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E aí, qual a nota?

Uma dúvida bem recorrente aqui no @book.ster é sobre os critérios que uso para dar a nota aos livros. Antes de qualquer coisa, é sempre bom lembrar que eu não sou um crítico literário, não cursei letras e não trabalho nesse ramo. Na verdade, eu criei esse perfil justamente com o objetivo de mostrar que alguém leigo como eu também pode conversar sobre clássicos e sobre livros que fujam do comum. A leitura é para todos e todos podem falar sobre ela! As minhas notas, portanto, não refletem uma análise crítica e técnica das obras, mas tão somente a minha opinião pessoal, ou seja, a minha experiência com o livro. A nota que dou não é para o livro, mas para a minha experiência!

Por isso, o fato de eu não ter gostado de determinada obra, e ter dado uma nota mais baixa, não significa que você também não irá gostar. Pelo contrário: uma das partes mais interessantes da literatura é como cada leitor tem uma experiência única com cada livro. Tanto isso é verdade que em todas as resenhas que eu já postei aqui você vai encontrar comentários de pessoas que gostaram ou não do livro.

Confesso que já me questionei se deveria parar de dar notas, até por um certo receio de prejudicar alguma editora ou autor. Não posso ignorar que a página está crescendo e que muitas pessoas confiam na minha opinião. No entanto, resolvi manter essa forma de “avaliação” por dois motivos principais. Em primeiro lugar, quero que minhas resenhas sempre sejam fiéis à minha opinião, até por respeito aos “booksters” que me acompanham por aqui, sem que elas sejam influenciadas por fatores externos. Em segundo lugar, sempre procuro fazer as resenhas mostrando tanto as partes boas, como aquelas que não ME agradaram tanto. Ou seja, quero contar a minha experiência pessoal com a leitura, mas também quero apresentar para vocês um livro novo, que poderá ou não interessá-los, independente da minha opinião. Além disso, criei a página com essa proposta, de trazer uma avaliação mais objetiva (a nota) e outra mais subjetiva (a resenha) sobre cada livro, e quero perder essa essência!

E aí, o que vocês acham das notas aqui no @book.ster ? Quero saber a opinião de vocês!

A gorda, Isabela Figueiredo

A protagonista desse romance, Maria Luísa, é uma portuguesa nascida em Moçambique e enviada pelos pais para um colégio interno em Portugal quando ainda era bem jovem. Apesar de inteligente e  boa aluna, sua aparência acaba tornando a protagonista um alvo de piadas: Maria Luísa é gorda. Com o tempo, a protagonista aprenda a lidar com sua aparência física, muito embora essa sua característica afetará diversos aspectos de sua vida. Narrada em primeira pessoa, a história nos é contada por uma Maria Luísa fisicamente diferente, como já se denota na primeira frase do livro: “Quarenta quilos é muito peso. Foram os que perdi após a gastrectomia: era uma segunda corpo que transportava comigo. Ou seja, que arrastava”.

Assim, comecei a ler “A gorda” com a expectativa de encontrar um romance sobre os conflitos de uma jovem que sofre com o seu peso e com a sua imagem.  No entanto, diferente do que propõe, ao longo da leitura percebi que o “ser gorda” desempenha um papel muito mais secundário da obra de Isabela Figueiredo. O seu problema com o corpo aparece apenas em algumas passagens, de forma superficial. Na verdade, a narrativa é muito mais voltada para as angustias da protagonista, e sua relação conturbada com David, seu primeiro amor, e principalmente com seus pais, que depois se mudam para Portugal para viver com a filha. É, na minha opinião, um livro de memórias soltas e que marcaram a vida de Maris Luísa.

Essa expectativa não correspondida da proposta do livro talvez tenha contribuído – negativamente – para a minha experiencia com a leitura: achei um livro bom, mas com partes cansativas. Não há como negar que Isabela Figueiredo escreve muito bem, com passagens muito marcantes e que despertam reflexões no leitor. A autora mescla uma linguagem crua e afiada, com um forte – e ótimo – toque poético.

Também achei muito interessante a premissa utilizada pela autora para construir seu romance: cada capítulo tem como título um dos cômodo da casa em que Maria Luísa viveu com seus pais em Portugal e já inicia com a descrição de cada ambiente. A ideia é contar momentos marcantes de sua vida, por meio de um passeio com o leitor nos aposentos de sua casa.

Por fim, acho legar dizer que a obra aparenta ter toques autobiográficos. Isso porque, assim como Maria Luísa, a autora também nasceu em Moçambique e se mudou para Portugal, além de ter se submetido a uma gastrectomia. Essas semelhanças com certeza desempenharam um papel importante na relação da autora com “A gorda”, um livro carregado de memórias e emoções.

