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2018 já começou com muitas leituras boas! 

  • 2018 já começou com muitas leituras boas!
    Como já falei aqui, costumo escolher 4 livros para ler ao mesmo tempo. Ou seja, só começo algum novo livro depois de terminar esses 4, mas não necessariamente começo todos simultaneamente. As escolhas são sempre divididas em quatro categorias, que podem ser assim resumidas: um clássico; um livro curto (até 200 páginas); um autor contemporâneo/ficção científica; e um livro de não-ficção/contos/jornalístico/poemas.
    Isso me incentiva a ler alguns gêneros que não tenho tanto costume e também evita que eu canse de determinado livro.
    Os escolhidos dessa vez são:

    1 – Clássico: Gente Pobre, Fiódor Dostoiévski – Ano passado conheci a literatura russa e realmente virei fã. Essa é a primeira obra publicado por Dostoiévski e foi indicação do projeto lançado pela @isavichi ! .
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    2 – Livro curto: A morte em Veneza, Thomas Mann – Escolha de fevereiro para o #desafiobookster2018 ! Será meu primeiro Mann. Essa edição da @companhiadasletrinhas , na verdade, tem dois romances, então vou aproveitar para ler Tonio Kröger também.
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    3 – Autor contemporâneo: A sociedade dos sonhadores involuntários, José Eduardo Agualusa – A sinopse dessa obra do autor angolano me interessou muito! Recebi da @planetadelivrosbrasil .
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    4 – Livro de não-ficção: Leonardo da Vinci, Walter Isaacson – Livro escolhido por vocês. Não costumo ler muitas biografias, mas é sempre bom sair da zona de conforto. O autor é um dos biógrafos mais renomados. E isso aliado com a historia da vida de um gênio, não deve ser coisa ruim.

    E vocês, estão lendo o que?
    #bookster4em1 #bookster #instabooks#bookinstagram #leituradodia#leituradavez #lido

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  • liviawurthDo Thomas Mann eu li “A Montanha Mágica” e é maravilhoso, um dos meus preferidos da vida, recomendo! Vou seguir tua dia e ler Morte em Veneza!
  • claupereiraarqTerminei hj Americanah da Chimamanda Ngozi Adichie ! Começando O Mundo de Sofia ( há anos na minha lista de must read )

O homem sem doença, Arnon Grunber

Em O homem sem doença, o leitor se depara com a história de Samarandra Ambani, um suíço, de origem indiana, que trabalha em um promissor escritório de arquitetura. Sam é construído para se encaixar no estereótipo do homem suíço: um indivíduo perfeccionista, cheio de manias, com obsessão por limpeza e pelo trabalho. Ao ser convidado a apresentar um projeto de uma obra em Badgá, Iraque, o protagonista dá início a uma onda de tragédias em sua vida. Logo quando chega em Bagdá, Sam é acusado de ser um espião e é submetido à intensa tortura. Não vou contar mais para não dar spoiler, mas as coisas conseguem piorar… É impressionante a capacidade que o autor possui em prender o leitor, que nunca consegue prever quais serão os próximos acontecimentos. Também gostei bastante da forma com que a personalidade de Sam é afetada pelos traumas vividos e como Grubenrg utiliza a narrativa para fazer certas críticas à visão ocidental do que é ser “normal”. A primeira parte do livro foi sensacional, mas achei que Grunberg se perdeu um pouco na segunda parte e quis terminar o livro com certa pressa. Mas mesmo assim gostei muito da obra e recomendo para quem está com vontade de ler um romance perturbador, trágico, e ao mesmo tempo, cômico. Mais uma excelente publicação da @radiolondres, com uma capa muito interessante? Alguma previsão de novos livros do autor?

 

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O cão dos Baskerville, Arthur Conan Doyle

Nessa obra, Holmes, e seu companheiro Watson, precisam desvendar o mistério por trás da morte de Charles Baskerville e da lenda de que teria sido assassinado por um cão fantasma que assombra a família Baskerville há várias décadas. No todo, gostei do livro, mas confesso que estava esperando um enredo mais complexo e um aprofundamento maior dos personagens. Comparando com outros romances investigativos contemporâneos, não achei que O cão dos Baskerville tenho algo que se destaque. No entanto, a análise dessa obra deve levar em conta a época em que foi publicado – 1902 – o que justamente é uma das intenções do #desafiobookster2018. De fato, Sir Conan Doyle foi um marco no gênero de literatura policial, Sherlock Holmes foi o primeiro investigador do romance policial que usou o método científico e a lógica dedutiva para desvendar os crimes. Por isso, é evidente que naquela época a obra deve ter tido um impacto muito maior nos leitores. Também é importante lembrar que O cão dos Baskerville foi publicado em partes, em uma revista, o que deveria criar nos leitores uma grande ansiedade pela próxima edição. Além disso, não tem como negar a capacidade que o autor tem de trazer o leitor para participar da história, tentando desvendar o mistério na medida em que novas informações são apresentadas. A escrita é instigante e bem fluída, com uma grande quantidade de diálogos. Na minha opinião, um dos pontos mais interessantes dessa obra foi a áurea de sobrenatural que paira ao longo de toda narrativa. Resumindo, é um clássico da literatura policial, gostoso de ler, mas que ficou aquém das minhas expectativas. Talvez eu precise ler outros livros do Sherlock Holmes para concluir se o “problema” foi a história em si ou se a escrita de Sir Conan Doyle não me empolga tanto.

