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Quem matou meu pai, de Édouard Louis | Resenha

Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

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Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

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NOTA 8,5/10

Pureza, de Garth Greenwell | Resenha

Como um homem gay que cresceu com pouca representatividade ao redor, fico muito feliz de ver obras contemporâneas com personagens LGBTQIA+ sendo publicadas por grandes editoras e sendo lidas por um público mais amplo. Esse é o segundo romance que eu leio do autor norte-americano Garth Greenwell. O primeiro livro, “O que te pertence”, também tinha como personagem principal um homem gay e acaba revelando um estilo semelhante com a sua nova obra.

Em “Pureza”, somos apresentados a uma professo americano que vive em Sófia, capital da Bulgária. A obra é dividida em partes, que não possuem uma relação de dependência entre si. O autor não faz o uso dos nomes dos personagens, se limitando a apresentar sua inicial, o que pode deixar um pouco confusa a identificação das histórias. De toda forma, a escrita é simples e pouco descritiva, ao mesmo tempo que consegue adentrar na intimidade do protagonista.

Senti que, diferentemente de “O que te pertence”, o novo livro mergulha menos em um aspecto de relacionamentos afetivos, com passagens mais longas e explícitas de encontros e relações sexuais. A capacidade de descrever essas cenas de uma forma crua e bem construída surpreende o leitor. Talvez tenham sido as cenas mais intensas que já li. Há, ainda, reflexões interessantes sobre a culpa relacionada aos desejos e fantasias sexuais, que acabam desgastando o protagonista e criando dúvidas. Quais seriam seus verdadeiros gostos e do que ele havia reprimido por conta da sociedade conservadora em que vive? Existiria vergonha no desejo?

A abordagem mais romântica da obra fica para as passagens em que o professor relembra de sua primeira paixão e os sofrimentos com o fim desse relacionamento. Também gostei da atmosfera mostrada pelo autor do cenário em que se passa a obra, revelando um pouco do contraste de um norte-americano vivendo em uma cidade com resquícios de um governo socialista.

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Salvar o fogo, de Itamar Vieira Junior | Resenha

A expectativa do mercado literário estava grande, quase 40 mil exemplares vendidos na pré-venda, e não tinha como ser diferente. A obra antecessora do autor conseguiu um feito que não se via há décadas: um livro contemporâneo nacional furou a bolha para vender mais de 700 mil exemplares. Gostando ou não do livro, essa conquista deve ser muito celebrada por quem se importa com a leitura em nosso país.

NOTA 9/10

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O Diabo e outras histórias, de Liev Tolstói | Resenha

Falar em Tolstói pode dar um pouco de medo em alguns leitores. Eu mesmo tive receio de ler clássicos por muito tempo, acreditando que seriam livros difíceis ou que não fariam sentido para mim, sendo que literatura russa era uma escolha impensável. Se você pensa assim, confie em mim e dê uma chance. Mas comece aos poucos, por contos ou romances mais curtos, isso pode ajudar bastante. Fica uma dica aqui então de uma seleção incrível de contos de um dos maiores autores da literatura mundial.

NOTA 9/10