Editora: Todavia

Ano da edição: 2017

Número de páginas: 205

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A mulher que escreveu a bíblia, Moacyr Scliar

Essa obra foi uma grande surpresa para mim, ainda mais por nunca ter lido nada de Moacyr Scliar! Em “A mulher que escreveu a bíblia”, uma mulher dos nossos tempos faz uma consulta sobre suas vidas passadas e descobre que já foi uma das esposas de um rei famoso na nossa história – o Rei Salomão.
A partir daí, o autor volta a esse passado e constrói, com uma narrativa em primeira pessoa, a vida dessa mulher. Seu pai, um chefe tribal, decidiu oferecê-la ao Rei Salomão, para conseguir garantir uma boa relação da tribo com a coroa. Como consequência, a mulher – cujo nome não é revelado – para a ser mais uma das mais de 700 esposas do rei.
A narrativa mescla de forma muito interessante – e cômica – a relação do Rei Salomão a sua nova esposa, a mais feia de todas, mas a única que sabia escrever. Por ser feia, a mulher foi inicialmente rejeitada pelo rei. No entanto, após descobrir a sua rara capacidade de ler e escrever, o Rei Salomão lhe atribui a incumbência – nada fácil – de reescrever a história da humanidade, principalmente do povo hebreu. “A mulher que escreveu a bíblia” é uma leitura muito rápida, divertida e descomplicada, abordando, com um forte toque de ironia, temas como religião, história, sexo e culto à beleza. Recomendadíssimo!!! E aí, alguém me recomenda o próximo livro de Moacyr Scliar? .
. “Por que precisavas te meter a besta?
Já não bastava tua feiura, tinhas de bancar a inteligente?” .

 

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Próxima geração de leitores – Dicas de livros para crianças e adolescentes

Próxima geração de leitores! É muito comum receber mensagens pedindo dicas de livros para indicar para jovens. E a intenção é sempre a mesma: incentivar a criança ou o adolescente a criar o hábito da leitura desde cedo, em um ambiente cercado de redes sociais e distrações tecnológicas e no qual a literatura é pouco presente. Não há dúvidas de que o gosto pela leitura pode ser alimentado ainda quando criança e que, quanto antes o livro passar a ocupar um espaço na rotina de alguém, maiores são as chances de se tornar um leitor habitual.

 

Eu já nasci em uma geração bem “infectada” pela tecnologia, mas tive a sorte de logo encontrar o gosto pela leitura e passar a sempre ter algum livro na cabeceira. Mas também é verdade que eu ficava um pouco perdido no momento de escolher o próximo livro, o que pode ter contribuído para que eu não lesse tanto assim. Tanto isso é verdade que até cerca 3 anos atrás, lia no máximo 10 livros por ano! Lembro de pegar a lista de mais vendidos em revistas, porque achava que aqueles seriam os “melhores” livros. Sei que li MUITOS livros que não tinham nada a ver comigo ou com os meus interesses. Na foto decidi colocar três livros que exerceram um papel na minha formação como leitor, ainda quando mais jovem. Posso até dizer que eles estão colocados em uma certa linha cronológica, tendo cada um sido importante em uma fase da minha infância e adolescência.

 

Então, resolvi escrever esse post, pois acho essencial que o jovem seja bem guiado ao entrar no mundo da leitura. Para começar, temos que ter em mente que o gosto é individual e que dificilmente o primeiro livro já fisgará esse futuro leitor. No entanto, é importante mostrar que há um universo repleto de opções e que em alguma delas ele irá se identificar. Por isso, na hora de escolher um livro para um jovem é importante, antes de tudo, considerar obras com temas que conversem com a personalidade, a realidade e os gostos da pessoa.

 

Decidi fazer uma lista com uma seleção de indicações para jovens leitores, além dos livros indicados na foto:

– O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger;

– A droga da obediência, Pedro Bandeira;

– O mundo de Sofia, Jostein Gaarder;

– A revolução dos bichos, George Orwell;

– O diário de Anne Frank;

– O sol é para todos, Harper Lee;

– Hobbit, J. R. R. Tolkien;

– Livros da Agatha Christie;

– Livros do Sherlock Holmes;

– Maus, Art Spiegelman;

– As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley;

– O caçador de pipas, Khaled Hosseini;

– O código da Vinci, Dan Brown;

– O ódio que você semeia, Angie Thomas;

 

 

Deixe sua dica aqui nos comentários! Quais livros marcaram sua infância e adolescência?

O 11º mandamento, Abraham Verghese

Um romance no ponto certo e que tem a medicina como fio condutor! O cenário é a pobre Adis Abeba, capital da Etiópia, em 1954. Shiva e Marion são irmãos gêmeos siameses, nascidos com as cabeças grudadas. Os meninos são fruto de uma relação proibida e nada convencional entre um médico inglês e uma freira indiana. A mãe morre no parto e os bebês são logo submetidos a uma cirurgia de separação, sendo em seguida abandonados pelo pai para serem criados por um casal de missionários médicos. No entanto, apesar de fisicamente separados, essa união que marcou o início da vida de Shiva e Marion vai deixar marcas profundas e permanentes.

O leitor acompanha o crescimento dos garotos em uma cidade marcada pela pobreza. Como os pais de criação são médicos, Shiva e Marion vivenciam de perto as dificuldades e a precariedade do sistema hospitalar de um país pobre. Mas isso não os impede de seguir a mesma carreira.

Além disso, a infância dos irmãos é atormentada por dúvidas sobre o seu passado e que nunca foram respondidas.