 

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Jesus Cristo bebia cerveja, Afonso Cruz

Rosa, a protagonista, mora em uma vila do Alentejo, interior de Portugal, e vive para cuidar de sua avó, Antónia. Sua mãe abandonou a família e o pai, deprimido, “pegou uma corda e pendurou-se numa figueira. Foi o mais estranho fruto daquela árvore”. Um dia, Rosa descobre o sonho de vida de sua avó, conhecer Jerusalém, a Terra Santa, mas as difíceis condições de vida das duas e a idade avançada de Antónia elevam esse sonho ao impossível. O professor Borja se apaixona pela garota e não consegue aguentar a tristeza que a acomete por não poder realizar o sonho da avó. Assim, sugere transformar a aldeia em que vivem na própria Jerusalém, como em um cenário de teatro. Borja “acha que todas as geografias se sobrepõem. O sagrado está em todo o lado. Não tanto pelo valor intrínseco, mas pelo valor que lhe damos. Se uma aldeia o Alentejo pode ser Jerusalém, é porque é Jerusalém”. Apesar de ter inicialmente me interessado pelo enredo, o que me agradou mais na obra foi a escrita de Afonso Cruz – o que explica as passagens da obra citadas nessa resenha. Os personagens apresentados ao longo da narrativa também são muito bem construídos e todos, cada um de seu jeito, ajudam Rosa na sua missão. Quando comecei a ler, esperava encontrar um enredo mais linear, ou seja, um romance propriamente dito. Mas, na verdade, a história fica em um segundo plano e o autor constrói uma obra com um carga filosófica maior. Talvez seja por isso que o livro não tenha me prendido tanto. Além disso, é uma obra difícil e reflexiva, que exige mais do leitor, mas que vale a pena ser lida, até para sair um pouco da zona de conforto. Apesar disso, foi bom ter esse primeiro contato com Afonso Cruz, um autor português contemporâneo muito bem conceituado e cujo trabalho pretendo conhecer mais.

 

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A resistência, Julián Fuks

Há sim passagens sobre a ditadura argentina, mas esse é apenas um assunto secundário. A obra é considerada uma auto-ficção, isto é, uma autobiografia ficcional, quando o autor reinventa sua própria existência. Tudo começa com um certo desabafo do narrador, Sebastián: “Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado”. E é a partir desse fato de seu passado que o narrador tenta reconstituir a origem do irmão adotado para compreender os motivos que o levaram a se recolher em suas próprias emoções. No entanto, a partir dessa visita às memórias, Sebastián acaba esbarrando na história de seus pais, casal de militantes argentinos que se vê obrigado a se exiliar de seu país e viajar para o Brasil, e, mais que isso, na sua própria história. Vencedor do prêmio Jabuti de 2016, principal prêmio da literatura nacional, A resistência é extremamente bem escrito e, na minha opinião, conseguiu aproximar muito o leitor de Sebastián e das reflexões sobre seu passado. A escrita de Fuks me surpreendeu muito, principalmente pela sua carga poética. Além disso, apesar de abordar temas mais densos, o livro é formado por capítulos curtos, o que dá uma maior fluidez ao texto. Julian Fuks é, com certeza, um dos destaques da literatura contemporânea nacional.

 

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A desumanização, Valter Hugo Mãe

É como sempre falo: parece que cada palavra foi escolhida a dedo. Em A desumanização, essa fórmula se repete. Acompanhamos uma história contada por uma garota de 11 anos, logo após a morte de sua irmã gêmea. É a morte e o luto a partir da perspectiva de uma criança. Acostumada a compartilhar tudo com sua irmã, desde o nascimento, a dificuldade encontrada é em como viver como uma só. Halla passa ser a metade de um inteiro, a “irmã menos morta”. Diante desse episódio tão marcante, a protagonista passa a descobrir os segredos da família e do vilarejo em que vive. Não é uma leitura fácil, até mesmo pela sua alta carga poética. Alguns trechos exigem mais de uma leitura, mas aos poucos você se acostuma e acaba engrenando no ritmo e estilo do autor. O cenário melancólico de uma Islândia congelante consegue dar ainda mais profundidade à obra. “A máquina de fazer espanhóis” e “Homens imprudentemente poéticos” ainda são os meus livros favoritos do autor. Mas, como disse, todos os livros do autor merecem ser lidos! 

 

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O conto da aia, Margaret Atwood

No entanto, depois de terminada a leitura, posso afirmar que a obra é excelente. Atwood conseguiu criar um romance distópico muito interessante, trazendo questionamentos atuais e polêmicos. A narrativa se passa em Gilead, um estado teocrático, machista e totalitário, em que a religião dita as regras de forma extremamente rígida e as mulheres são transformadas em “objetos”, com funções previamente designadas. Offred, a protagonista, é uma “aia” e, portanto, sua existência está atrelada à mera função de procriação. As “aias” são um verdadeiro útero para as elites ou, como a própria protagonista diz, “somos úteros de duas pernas, isso é tudo: receptáculos sagrados, cálices ambulantes”. A autora conseguiu explorar o psicológico da protagonista de uma forma muito inteligente, criando um verdadeiro contraste com o conservadorismo caraterístico dessa nova sociedade. São as emoções e pensamentos de alguém que vivia em uma sociedade livre como a nossa, mas que passou a se submeter a novos ideais e a uma nova forma de comportamento, constantemente controlado. A escrita também é bem fácil, rápida e instigante, com ótimas descrições dos locais em que se passa a história. Apesar da curiosidade por mais informações, Atwood consegue prender o leitor ao longo do livro, revelando os detalhes aos poucos. A título de curiosidade, o retorno da obra para a lista de mais vendidos se deu em grande parte pelo governo Trump, uma vez que muitos consideram essa sociedade distópica como uma possível previsão para o futuro dos EUA. Um livro chocante e, ao mesmo tempo, atual!

 

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