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A confissão da leoa, Mia Couto

Assim como Valter Hugo Mãe, Mia Couto é uma das grandes surpresas da literatura contemporânea da língua portuguesa. A escrita é extremamente poética, como se o autor tivesse pensado muito antes de inserir uma nova palavra, e agradável. Além disso, o autor tem uma capacidade impressionante de envolver o leitor não só com a narrativa, mas também com os personagens por ele tão bem construídos. Em A confissão da leoa, acompanhamos os relatos – alternados – de Arcanjo, caçador enviado a uma aldeia moçambicana para proteger os moradores dos ataques de leões, e Marimar, uma habitante “rebelde” dessa aldeia! Apresentando ao leitor a ótica de cada um dos protagonistas, Mia Couta insere uma forte crítica social à condição das mulheres africanas que, não por outro motivo, são as principais vítimas dos ataques dos leões. Não foi o meu livro preferido do autor, pois achei que ele poderia ter se aprofundado mais em alguns momentos, mas ainda assim é muito bom! Quais obras vocês recomendam de Mia Couto?

 

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O rei de Havana, Pedro Juan Gutiérrez

Uma das grandes surpresas deste ano! Um livro completo, que alcança com maestria a intenção pelo autor. Por meio de uma narrativa forte e de uma linguagem crua e sem frescuras, o leitor acompanha a vida de Reinaldo, menino pobre, morador da periferia de Havana e vítima de um ambiente familiar caótico. Depois de um incidente, do qual não teve qualquer culpa, o protagonista é mandado para um reformatório, onde fica alguns anos – os mais importantes para sua formação – e consegue fugir. Uma criança que desde o começo precisa desconfiar de qualquer um para poder sobreviver e enfrentar a dura realidade de uma sociedade que o abandonou. É chocante, mas também compreensível, a frieza e o desapego de Reinaldo com tudo e com todos. O autor também constrói de maneira impecável o cenário da Cuba da década de 80 e 90, cercada de miséria, drogas, álcool e prostituição. Uma obra intensa e muito cativante! Fiquei com vontade de ler outras obras do autor… alguém tem indicação?

 

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O estrangeiro, Albert Camus

Um clássico da literatura mundial, O estrangeiro é um romance sempre atual e com forte teor existencialista, abordando a solidão, o desapego do ser humano aos valores da sociedade e a sua indiferença com a rotina e as próprias emoções. Com uma narrativa em primeira pessoa, o leitor acompanha o cotidiano de Mersault, um cidadão comum, com um emprego comum e que apenas observa o passar dos dias – e da vida. Mersault vive em um constante estado de “Tanto faz”. Um dia, no entanto, o protagonista se envolve em uma briga e comete um assassinato. A partir desse momento, submetido a um longo julgamento que poderá, inclusive, condená-lo à pena de morte, Mersault começa a acordar para a vida (foi exatamente essa a sensação que tive!), se tornando cada vez menos alheio ao que se passa no seu redor. Gostei muito de enxergar o ponto de vista do próprio acusados que pode, a qualquer momento, ser condenado à pena de morte. Uma obra prima! Li a versão original, em francês, e pretendo fazer uma releitura em português daqui a um tempo!

 

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Sono, Haruki Murakami

Já li algumas obras do autor e a cada leitura passo a gostar mais da sua forma de escrever! Em Sono, Murakami nos brinda com um conto extremamente sensorial e instigante. A história é narrada por uma mulher, cujo nome não é revelado, e que, sem qualquer explicação, fica dezessete noites sem dormir! Nesse período de alerta ininterrupto, a protagonista passa a refletir sobre sua vida pessoal, sua rotina mecanizada e suas relações de afeto com o filho e o marido. Também achei muito interessante o paralelo que o autor consegue fazer com a obra de Tolstói, Anna Kariênina, que acaba virando uma fixação da protagonista nesses dias em claro (os: para quem ainda não leu Anna Kariênina, Murakami dá “spoilers” ao longo do livro). A edição da @editorial_alfaguara está impecável, contendo ilustrações feitas por uma artista alemã e que contribuíram para o enriquecimento da obra.

 

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A insustentável leveza do ser, Milan Kundera

Escrever sobre esse clássico da literatura não é uma tarefa muito fácil! Com uma abordagem extremamente psicológica, a obra aborda a complexidade dos relacionamentos humanos por meio da vida de quatro pessoas: Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Todos buscam o sucesso em suas relações amorosas e afetivas, mas cada um com seus anseios e diferentes formas de enxergar a leveza (e o peso) do ser. Um livro profundo e impactante…Foi meu primeiro contato com o autor e fiquei impressionado com a sua escrita e capacidade de nos impactar! Leitura obrigatória!

 

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Mundo sem fim, Ken Follett

O autor nos brinda com mais um romance histórico incrível! O leitor se depara com o mesmo cenário de Os Pilares da Terra, a cidade medieval de Kingsbridge, mas passados dois séculos. O ponto de partida da trama é um acontecimento envolvendo quatro crianças e a morte de dois homens. O leitor acompanha a vida dessa dessas quatro crianças, a relação entre elas e os desdobramentos daquele fatídico dia que marcou as suas vidas para sempre. O contexto histórico é a baixa Idade Média, acometida pela peste negra, por guerras e conflitos políticos entre clero e nobreza. Com personagens muito bem construídos, Mundo sem fim é um livro intrigante, agradável e com uma base histórica primorosa. A edição da @editoraarqueiro, que dividiu as duas mil páginas da obra em um box com dois volumes, também está impecável! Leiam!

 

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Elogio da Madrasta, Mario Vargas Llosa

Nessa obra, Vargas Llosa aborda – com toques de erotismo e de humor – os limites da inocência e da paixão. A narrativa gravita em torno de Fonchito, filho de dom Rigoberto, e sua madrasta, Lucrécia. O que era para ser apenas um amor ingênuo de uma criança por sua madrasta acaba se transformando em uma paixão, com demonstrações de afeto íntimas demais – e, para alguns, perturbantes. O livro ainda intercala alguns contos, que tratam do desejo e do erotismo, com a história principal. Apesar de não ser a minha obra preferida do autor, a leitura é bem rápida e agradável, com uma prosa rebuscada e um bom toque de erotismo e humor!

 

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