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Norwegian Wood, Haruki Murakami

Para quem nunca leu alguma obra de Murakami, Norwegian Wood pode ser uma boa forma de iniciar e entrar no 9mundo do autor. Nessa obra, Murakami se atém ao “mundo real”, diferente de fantasias – sem muita explicação – que estão presentes em grande parte de seus livros. A leitura é bem profunda, e o leitor consegue se colocar no lugar de Toru, personagem principal, acompanhando seus pensamentos e problemas do dia a dia. Passando por temas como a juventude e o suicídio, Norwegian Wood tem como pano de fundo o romance entre Toru e Naoko, com seus constantes encontros e desencontros.

 

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Pais e filhos, Ivan Turguêniev

Russos… Cada nova leitura, uma surpresa boa! Não foi diferente com Turguêniev! Pais e filhos foi um dos melhores livros que li recentemente. A obra aborda os contrastes entre gerações e ideologias distintas. Após se formar na universidade, Arkádi Nikolaitch retorna à propriedade de sua família no interior da Rússia. E não vem sozinho. Traz consigo Bazárov, seu amigo e mentor, que representa a negação dos valores conservadores e tradicionais das gerações antigas, isto é, Bazárov é um verdadeiro “niilista” – termo originado a partir daa obras de Turguêniev.

É bom para lembrar a necessidade que os costumes e conceitos de uma geração devem estar sempre sujeitos à mudanças, para se adequar ao momento em que vive a sociedade. Recomendo muito a leitura!

Além disso, a escrita de Turguêniev é fácil e flui muito bem, o que mais uma vez serve para derrubar aquela velha ideia de que a literatura russa é difícil e pouco acessível. Recomendo MUITO!

Infelizmente, o livro está esgotado no Brasil! Torcendo muito para alguma editora relançar a obra.

 

Editora: (finada) Cosac Naify

Número de páginas: 300

Ano da publicação: 2004

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Hibisco roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Para quem vê de fora, a família de Kambili aparenta ser perfeita (para o ponto de vista de uma família tradicional/conservadora da Nigéria). Pai bem sucedido, filhos educados e estudiosos e uma esposa que cumpre sua função de dona de casa. No entanto, o livro vai abordar justamente a realidade que se esconde dentro da rotina da casa de Kambili, uma realidade que revela as consequências catastróficas do fanatismo religioso. O pai da protagonista é um cristão fervoroso e que faz de tudo, até recorrendo a castigos físicos, para impor suas crenças e tradições sobre os filhos e esposa. O mais interessante do livro está no choque cultural vivenciado por Kambili e seu irmão quando vão passar um tempo na casa da sua tia, em um bairro universitário e simples da Nigéria, onde estarão livres da tirania familiar criada pelo pai. O encanto dos dois pela liberdade contida em pequenos detalhes do dia a dia dos primos é impressionante e deixa claro os efeitos negativos que o fanatismo religioso e a intolerância podem gerar.

 

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O tribunal da quinta-feira, Michel Laub

Com uma linguagem bem direta e revestida de forte humor negro, Michel Laub aborda temas – e problemas – bem atuais, como o vazamento de dados na internet e a criação de um verdadeiro “tribunal” virtual. Esse tribunal, composto por juízes anônimos (pela internet, é sempre mais fácil apontar o dedo para o outro, não é mesmo?), julga qualquer um, com base em meias informações, sem se atentar às trágicas consequências para quem está no banco do réu. A leitura é bem rápida (e pouco profunda), mas fará você repensar na forma com que as informações são divulgadas hoje em dia e da importância em questionar a veracidade do que encontramos hoje em dia na internet.

 

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O gigante enterrado, Kazuo Ishiguro

Não costumo ler literatura fantástica, mas às vezes acabo escolhendo alguns livros de gêneros diferentes para sair da minha zona de conforto. Foi em uma dessas escolhas que comecei a ler O gigante enterrado e posso afirmar que fui muito surpreendido de forma positiva. Narrando a trajetória de um casal de idosos em busca de seu filho, em uma terra mágica e amaldiçoada por uma névoa do esquecimento, o autor aborda de uma forma muito profunda questões envolvendo a importância da memória e a força do amor. Recomendo a leitura, mesmo para quem não está acostumado com o gênero fantástico. A escrita é muito fluída e poética.

 

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Butcher’s crossing, John Williams

A narrativa do livro tem como foco os desafios de um jovem que, após largar os estudos em Harvard, decide se aventurar pelo interior dos Estados Unidos. Sem rumo, o protagonista acaba se juntando a um grupo de caçadores de búfalos, prestes a iniciar uma temporada de caça no oeste do país. A partir daí, o leitor passa a acompanhar a aventura, com as dificuldades – físicas, mas também psicológicas – extremas vivenciadas por cada integrante do grupo. O autor escreve de forma extremamente detalhada, o que torna a leitura um pouco cansativo em certos momentos, principalmente no meio do livro. Mas ao mesmo tempo, essa característica acaba permitindo que o leitor tenha uma verdadeira imersão no cenário criado por John Williams e na aventura vivenciada pelo grupo.

 

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O pomar das almas perdidas, Nadifa Mohamed

A história é triste, bem triste, mas mostra a força do ser humano ao lidar com situações degradantes. Não tenho dúvidas de que acompanhar a simples rotina de três mulheres – uma criança, uma jovem e uma senhora – cercadas pela pobreza e violência no meio da revolução na Somália, durante a ditadura de 1987, foi muito enriquecedor. Essa é daquelas histórias que nos faz lembrar sobre a triste realidade de muitos, da qual, muitas vezes, acabamos nos tornando indiferentes.
Confesso que em alguns pontos achei que a leitura fica um pouco enrolada, mas a autora logo consegue voltar com o bom ritmo que predomina no livro.

 

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