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Antes de nascer o mundo, Mia Couto

Posted on 19 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Antes de nascer o mundo, Mia Couto

Se o primeiro livro que li do autor – “A confissão da leoa” – não havia me agradado tanto, “Antes de nascer o mundo” serviu para mostrar o seu brilhantismo. Nessa obra, o narrador Mwanito e seu irmão mais velho, Ntunzi, são criados em Jesusalém – e não a Jerusalém que conhecemos. O cenário dessa obra é um espaço no meio da savana de Moçambique e “criado” pelo pai dos dois jovens, Silvestre. Após a morte de sua esposa, Silvestre resolveu deixar a cidade e levar os seus filhos e seu criado, Zacaria, para morar no meio do nada. Lá, onde resolveu chamar de Jesusalém, Silvestre criou os filhos com a ideia de que o mundo que conheciam teria acabado e que só eles haviam sobrado. É uma fuga de um passado pouco conhecido por Mwanito e que não deve ser falado. Qualquer memória deve ser apagada.

E é no meio desse novo mundo que Mwanito apresenta ao leitor suas dúvidas e questionamentos sobre as histórias contadas pelo pai. Sem qualquer lembrança de seu passado, e sem nunca ter visto uma mulher, o jovem narrador não tem alternativa se não acreditar em tudo que seu pai contava. No entanto, sem muitas explicações, Mwanito é atormentado pela figura da mãe, Dordalma, que nunca pôde conhecer, mas que guia os seus passos. Já Ntunzi, o irmão mais velho, guarda mais memórias da antiga vida e, com o desejo de voltar à civilização, entra em conflitos com Silvestre.

A única conexão de Mwanito com o que talvez exista além de Jesusalém – “O lado de Lá” -está no Tio Aproximado, que de vez em quando aparece na aldeia com novidades e com histórias para contar. Um dia, a fuga constante pelo passado se vê abalada quando Tio Aproximado traz uma mulher para Jesusalém.

Com uma escrita sensível e poética, verdadeira arte em forma de texto, essa obra como certeza explica o destaque de Mia Couto com um dos maiores autores contemporâneos da língua portuguesa. Uma obra marcante!

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. “Não chegamos realmente a viver durante a maior parte de nossa vida. Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência. No resto, vamos vagalumeando, acesos apenas por breves intermitências.” #bookster

 

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A teta racional, Giovanna Madalosso

Posted on 11 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
A teta racional, Giovanna Madalosso

Uma incrível coletânea de contos que possuem dois pontos em comum: o feminino como objeto central e o humor ácido como característica da escrita da autora. Giovana constrói histórias que questionam a imagem estereotipada da mulher em nossa sociedade e que fazem, sem pedir licença, o leitor refletir. São temas simples e do cotidiano apresentados de forma caricaturada, sem filtros e com uma crítica social muito bem colocada. O próprio conto cujo nome dá título ao livro, já evidencia a proposta da autora: a teta, no caso, é a da mãe, da mãe que precisa “ordenhar-se” no banheiro do trabalho, enquanto escuta reclamações do seu chefe, para poder guardar o leite que o seu filho tomará no dia seguinte, na sua ausência. Em outro conto, “Roleta-Russa”, Giovanna traz a história de uma transexual, portadora do vírus da AIDS e que, por conta disso, é convidada para festas em que o sexo corre sem proteção, em uma loteria da vida. Há também a maternidade apresentada de forma crua, humana, natural, sem aquele glamour que tanto a sociedade insiste em lhe atribuir.

Com uma escrita econômica e de rápida leitura, esse é realmente um daqueles livros que te prendem e, quando você menos espera, já terminou, deixando com uma vontade de querer mais. Apesar de sempre ter aqueles contos preferidos, gostei de todos, o que não costuma ser tão comum em coletâneas. Em cada conto há uma crítica social e traz desperta uma boa reflexão. Romance de estréia de uma autora brasileira que já deixa claro o grande potencial do que ainda tem por vir!