Com desenvolvimento do enredo, o autor consegue trazer ao leitor uma descrição extremamente interessante da realidade da Etiópia, inclusive com fatos históricos verídicos que marcaram o país.

Uma leitura muito envolvente, às vezes mais densa, e com personagens bem desenvolvidos. Para quem é da área ou gosta do assunto, é uma leitura indispensável, revelando aspectos muito interessantes da relação entre médico e pacientes e do exercício da profissão em condições tão precárias. É a visão do médico como ser humano, aquele que se doa ao próximo. Talvez o fato de o autor também ser médico possa ter contribuído para a sensibilidade de sua visão sobre o tema. Excelente leitura!

 

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Nós, Ievguêni Zamiátin

Distopia é a descrição de uma sociedade “que deu errado” no futuro, geralmente governada por uma autoridade autoritária, que regula e limita a liberdade de seus cidadãos. Ou seja, é o oposto da sociedade utópica – perfeita – descrita pela primeira vez por Thomas Morus. Muito embora não seja o mais conhecido de seu gênero, “Nós” é considerado como o romance distópico original, o primeiro, e, inclusive,  como responsável por influenciar grande autores como George Orwell e Aldous Huxley.

O enredo de “Nós” se passa em um futuro distante, em que uma guerra entre a cidade e o campo dizimou quase a totalidade da população. Hoje, os indivíduos são regulados pelo “Estado Único”, que estabeleceu regras extremamente rígidas: cada cidadão, designado por uma sigla, tem função exata e deve trabalhar e viver sempre pensando no coletivo, para permitir o funcionamento das engrenagens dessa sociedade “ideal”. Em “Nós”, a noção da individualidade é ultrapassada e a imaginação é considerada uma doença.
A narrativa é construída a partir do diário de D-503, uma matemático responsável por construir uma nave especial projetada para disseminar para outras galáxias os benefícios e segredos dessa sociedade perfeita. Assim, em seus relatos, D-503 discorre sobre a filosofia do Estado Único e sobre o seu dia a dia sempre previsível.
Não há como negar que as premissas adotadas por Zamiátin ao criar o universo de “Nós” são interessantes e revelam a genialidade do autor ao inovar. No entanto, infelizmente não gostei da forma com que a história foi desenvolvida. Achei a escrita extremamente truncada, com passagens confusas, que comprometem a fluidez do texto e até mesmo a compreensão do leitor. Além disso, os personagens são construídos de forma superficial e não conseguiram me cativar. Não descarto a possibilidade de essas características da obra terem sido intencionalmente construídas pelo autor, para refletir a cabeça confusa e desprovida de sentimentos de um cidadão do “Estado Único”. Mas se essa foi a ideia de Zamiátin, na minha opinião acabou prejudicando muito a experiência do leitor. No final, a leitura estava entediante e eu só queria terminar logo o livro …
Ou seja, é uma leitura interessante, principalmente por seu papel inovador, mas que deixou muito a desejar. A edição que ganhei da Editora Aleph é digna de elogios e traz textos de apoio que enriquecem a leitura.
Trecho do livro:
“Não existe revolução final, as revoluções são infinitas.” 
 
Edição: Editora Aleph (2017)
Número de páginas: 332
Ano original da publicação: 1924

Escolhidos do mês

Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que eu costumo escolher as minhas leituras com base em 4 categorias, que podem ser assim resumidas: (1) um clássico; (2) um livro curto (até 200 páginas); (3) um autor contemporâneo ou uma ficção científica; e (4) um livro de não-ficção, de contos ou poemas.  

Ou seja, escolho 4 livros e só vou começar um livro diferente depois que eu tiver terminado essa última “ eva”. Com isso, eu acabo me incentivando a sair da zona de conforto e a ler obras de diferentes temáticas e gêneros.

Ah, mas isso não significa que eu leio os 4 livros simultaneamente! Gosto de começar 2 ao mesmo tempo e aí vou iniciando os próximos de acordo com o ritmo das leituras. Na minha opinião, ler mais de um livro ao mesmo tempo ajuda muito no ritmo da leitura e evita que eu canse de determinada obra.
Como estamos em mês de copa, resolvi escolher apenas livros de escritores russos:

1 – Clássico: “O mestre e margarida”, Mikhail Bulgákov – Escolha de julho para o #desafiobookster2018 .
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2 – Livro de até 200 páginas: “A moça do internato”, Nadiêjda Khvoschínskaia – Obra de uma autora russa, que retrata a condição da mulher na segunda metade do século XIX, em uma sociedade de clara dominância masculina. Presente da @zouk
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3 – Ficção científica: Nós, Ievguêni Zamiatin – Considerado o primeiro romance distópico e responsável por influenciar clássicos como “1984” e “Admirável mundo novo”. Recebi da incrível @aleph.
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4 – Livro de contos: “Memórias de um caçador”, Ivan Turguêniev – Um dos meus autores favoritos! Nessa obra, Turguêniev traz 25 contos abordando a difícil vida dos camponeses e servos nas matas e aldeias russas do século XIX.
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E vocês, estão lendo o que?
#bookster4em1 #bookster #instabooks #leitura #ler