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Ritmo de leitura

Posted on 16 de agosto de 201830 de agosto de 2018 by bookster
Ritmo de leitura

Uma das principais dicas que costumo dar para alguém que quer melhorar o ritmo de leitura é ler mais de um livro ao mesmo tempo. Isso porque, ao alternar leituras, você dificilmente vai cansar ou emperrar em alguma obra – e, assim, a chance de você abandonar um livro diminui. Esse método também incentiva o leitor a sair um pouco da “zona de conforto” e se aventurar em gêneros que não costuma ler, já que o ideal é escolher obras bem diferentes. O problema é que sempre que dou essa dica, recebo várias mensagens de pessoas falando que é muito difícil e que não conseguiriam (mesmo sem ter tentado). Mas isso não é verdade! Pode até parecer complicado no começo, mas basta seguir as dicas aqui embaixo que não tem erro!
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1º: escolha livros de gêneros diferentes! Não recomendo que você escolha dois romances históricos, por exemplo. Tente combinar um livro em que não há um enredo a ser seguido por um longo tempo (como no caso de biografias, contos, poesia…), com um livro mais denso, tipo um clássico ou romance contemporâneo. Além disso, é importante que as obras tenham temáticas diferentes. Se você escolher uma biografia de Stálin e ler um romance ambientado nessa época, as chances de criar alguma confusão são grandes.
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2º: não há uma regra para como alternar as leituras. Você decide se em um dia você vai ler os dois livros ou se prefere ler um dia um pouco de um livro e no dia seguinte um pouco do outro. O segredo é não deixar uma das obras de lado! Ainda que você esteja gostando mais de alguma delas, tente manter o ritmo das duas leituras, lendo ao menos algumas páginas do livro “menos preferido”. Para evitar o abandono de um dos livros, você também pode se organizar para apenas começar uma nova leitura quando as duas anteriores tiverem encerrado (faço assim)!
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3º: mesmo que no começo você sinta um pouco de dificuldade, você vai se acostumar rápido e, com o tempo, não vai mais querer largar essa “técnica”. Ah, e aos poucos, você pode adicionar uma terceira ou quarta leitura (só não vai querer começar 6 livros de uma vez, porque as chances de não terminar nenhum são altas)! .
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E vocês, também gostam de ler mais de um livro ao mesmo tempo? #bookster

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O mestre e Margarida, Mikhail Bulgákov

Posted on 12 de agosto de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
O mestre e Margarida, Mikhail Bulgákov

Já inicio essa resenha com a certeza de que “O mestre e Margarida” entrou para a lista dos preferidos! E o engraçado é que eu tinha um certo receio de ler esse livro, pois já tinha ouvido falar que se tratava de uma “leitura difícil”! Mas essa experiência serve para confirmar o que venho tentando mostrar aqui para vocês: vamos perder o medo de ler grandes clássicos…
Bom, chega de introdução e vamos ao que interessa. A obra de Bulgákov narra a visita do diabo – sim, em pessoa – à Moscou soviética da década de 30. E o diabo, conhecido como professor Woland, não vem sozinho, mas acompanhado de um séquito pouco convencional: um gato preto com traços humanos (um dos melhores personagens), um demônio brincalhão, uma feiticeira nua e um assistente caricato.
A partir dessa visita, vários acontecimentos estranhos começam a se espalhar por Moscou. Prof. Woland se diverte com os cidadãos, mostrando – em nítida crítica ao regime de Stálin – como ideais tidos como verdades e amplamente disseminados são, em grande maioria, pura invenção e facilmente desconstruídos. Mas não espere encontrar uma crítica profunda ao regime comunista ou uma análise da época. Na verdade, o autor consegue apresentar essas críticas nas entrelinhas de um obra de literatura fantástica, carregada de humor e ironia.

