Veja também

LIVROS, NÃO FICÇÃO

Pacientes que curam, de Julia Rocha | Resenha

Adoro livros que envolvem o universo médico e, por conta disso, já havia recebido várias indicações do livro da Julia Rocha, - mulher, negra, mãe, cantora e que, além de tudo isso, também é médica da família. Em textos curtos, a autora compartilha com os leitores a sua vivência como médica do Sistema Único de Saúde (SUS - aliás, viva o SUS!).

NOTA 9/10

FICÇÃO, LIVROS

Violeta, de Isabel Allende | Resenha

Já imaginou ler a história de alguém que nasceu em meio a gripe espanhola, na década de 20, e viveu para testemunhar o mundo paralisado pela pandemia em pleno 2020? Bom, é justamente essa linha de tempo contemplada por “Violeta” que, ainda por cima, conta com a escrita fantasiosa de Allende.

NOTA 9/10

LIVROS

NOTA 09/10

A moça do internato, Nadiêjda Khvoschínskaia

Primeira obra escrita por uma escritora russa que leio! É um livro curto, com uma narrativa fluida e que consegue envolver o leitor. Escrito em 1861, “A moça do Internato” conta a história de Liôlienka, uma garota jovem, boa aluna e nascida em uma pequena cidade do interior da Rússia. Sua juventude é contada a partir do contexto da época em que vive, em que as mulheres têm um papel pré-definido na sociedade patriarcal:  casar, cuidar da casa e dos filhos e respeitar as ordens do marido.

Apesar de ser uma filha obediente, seus comportamentos começam a mudar após conhecer seu vizinho, Veretítsin, um homem solitário e que foi mandado para essa pequena cidade do interior por seu comportamento de “rebeldia” aos valores tradicionais. Em suas conversas, o vizinho passa a brincar com a ingenuidade de Liôlienka, assumindo quase um papel de mentor. Veretítsin questiona as regras tão rígidas que a garota estava acostumada a seguir: estudar, cuidar da casa e dos irmãos, e aprender tarefas dignas de “boa esposa”. E esses diálogos, extremamente interessantes, despertam na protagonista conflitos internos e perturbadores, principalmente para uma jovem que mal sabe lidar com seus sentimentos. Esse seu amadurecimento tormentoso me lembrou bastante a trajetória de Virgínia, personagem marcante construída por Lygia Fagundes Telles em “Ciranda de pedra”.

A leitura fica ainda mais rica quando se percebe a coragem que Nadiêjda teve ao escrever uma obra com um discurso de emancipação da mulher em plena Rússia conservadora do século XIX. Apesar de um final não tão surpreendente, a autora conseguiu deixar clara a sua intenção de usar a literatura não apenas como entretenimento, mas também como um veículo de disseminação de crítica e insatisfação social.

A edição da @editorazouk , com tradução direto do russo, conta com um excelente prefácio do tradutor Odomiro Fonseca sobre o contexto histórico em que a obra foi publicada.

Ou seja, uma incrível obra sobre o papel da mulher em plena Rússia do século XIX e, o mais interessante, sob a perspectiva de uma poderosa e jovem estudante de uma cidade do interior.

Editora: Zouk

Ano de publicação da obra: 1986

Número de páginas: 168

 

Se você gostou, compre o livro clicando no link e ajude a página a se manter: https://amzn.to/2uRbv36

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Campos obrigatórios são marcados*.

Nome*:

Email*:

Comentário*

Veja também

DIVERSOS

E aí, qual a nota?

Uma dúvida bem recorrente aqui no @book.ster é sobre os critérios que uso para dar a nota aos livros.

NOTA

LIVROS

A gorda, Isabela Figueiredo

A protagonista desse romance, Maria Luísa, é uma portuguesa nascida em Moçambique e enviada pelos pais para um colégio interno em Portugal quando ainda era bem jovem.

NOTA 07/10