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LIVROS, NÃO FICÇÃO

Pacientes que curam, de Julia Rocha | Resenha

Adoro livros que envolvem o universo médico e, por conta disso, já havia recebido várias indicações do livro da Julia Rocha, - mulher, negra, mãe, cantora e que, além de tudo isso, também é médica da família. Em textos curtos, a autora compartilha com os leitores a sua vivência como médica do Sistema Único de Saúde (SUS - aliás, viva o SUS!).

NOTA 9/10

FICÇÃO, LIVROS

Violeta, de Isabel Allende | Resenha

Já imaginou ler a história de alguém que nasceu em meio a gripe espanhola, na década de 20, e viveu para testemunhar o mundo paralisado pela pandemia em pleno 2020? Bom, é justamente essa linha de tempo contemplada por “Violeta” que, ainda por cima, conta com a escrita fantasiosa de Allende.

NOTA 9/10

FICÇÃO, LIVROS

NOTA 9/10

Confissões de uma máscara, de Yukio Mishima | Resenha

Escrito na década de 40, Confissões de uma máscara é um clássico da literatura japonesa e uma narrativa marcada por conflitos. Há conflitos externos, tendo em vista que a narrativa se passa em parte no Japão durante o período entreguerras e a 2ª Guerra Mundial. No entanto, o livro é marcado, sobretudo, pelos conflitos internos do protagonista, já que o leitor vai acompanhar as angústias e a dificuldade de aceitação de um jovem com sua orientação sexual.

Senti como se estivesse lendo um romance de formação. Já na escola, o protagonista percebe e passa a sofrer por não se sentir atraído pelas garotas. Apesar de não ter maturidade para se entender como um homem gay, o personagem narrador compartilha com o leitor as suas próprias dúvidas. Confessa os “pecados” do que sente. E é nesse processo de construção da própria identidade que o protagonista começa a construir uma máscara, por trás da qual se esconde. Uma máscara que mostra para o mundo externo o que a sociedade quer ver!

É uma escrita bem introspectiva, mas para mim fluiu muito bem. Por ter vivido uma infância e juventude por trás de máscaras, me identifiquei com o personagem em diversas passagens. Muitas mesmo! Mas acredito que o livro também seja muito interessante para quem não se identifique diretamente com os conflitos do narrador, pois conseguirá compreender a dificuldade que é lutar contra a própria orientação sexual.

Importante lembrar que o livro foi escrito na década de 40, quando o tema da homossexualidade ainda era tratado de forma muito diferente. Por isso, não espere discussões tão explícitas e atuais sobre o tema! Por outro lado, o texto estava muito a frente do seu tempo e, com certeza, repercutiu na sociedade.

Além disso, escrito enquanto o autor tinha apenas 22 anos, o livro apresenta um aspecto fortemente autobiográfico. Mishima foi uma figura adepta às tradições milenares da cultura japonesa e sua morte está cercada de muita polêmica. Antes de completar 50 anos, o escritor cometeu o suicídio da mesma forma que os samurais faziam: usou uma espada contra o próprio ventre.

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A pediatra, de Andréa del Fuego | Resenha

Para quem vê de fora, Cecília é uma mulher bem sucedida e que ama o que faz. Trabalha como pediatra há muitos anos e possui uma boa rede de pacientes. No entanto, o que o novo romance de Andréa del Fuego deixa claro é como podemos nos enganar pelas aparências. O que se passa na cabeça daqueles com quem convivemos? Será que nos surpreenderíamos se acessássemos os pensamentos do outro, mesmo daqueles que achamos serem tão “normais”?

NOTA 8,5/10

FICÇÃO, LIVROS

Formas de voltar para casa, de Alejandro Zambra | Resenha

Escolhido como o livro do Chile no Bookster pelo mundo, “Formas de voltar para casa” é um livro de reconstrução da memória, tendo como pano de fundo o governo de Pinochet, no final do século XX. Desde sua infância até os dias atuais, o personagem vai descrevendo passagens de sua vida e da história do Chile com base no que viu e no que lhe contaram.

NOTA 8,5/10