dificuldade com os diálogos apresentados sem muita distinção entre os personagens e as situações narradas (vc acaba identificando que falou aquilo só nos finais das frases, não se assustem)… mas a leitura logo me cativou! E realmente me deparei com muitas passagens hilárias e reveladoras da inteligência do autor. 


Além disso, a narrativa é construída intercalando capítulos com uma prosa mais tradicional, repleta de diálogos, e capítulos com a transcrição de documentos oficiais do exército, relatando os problemas e o sucesso da operação. E foram justamente essas partes mais “documentais” que acabaram tornando a experiência da leitura menos agradável do que eu esperava. Ficou um pouco arrastada…

De toda a forma, foi uma leitura muito interessante e engraçada, que me mostrou um lado um pouco mais experimental do autor! Recomendo!!

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O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe | Resenha

Em 2019, resolvi fazer a releitura dessa obra que é única em sua sensibilidade e na forma como aborda o afeto e as relações humanas. Quem me acompanha aqui há um tempo sabe da minha admiração pelo autor, que foi um dos responsáveis por despertar a vontade de conhecer um universo mais amplo de livros, que não se limitava apenas aos autores mais conhecidos ou às listas de mais vendidos. E, na minha opinião, o que mais se destaca nos livros de @valterhugomae é a sua escrita. É a poesia que preenche as suas frases, como se cada palavra tivesse sido escolhida a dedo.

Em “O filho de mil homens”, a narrativa é construída a partir de situações simples. É a história de um pescador solitário, Crisóstomo, que conhece um garoto órfão, chamado Camilo. É a história de uma família criada a partir de laços que fogem do convencional. E para acompanhar as emoções que percorrem a história de Crisóstomo e Camilo, o autor nos apresenta diferentes personagens, cada um com seus próprios conflitos. Cada um vive e sofre do seu jeito os problemas que encontram na pequena aldeia, mas que também estão presentes em todo canto: machismo, homofobia e outras formas de discriminação. Mas é justamente no meio dessas falhas de uma sociedade, que cada busca no outro um pedaço daquele seu vazio, daquela metade que lhe falta… E não é para isso que deveriam servir o amor e o afeto?

Fica até difícil para mim, como leitor, contar mais sobre o que você pode encontrar nesse livro. Até porque, como sempre falo, um livro vai muito além de uma história. Nesse caso, a leitura de “O filho de mil homens” vale pela experiência, que nos deixa marcas – e também exige muitas marcações (haja post-its). Por isso, a recomendação é fácil e serve para qualquer um que quer um conhecer um pouco do ser humano, do que é ser humano.

E antes que me perguntem: acho que esse livro é uma boa opção para quem quer iniciar na obra de @valterhugomae !

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“K – Relato de uma busca”, de Bernardo Kucinski | Resenha

“Caro leitor: tudo neste livro é invenção, mas quase tudo aconteceu”. É com essa frase que começamos a obra de Kucinski, escolhida para o desafio Bookster do ano passado na categoria democracia. A narrativa tem como pano de fundo a história da irmã do autor, uma professora de química da USP que, em 1974, foi presa pelos militares e nunca mais foi encontrada. Desapareceu sem deixar rastros.

E nesse “relato de uma busca”, vamos acompanhar o triste desaparecimento da professora pela perspectiva de seu pai, K – um senhor de idade, judeu e imigrante. É uma corrida contra o tempo, já que a cada dia que passa as chances de encontrar a pessoa viva diminuem. Na verdade, chega um momento em que o desespero é tão grande, que a vontade é apenas de saber o que aconteceu. Ter ao menos um corpo ou uma resposta. E resposta é algo que K dificilmente consegue encontrar… Quando algum indício ou pista da localização da professora aparece, logo acaba desaparecendo e K fica mais uma vez à mercê do Estado. •
Além do relato da busca, o autor vai intercalando a obra com passagens sobre a vida de sua irmãs, depoimentos de torturadores e outros documentos da época. Com apenas 176 páginas, e misturando realidade e ficção, Kucinski conseguiu construir uma história carregada de uma sensação de esperança, mas que é perseguida pelo fantasma da perda e da dúvida.

É um livro que nos ensina e nos faz refletir sobre uma época que deve ficar no passado, mas cujos fantasmas da volta insistem em nos assombrar. Assim, a gente aprende a partir de uma experiência individual, não por números ou por datas. É uma de centenas de outras histórias tão doloridas que, por outro lado, não foram colocadas no papel e vão acabar se perdendo nas memórias.