Obrigado @grua, pelo envio do livro!
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“A mãe tem que pôr o bebê para arrotar depois de cada mamada. E era isso que eu estava fazendo quando me deu uma baita vontade de ir ao banheiro. Eu já tinha voltado da maternidade. Estava em casa, sem ninguém para me ajudar. Fui com meu filho no colo até o banheiro, abri a calça e sentei na privada. Caguei. E, enquanto isso, ele regurgitou no meu colo. (…) Quando tentei me limpar, ele se mexeu de um jeito brusco e abriu a ferida do meu mamilo, que estava rachado. Comecei a chorar. E meu filho, sempre em simbiose comigo, chorou também. Nos acolhemos, nos grudamos um ao outro. Uma bola de fezes, vômito, sangue, lágrimas e muco se amando intensamente.” (pág. 12 – “XX + XY”)
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(Editora @grua, 125 páginas)

 

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O caso Meursault, Kamel Daoud

Posted on 5 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
O caso Meursault, Kamel Daoud

Antes de começar a resenha, uma pergunta: você já leu “O estrangeiro”, de Albert Camus? Se a resposta for negativa, pare de ler esse post e comece logo a leitura. Mas se a resposta for positiva, essa resenha é feita para você! Não há dúvidas de “O estrangeiro” é um dos maiores clássicos do século XX. Nele, Meursault, um franco-argelino, mata um arábe – cujo nome nunca é mencionado – em uma praia, sem grandes motivos.

 

E é a partir dessa história que Kamel Daoud escreveu sua obra. Mas nela, o autor argelino traz os fatos sob a perspectiva da família desse “árabe” assassinado por Meursault. A história é narrada por Haroun, irmão do árabe sem nome, que passa a vida remoendo esse assassinato imotivado que atingiu a sua família e, principalmente, indignado com o descaso das autoridades e da sociedade sobre o crime. É, sem dúvidas, uma narrativa repleta de rancor, angústia e sofrimento. Mas é também por meio dessa narrativa que Haroun consegue dar um nome a seu irmão, agora Moussa, e de certa forma vingar a sua morte ao contar a sua versão da história.

 

Confesso que duvidei um pouco do resultado de uma proposta tão díficil, como a assumida pelo autor. Mas terminei a leitura com uma certeza: Daoud conseguiu construir um jogo literário incrível com o clássico de Camus. Sua obra faz o leitor refletir sobre as percepções e ideias que surgiram na leitura de “O estrangeiro”. É como se o leitor tivesse a sensação de que o assassinato de Moussa foi um fato – e um injustiça – verídica. E para completar, a obra tece uma crítica social excelente sobre a colonização dos países africanos. Ou seja, é um livro muito inteligente e que faz o leitor refletir! Recomendo muito!

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“Imagine só, meu irmão poderia ter ficado famoso se o seu autor tivesse ao menos dignado a lhe atribuir um nome, H’med, Kaddour ou Hammou, apenas um nome, ora! Mamãe poderia ter conseguido uma pensão como viúva de mártir, e eu teria um irmão conhecido e reconhecido do qual poderia me vangloriar. Mas, não, ele não lhe deu nenhum, porque, senão, meu irmão criaria um problema de consciência para o assassino: não se mata um homem facilmente quando ele tem um nome”

 

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#DesafioBookster2018 – Junho

Posted on 3 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
#DesafioBookster2018 – Junho

– Mês: Junho – Categoria: Livro publicado na década de 1950
– Livro escolhido: “Ciranda de Pedra”, Lygia Fagundes Telles (1954)

Link para compra: https://amzn.to/2xEgZ4Z

Para quem ainda não conhece, o Desafio Book.ster 2018 foi lançado com o objetivo de, seguindo uma ordem temporal, incentivar a leitura de obras clássicas publicadas no século XX. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas. Por exemplo, em janeiro lemos um livro publicado entre 1900 e 1909. E por aí vai… Se você ainda não começou, ainda dá tempo de participar, é só escolher um livro para esse mês e que tenha sido publicado na década de 50…
No início de todo mês venho aqui apresentar o livro escolhido, assim como algumas sugestões para de obras publicadas na década respectiva!
O livro escolhido para o mês de junho é, sem dúvidas, de uma das principais autoras brasileiras, Lygia Fagundes Telles. Nunca li nada da autora, conhecida por suas obras sobre temas universais, como amor, laços familiares e morte. Em “Ciranda de pedra”, seu primeiro romance, a autora narra a história de Virgínia, a caçula de um casal de pais separados e que se vê no meio de conflitos familiares marcados pela traição e loucura. A obra já fez tanto sucesso que foi adaptada duas vezes para as telenovelas brasileiras. Em 2016, aos 92 anos, Lygia foi a primeira autora brasileira a ser indicada ao Prêmio Nobel da Literatura. A título de curiosidade, Lygia também é advogada e se formou na mesma faculdade que eu (USP).

