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Quem matou meu pai, de Édouard Louis | Resenha

Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

DIVERSOS

Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

FICÇÃO

NOTA

O cavalo amarelo, de Agatha Christie | Parceria Bookster

Minha primeira obra da rainha do crime, finalmente! E terminei com um arrependimento: por que demorei tanto para conhecer o seu trabalho? Acho que eu tinha um “preconceito” inconsciente com as suas obras, devia achar que seriam livros mais simples, com o único objetivo de despertar no leitor a curiosidade para chegar no final da trama.

Como sempre, quem sai perdendo é quem tem preconceito! Ainda que você não curta a leitura, só lendo para ter alguma opinião… E nesse caso, eu li e gostei muito! Diferentemente do que eu imaginava, a trama de Agatha Christie é profunda e vai muito além de meras cenas de crime e busca pelo assassino responsável. O enredo consegue revelar críticas sociais, uma análise profunda da relação entre os personagens e, lógico, um suspense complexo, que te envolve na história.

Em “O cavalo amarelo”, temos um mistério coberto por uma penumbra sobrenatural. Um padre é morto após escutar uma confissão de uma mulher à beira da morte. Com ele, é encontrado uma lista de nomes de pessoas que não parecem ter muito em comum. Pessoas adoecem e morrem de forma repentina. Há a suspeita de que rituais celebrados por bruxas com poderes podem ser a causa disso… mas como acreditar no sobrenatural? Confesso que no início demorei um pouco para me acostumar com a forma da narrativa, mas logo fui absorvido pelo ritmo da autora.

Na verdade, acho que fiz bem em começar por “O cavalo amarelo”, que nem é uma das obras mais comentadas de Agatha Christie. Se já tive uma experiência tão boa nessa leitura, fico com a certeza que ainda tem muita coisa boa para descobrir em conjunto com essa autora de respeito! E fica uma lição que não falha: desconfie dos seus preconceitos, eles só te impedem de conhecer coisas novas!

Ah, não posso deixar de elogiar a Harper Collins Brasil pelo belíssimo trabalho com as novas edições, todas em capa dura, com tradução inédita e notas explicativas ao final dos livros!

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