Além dessa visita à Moscou, a narrativa vai alternando com a Jerusalém dos anos 30 D.C., época da crucificação de Jesus. Embora não pareça fazer sentido uma narrativa que misture duas épocas tão diferentes, Bulgákov consegue fazer desse paralelo mais uma das grandes sacadas de seu livro.
Escrito em cerca de 11 anos, “O mestre e Margarida” é, na minha opinião, uma obra completa! Traz uma história extremamente cativante, com personagens fortes, crítica social e escrita digna de elogios. É um livro de certa forma “estranho”, sim, então leia com calma e aproveite a genialidade do autor. A título de curiosidade, a obra foi alvo de muita censura e só foi integralmente publicada após 20 anos da morte de Bulgákov.
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Dica: recomendo ler nessa edição nova da Editora 34, pois a tradução parece estar bem mais acessível! #bookster

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Desonra, J. M. Coetzee

Posted on 7 de agosto de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Desonra, J. M. Coetzee

Vencedor do Man Booker Prize, Desonra narra a história de David Lurie, um professor universitário cinquentão e divorciado. O protagonista tem dificuldades em se envolver afetivamente e sua relação mais profunda é com uma prostituta. No entanto, após iniciar um romance com uma de suas alunas, é acusado de estupro e expulso da universidade em que dá aula. Diante disso, resplve passar um tempo na casa de sua filha, Lucy, na África do Sul pós-apartheid.
Lá, Lurie entra em contato com um país ressentido e ainda sofrendo pelos conflitos raciais. É uma completa mudança de cenário: da grande cidade para o campo em um país ainda em desenvolvimento. E também uma mudança do cenário mais interior: do individual para o coletivo. O que aparenta ser um romance sobre uma relação perturbada entre um homem mais velho e uma jovem, se mostra, na verdade, uma análise de uma sociedade brutalizada e oprimida.
Apesar de Coetzee criar uma narrativa com personagens comuns, aborda inúmeros temas sensíveis e polêmicos, como abuso sexual, racismo, violência, submissão, maus-tratos contra animais… A escrita é econômica, o autor não se vale de descrições minuciosas ou frases longas.
Com um final perturbador, “Desonra” é um livro real, seco, com cenas fortes e que prende muito o leitor! .
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“A história percorre o distrito como uma mancha. Não é a história dela que se espalha, mas a deles: eles são os donos. Como eles a puseram em seu lugar, como lhe mostraram para que ser e uma mulher.”
#bookster #jmcoetzee #desonra#bookstagram

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Homens imprudentemente poéticos, Valter Hugo Mãe

Posted on 6 de agosto de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Homens imprudentemente poéticos, Valter Hugo Mãe

Mais uma obra prima de um dos meus autores contemporâneos j (se não, o favorito de todos). Em “Homens imprudentemente poéticos”, o autor constrói sua narrativa a partir de um cenário do Japão antigo, campesino e artesão.A narrativa gira em orno de dois homens extremamente simples, Itaro e Saburo, um artesão e um oleiro. Enquanto Itaro não acredita e não se deixa enganar pelo amor, vivendo apenas de seu ofício de artesão, Saburo se recusa a deixar de amar a sua falecida esposa. O enredo pode aparentar ser simples, mas é extremamente profundo e desperta reflexões no leitor.

A morte também rodeia a história. O vilarejo em que vivem Itaro e Saburo fica ao pé da Floresta dos Suicidas, local em que as pessoas buscam um refúgio para acabar com o próprio sofrimento.

O que torna “Homens imprudentemente poéticos” uma obra ainda mais sensacional é a forma que Valter Hugo Mãe escreve. É realmente IMPRESSIONANTE…. Cada palavra é pensada e traz consigo um forte tom poético!

Mas se você nunca leu nada do autor, não recomendaria começar por esse título. Isso porque a história é mais parada e muito reflexiva, o que pode deixar o leitor que não está acostumado com o estilo de Valter Hugo Mãe um pouco cansado, com dificuldades de avançar na leitura. Para começar, sugiro “O filho de mil homens” ou “A máquina de fazer espanhóis”. Apesar de nessas duas obras a escrita ser diferente, já que o autor não utiliza letras maiúsculas, nem interrogações ou travessão, você se acostuma depois das primeiras páginas e o enredo flui bem mais!
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“A menina, habitante sobretudo dos sonhos, disse: havíamos de ter um jardim seco. Um de pedras que fizesse o ondulado do mar. Tão bem alinhado que fosse um desenho perfeito por onde poderíamos percorrer os dedos. A criada perguntou: seco. A cega respondeu: teríamos sempre lágrimas para o molhar. E sorriu.” #bookster #livrada #leituradodia#leituradavez #literatura #ler #book#books #lido #livro #livros #literatura#amoler #valterhugomae #bibliotecaazul#bibliotecaazuleditora#homensimprudentementepoeticos