Além de “Ciranda de pedra”, indico os seguintes livros publicados na década de 1950:

“O apanhador no campo de centeio”, J. D. Salinger (1951); https://amzn.to/2LitDIR

“Memórias de Adriano”, Marguerite Yourcenar (1951); https://amzn.to/2Li1phq

“Fahrenheit 451”, Ray Bradbury (1953); https://amzn.to/2xEYBsM

“O senhor das moscas”, William Golding (1954); https://amzn.to/2Lk1n8Q

“Auto da compadecida”, Ariano Suassuna (1955); https://amzn.to/2LkbB94 e

“Lolita”, Vladimir Nabokov (1955). https://amzn.to/2sw2oUj

E você, já escolheu sua leitura de junho?
#desafiobookster2018 #bookster #desafioliterário #literatura #lygiafagundestelles #cirandadepedra #literaturanacional #literaturabrasileira

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As brasas, Sándor Márai

Posted on 2 de junho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
As brasas, Sándor Márai

De um lado, Heinrik, general do império austro-húngaro e nascido em uma família aristocrata. De outro, Konrad, seu amigo de infância que, depois de uma tarde aparentemente normal de caça, resolve desaparecer. E passadas mais de quatro décadas desse sumiço, quando os dois “antigos” amigos já estão no final da vida, Konrad aparece para um reencontro.

E o leitor logo se pergunta: quais teriam sido os motivos para o fim de uma amizade tão forte? Essa é a pergunta que vem remoendo e assombrando os pensamentos do general há 41 anos e 43 dias contados. Sim, durante esse longo período, Heinrik sofreu com as possíveis justificativas para esse abandono repentino. As incertezas são uma fonte de sofrimento corrente para o general (o que me lembrou do nosso clássico Dom Casmurro).  E o autor sabe como usar esse mistério: vai progredindo na narrativa no ritmo certo, levando o leitor para momentos do passado, desde a infância e juventude dos amigos, para tentar encontrar o verdadeiro motivo para o fim da amizade. As respostas vão aparecendo ao longo do livro, enquanto o leitor acompanha o diálogo profundo e sensível construído pelo autor. O general até suspeita de um possível motivo, mas não consegue acreditar que o amigo poderia traí-lo de tal forma – são tantas dúvidas e rancores alimentados pelo general que o diálogo é, na verdade, um monólogo.

Minuciosamente descrito pelo autor, o cenário por trás dessa história é um dos pontos altos da obra: um castelo na Húngria, cercado por densas florestas, no qual viveram várias gerações de uma família aristocrata. Apesar do pouco número de páginas (cerca de 170), a leitura leva mais tempo, com um texto profundo e detalhado que deve ser aproveitado pelo leitor nos mínimos detalhes. Um clássico sobre amizade, paixão e vingança escritor de forma excepcionalmente sensível e profunda!

“Nesse instante, ambos perceberam que o que lhes dera força para se manterem vivos nos anos e anos que tinham se passado era a expectativa de se encontrarem. Como acontece com os que levaram a vida toda se preparando para uma única missão e de repente chega o momento de agir, Konrad sabia que um dia retornaria àquele lugar, e o general sabia que um dia chegaria aquele momento. Foi isso que os manteve em vida.”

Curiosidade: Livro do mês de maio do #desafiobookster2018, foi publicado em 1942, em um período conturbado de início da 2 Guerra Mundial.

 

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Como os advogados salvaram o mundo, José Roberto de Castro Neves

