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Em “Caderno de um ausente”, publicado pela Companhia das Letras dentro de uma trilogia (Trilogia do Adeus), encontramos um caderno de anotações de um pai para uma filha, que acaba de nascer. A ideia de escrevê-lo surgiu por um medo desse pai: o medo de não ser lembrado. Bia nasce quando seu pai já é mais velho, mais próximo do fim da vida do que do seu começo. Por isso, teme não poder acompanhar toda a trajetória da filha, o seu crescimento e suas descobertas. E é por meio de memórias escritas que tenta ocupar esse espaço que tanto quer evitar. O espaço da ausência que não tem volta.

E, ao contrário do que se poderia esperar, as mensagens do pai não são ilusórias, não tentam falar apenas de momentos felizes e de uma história sem tropeços. Bia receberá um texto real, humano e, às vezes, duro. Mas não é isso que podemos esperar do que vem pela frente?

A escrita carregada de poesia, que nos permite classificá-la como uma “prosa poética”, me lembrou bastante o estilo de Valter Hugo Mãe. Leiam, mas leiam devagar, curtindo a beleza desse texto! O livro foi ganhador do prêmio Jabuti de 2015.

“Vais descobrir por ti mesma que este é um mundo de expiação, embora haja ocasionalmente umas alegrias, não há como negar – as verdadeiras vêm travestidas, é preciso abrir os olhos dos teus olhos para percebê-las.”

“[…]tu descobrirás, filha, que sonhar nos salva da rotina, mas, também, nos desliga da única coisa que nos mantém em vigília: o muro concreto do presente[…]”

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