Veja também

DIVERSOS

Quem matou meu pai, de Édouard Louis | Resenha

Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

DIVERSOS

Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

DIVERSOS

NOTA 9/10

Escute as feras, de Nastassja Martin | Resenha

Imagina essa cena: você está de boa andando numa floresta coberta de neve quando, de repente, encontra um urso a poucos metros. E, para piorar, esse urso vem para a sua direção e te ataca. Bom, isso não é uma história de terror. Na verdade, até seja, mas ela não é ficção. A autora francesa Natassja Martin passou por isso em 2015 e sobreviveu para contar – apesar de diversos ferimentos.

Nessa obra de não ficção, Natassja traz diversas reflexões sobre a relação entre seres humanos e natureza a partir dessa experiência marcante em sua vida. A autora é antropóloga e estava estudando um povo que vive em um local isolado na Sibéria – os Evens – quando foi atacada pelo urso. São família que preferem viver afastadas da sociedade, encontrando refúgio nas florestas congelantes da região subártica.

A visão de Natassja, portanto, passa por uma interessante visão antropológica e que para muitos pode parecer uma reação pouco comum sobre o que ela vivenciou. É um mergulho nos pensamentos e questionamentos da autora. O que é o selvagem nesse contexto? Apenas o urso? E como um incidente como esse pode impactar a vida de alguém, para além das marcas físicas?

Confesso que, apesar das poucas páginas, a leitura é densa, focada muito mais em reflexões sobre os momentos posteriores em que estava se recuperando em diferentes hospitais da Rússia e França. Não é o tipo de livro que mais me agrada, mas foi, sem dúvidas, uma experiência surpreendente. Pode ser uma leitura desafiadora para alguns, mas ao final a experiência terá sido enriquecedora!

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Campos obrigatórios são marcados*.

Nome*:

Email*:

Comentário*

Veja também

DIVERSOS

As Vinhas da Ira, John Steinbeck | Resenha

“Assolada por uma forte crise econômica, a década de 1930 no sul dos Estados Unidos foi o cenário escolhido por John Steinbeck para construir um
romance que deixou uma profunda marca na literatura norte-americana. Premiado com o Pulitzer, As vinhas da ira é, acima de tudo, a narrativa de uma fuga.

NOTA 9/10

FICÇÃO, LIVROS

Niketche – uma história de poligamia, de Paulina Chiziane |Resenha

Vencedora do Prêmio Camões em 2021, um dos prêmios mais importantes da literatura em língua portuguesa, a autora moçambicana vem ganhando maior destaque no Brasil nos últimos meses. Um reconhecimento merecidíssimo que, se não fosse pelos obstáculos que a literatura de países do continente africano encontra no Brasil, já existiria há mais tempo.

NOTA 9/10