 

 

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#DesafioBookster2018 – Agosto

Posted on 30 de julho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
#DesafioBookster2018 – Agosto

#desafiobookster2018
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. – Mês: Agosto – Categoria: Livro publicado na década de 1970 – Livro escolhido: “A hora da estrela”, Clarice Lispector (1977)

Para quem ainda não conhece, o Desafio Book.ster 2018 foi lançado com o objetivo de, seguindo uma ordem temporal, incentivar a leitura de obras clássicas publicadas no século XX. A ideia é simples: 12 livros, 12 décadas. Por exemplo, em janeiro lemos um livro publicado entre 1900 e 1909. E por aí vai… Se você ainda não começou, ainda dá tempo de participar, é só escolher um livro para esse mês e que tenha sido publicado na década de 50…
No início de todo mês venho aqui apresentar o livro escolhido, assim como algumas sugestões para de obras publicadas na década respectiva!

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Finalmente vou ler meu primeiro livro de Clarice! Para muitos, a autora ocupa o topo da lista de preferidos. Na hora de escolher por qual começar, optei por “A hora da estrela”, uma de suas obras mais renomadas e o último romance de sua autoria. Nesse livro, Clarice dá voz à Macabéa, uma mulher oprimida, órfã de pai e de mãe, que parte do sertão de Alagoas para o Rio de Janeiro, em busca de condições menos precárias. A narrativa, contada pelo escritor Rodrigo, um alter-ego de Clarice, promete trazer ao leitor o retrato da vida como ela: personagens humanizados e simples, que sofrem, mas que não deixam de almejar a felicidade. Detalhe para a edição da @rocco em comemoração aos 40 anos desse clássico da literatura brasileira, com diversos textos de apoio e reproduções do texto original da autora.
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Além de “A hora da estrela”, indico os seguintes livros publicados na década de 1970: “A pedra do reino”, Ariano Suassuna (1970); “As cidades invisíveis”, Italo Calvino (1972); “O arco-íris da gravidade”, Thomas Pynchon; “As meninas”, Lygia Fagundes Telles (1973); “Os despossuídos”, Ursula Le Guin (1973); “Lavoura Arcaica” (1975); e “O jardim de cimento”, Ian McEwan (1978).
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E você, já escolheu sua leitura de agosto?

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#bookster #desafioliterario #literatura #ahoradaestrela #literaturanacional #claricelispector

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Adua, Igiaba Scego

Posted on 28 de julho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
Adua, Igiaba Scego
Um romance extremamente forte e impactante, que tem como pano de fundo as consequências de um colonialismo devastador e a relação conturbada – e violenta – de um pai e filha. Nascida na Somália da década de 70, Adua teve uma infância marcada pela indiferença e falta de afeto por parte de seu pai, Zoppe, e ainda foi vítima da mutilação genital feminina quando criança. Com a morte de sua mãe no parto, Adua acaba sendo vista como responsável pelo ocorrido.

Sem ter muito a que se apegar em seu país, Adua migrou para a Itália com a promessa de se tornar uma atriz de cinema de sucesso. Mas a protagonista logo percebe que foi enganada e que, na verdade, seu destino seria marcado por muito sofrimento. A história é narrada em primeira pessoa, por uma Adua de idade mais avançada que, depois de tanto tempo morando na Itália, ainda não sabe identificar qual a sua verdadeira casa.

Além dos capítulos que levam o seu nome, a narrativa é alternada com capítulos sobre a história Zoppe e com pequenos capítulos contendo sermões – bem duros – que Adua ouvia de seu pai. Zoppe atuou como intérprete dos italianos, a serviço do regime fascista nos anos que antecederam a 2a Guerra. Além de vitima de racismo, por ser um negro trabalhando em um ambiente cercado com homens brancos, Zoppe também sofria com uma culpa dilacerante, por ajudar os inimigos na guerra contra o seu próprio povo. Apesar de todo esse sofrimento, Zoppe se torna um pai ausente e agressivo.