Posted on 30 de maio de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Como os advogados salvaram o mundo, José Roberto de Castro Neves
O título chama a atenção logo de cara, ainda mais quando se fala em advogados, sempre vítimas de piadas e críticas – especialmente no atual Brasil da “Lava Jato”. Então, a primeira pergunta que passa na cabeça é: como seria possível afirmar que os advogados salvaram o mundo? E é justamente a partir desse título provocativo, que o autor desenvolve uma proposta muito interessante: demonstrar ao leitor como a presença de advogados foi relevante nos principais momentos de nossa história. O autor faz referência a episódios marcantes para a proteção dos cidadãos contra um estado arbitrário e governos autoritários. Dessa forma, o que José Roberto consegue fazer ao longo desse livro é, por meio de uma vasta pesquisa, expor uma visão humanista do advogado, aquele que, por centenas de anos, vem atuando para garantir a liberdade daqueles em nome de quem atua. São personalidades como Ghandhi, Mandela, Montesquieu, Cícero e muitos outros – que partilham da formação jurídica como ponto comum – conseguiram “salvar o mundo”, no sentido de proteger “o homem de seu maior inimigo: os próprios homens“. 
E para demonstrar isso ao leitor, José Roberto atravessa um período histórico surpreendente. Desde a lei das 12 Tábuas, datada do século V a.c., passando pelo Renascimento, Iluminismo, Revolução Americana, Revolução Francesa, o autor chega às questões polemicas da profissão nos dias atuais e se arrisca até mesmo a discutir os riscos para a função do advogado em um futuro marcado pela inteligência artificial. Na minha opinião, um dos pontos mais positivos da obra é que essa “aula de história” em forma de livro foi construída de forma extremamente fluida e de fácil leitura! Ou seja, não é uma leitura apenas para advogados, mas para qualquer um que goste de história, direito ou tenha curiosidade sobre a formação da sociedade como conhecemos hoje. Além disso, José Roberto deixa o conteúdo ainda mais rico com trechos de diversos textos e discursos originais e representativos desses principais episódios que marcaram a nossa história.  

Por fim, como o autor é um grande colega, resolvi fazer essa resenha sem nota, sempre com o objetivo de manter a imparcialidade na minha avaliação. Independente disso, fato é que recomendo muito!

Recebi o livro da @novafronteira, muito obrigado!

“Talvez, num mundo diferente, habitado apenas por seres perfeitos, bons, altruístas e pacíficos, os advogados fossem supérfluos. Mas não é esse o mundo que vivemos. Sem os advogados, o mundo seria pior.

Os advogados não são perfeitos. É claro. São seres humanos que têm na imperfeição uma das suas características mais marcantes e belas. Por outro lado, apenas enquanto humanos é que eles conseguem compreender a humanidade.”

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Compartilhando Leitura

Posted on 27 de maio de 201827 de maio de 2018 by bookster
Compartilhando Leitura

 Ler é, muitas vezes, visto como uma atividade solitária. Eu, inclusive, tinha essa opinião até criar o @book.ster. Mas o que descobri nesse meio tempo é que, na verdade, não é a leitura que é solitária. O que faltam são espaços para conversar sobre o assunto. E quando eu digo que faltam espaços, não me refiro apenas a perfis como esse, por exemplo, mas ao espaço para o tema leitura no nosso dia a dia.

Experiência própria: antes do @book.ster,  a leitura não era um assunto recorrente na minha rotina (já hoje em dia, virei o louco dos livros, kkkk).  E foi a partir dessa mudança de comportamento minha e das pessoas a minha volta que eu percebi que como o “falar” sobre livros – e trazer esse tema para o nosso dia a dia – pode ser uma excelente forma de incentivar a leitura.

É impressionante o número de pessoas que vêm compartilhar suas experiências literárias comigo e falar como a página está ajudando a ler mais. No entanto, estou conseguindo influenciar a leitura porque, ao me seguir, a pessoa acaba inserindo um pouco do tema “leitura” em seu dia. E isso é tão fácil de fazer! São atitudes simples, como, por exemplo, combinar com um amigo de ler um mesmo livro. Só nesse ato, você já está transformando 1 leitor em 2 leitores – e criando uma companhia para conversar sobre o livro! Você também pode recomendar uma boa leitura para alguém, pedir um sugestão ou simplesmente perguntar qual a leitura atual. E isso depende essencialmente de uma iniciativa nossa. Se a gente reclama que o Brasil é um país em que se lê pouco, é porque é um país que fala pouco da leitura (sem esquecer, é lógico, da questão social envolvendo o acesso aos livros).

 Portanto, hoje em dia, quando me parabenizam pelo meu trabalho de incentivar a leitura, eu respondo que a pessoa também pode fazer a parte desse trabalho.

 Vamos começar isso agora? Marque algum amigo aqui, recomendando uma leitura ou combinando de ler um livro juntos! Vamos transformar o leitor aparentemente solitário, em  leitores conjuntos. Os próximos passos vêm naturalmente…

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