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#DesafioBookster2020 | Janeiro

#DesafioBookster2020
Mês: Janeiro
Tema: Terror/Horror
Livro escolhido: Frankenstein, de Mary Shelley

Vamos ao primeiro escolhido do ano? Sei que a ansiedade tava grande (recebi dezenas de mensagens me cobrando a indicação?), mas ao mesmo tempo também sei que estava fácil acertar o escolhido.

Quem me segue sabe que em 2019 falei diversas vezes que gostaria de ler Frankenstein, porque recebi muitas boas recomendações. Inclusive, esse foi um dos livros que coloquei na lista dos 10 livros que pretendo ler em 2020.

E o que todo mundo que leu me fala é que, diferentemente da ideia que os filmes passam sobre Frankenstein, o livro é muito mais profundo do que a mera história de um monstro criado por um ser humano. Na verdade, a autora inglesa faz um mergulho nos pensamentos e reflexões do “monstro”. E isso me deixou muito animado! Publicado anonimamente em 1818, a obra é percursora da literatura de horror e ficção científica.

Escolhi ler nessa edição incrível da @penguinclassics no idioma original. Mas sobre as edições em português, recomendo muito a da @penguincompanhia , a da @darksidebooks e da @editorazahar , por conta da qualidade das traduções e dos textos de apoio.

E sobre a temática, importante dizer que terror ou horror podem ser definidos de forma distinta, mas para esse desafio decide contemplar ambos os termos. Apenas por curiosidade, há quem diga que o terror se refere à antecipação de uma experiência de medo, enquanto o horror se refere ao momento posterior, ao sentimento de repulsa a algo horrível.

Já nesse primeiro mês senti dificuldade em encontrar autoras que tenham livros publicados em grandes editoras ou traduzidos para o português. Por isso que é tão importante que cresca a procura por obras de escritoras brasileiras e estrangeiras.

Quem aí vai me acompanhar na leitura? Para quem preferir outra escolha, seguem algumas indicações: “Entrevista com o vampiro”, de Anne Rice; “Os mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe: Enterre seus mortos, ana paula maia; “Diário de uma escrava”, de Ro Mierling.

Ps: me indicaram um filme sobre a vida da autora (Netflix). Vou assistir!

#DesafioBookster2020

2020 começando e, com isso, vamos para a 3ª edição do Desafio Bookster: #DesafioBookster2020

A ideia é simples: uma categoria por mês! E alguns dias antes de iniciar o mês, eu venho aqui mostrar o meu escolhido e dar outras sugestões de livros que encaixam no tema. Então, você pode fazer sua própria seleção ou me seguir nas leituras!

E para 2020 tem novidade: no final de todo mês vou fazer uma live para conversar com vocês sobre o livro que eu escolhi… Ou seja, um clube do livro virtual com os Booksters!

Bom, vamos ao tema do ano… Em 2020, a proposta é ler livros escritos por MULHERES e de GÊNEROS LITERÁRIOS diferentes.

A ideia é trazer uma maior representatividade nas nossas leituras ao
mesmo que diversificamos o que estamos lendo. Até alguns anos atrás, eu nunca tinha parado para pensar se eu lia mais livros escritos por homens do que mulheres. Mas quando a gente analisa, a diferença acaba sendo grande… E não que não existam centenas de bons livros escritos por autoras. Pelos contrário! O problema é que há maiores obstáculos encontrados por mulheres no meio editorial – que, felizmente, vêm diminuindo. Então, vamos começar a prestar mais atenção nas nossas escolhas? E vamos sair um pouco da “zona de conforto” dos temas que estamos mais acostumados a ler?

-Janeiro: Terror
-Fevereiro: Ficção histórica
-Março: Clássico
-Abril: Fantasia
-Maio: Livro censurado
-Junho: Livro reportagem
-Julho: Ficção científica • -Agosto: Drama
-Setembro: Thriller/Suspense
-Outubro: Humor/Ironia
-Novembro: Romântico
-Dezembro: Biografia

Importante dizer que esses “gêneros” que escolhi não são baseados em conceitos técnicos, mas apenas da minha experiência como leitor! E no post de cada mês, explico um pouco mais de cada categoria para vocês!

Essa semana ainda posto o escolhido para janeiro! Já quero ver algumas dicas de vocês! Quem vai entrar nessa comigo?