É um livro curto, mas gigante em seu conteúdo. São muitos temas abordados e que reforçam os problemas decorrentes do colonialismo na África, como imigração e racismo. Foi um livro que terminei com uma sensação de querer mais,  senti que a autora poderia ter entretido o leitor por mais páginas, principalmente sobre os detalhes da vida do pai da protagonista. A narrativa não é linear e em alguns momentos pode deixar o leitor um pouco confuso, mas nada que atrapalhe a experiência com a obra.

Ao final, Igiaba, filha de somalis e nascida na Itália, conta para o leitor um pouco do processo de escrita da obra e de características histórias dos diferentes momentos em que a narrativa se desenvolve.

Trecho do livro:

“Nisso Roma foi muito avarenta com ele. E pensar que havia imaginado belas mulheres loiras à sua disposição e tantos amigos com quem jogar sinuca. Mas logo descobriu que em Roma um preto tinha que tomar muito cuidado. ‘Se possível’, disse-lhe uma os chefes, ‘deveria fazer o possível para desaparecer.’
Ele havia imaginado Roma como um palácio a céu aberto, mas era toda mijada por cães humanos. E volta e meia o fedor de latrina lhe revirava o estômago. Mas nunca quanto a tristeza de ver quão pouco amado ele era pouco amado pela população. Às vezes, o desgosto por ele ficava muito claro com as cuspidas imprevistas de que ele se esquivava com grande maestria.
Eis porque precisava desaparecer, fazer-se invisível.”
Editora: Nós
Ano de publicação original: 2010
Número de páginas: 170
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A moça do internato, Nadiêjda Khvoschínskaia

Posted on 26 de julho de 201816 de janeiro de 2026 by bookster
A moça do internato, Nadiêjda Khvoschínskaia

Primeira obra escrita por uma escritora russa que leio! É um livro curto, com uma narrativa fluida e que consegue envolver o leitor. Escrito em 1861, “A moça do Internato” conta a história de Liôlienka, uma garota jovem, boa aluna e nascida em uma pequena cidade do interior da Rússia. Sua juventude é contada a partir do contexto da época em que vive, em que as mulheres têm um papel pré-definido na sociedade patriarcal:  casar, cuidar da casa e dos filhos e respeitar as ordens do marido.

Apesar de ser uma filha obediente, seus comportamentos começam a mudar após conhecer seu vizinho, Veretítsin, um homem solitário e que foi mandado para essa pequena cidade do interior por seu comportamento de “rebeldia” aos valores tradicionais. Em suas conversas, o vizinho passa a brincar com a ingenuidade de Liôlienka, assumindo quase um papel de mentor. Veretítsin questiona as regras tão rígidas que a garota estava acostumada a seguir: estudar, cuidar da casa e dos irmãos, e aprender tarefas dignas de “boa esposa”. E esses diálogos, extremamente interessantes, despertam na protagonista conflitos internos e perturbadores, principalmente para uma jovem que mal sabe lidar com seus sentimentos. Esse seu amadurecimento tormentoso me lembrou bastante a trajetória de Virgínia, personagem marcante construída por Lygia Fagundes Telles em “Ciranda de pedra”.

A leitura fica ainda mais rica quando se percebe a coragem que Nadiêjda teve ao escrever uma obra com um discurso de emancipação da mulher em plena Rússia conservadora do século XIX. Apesar de um final não tão surpreendente, a autora conseguiu deixar clara a sua intenção de usar a literatura não apenas como entretenimento, mas também como um veículo de disseminação de crítica e insatisfação social.

A edição da @editorazouk , com tradução direto do russo, conta com um excelente prefácio do tradutor Odomiro Fonseca sobre o contexto histórico em que a obra foi publicada.

Ou seja, uma incrível obra sobre o papel da mulher em plena Rússia do século XIX e, o mais interessante, sob a perspectiva de uma poderosa e jovem estudante de uma cidade do interior.

Editora: Zouk

Ano de publicação da obra: 1986

Número de páginas: 168

 

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