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LIVROS, NÃO FICÇÃO

Pacientes que curam, de Julia Rocha | Resenha

Adoro livros que envolvem o universo médico e, por conta disso, já havia recebido várias indicações do livro da Julia Rocha, - mulher, negra, mãe, cantora e que, além de tudo isso, também é médica da família. Em textos curtos, a autora compartilha com os leitores a sua vivência como médica do Sistema Único de Saúde (SUS - aliás, viva o SUS!).

NOTA 9/10

FICÇÃO, LIVROS

Violeta, de Isabel Allende | Resenha

Já imaginou ler a história de alguém que nasceu em meio a gripe espanhola, na década de 20, e viveu para testemunhar o mundo paralisado pela pandemia em pleno 2020? Bom, é justamente essa linha de tempo contemplada por “Violeta” que, ainda por cima, conta com a escrita fantasiosa de Allende.

NOTA 9/10

DIVERSOS

NOTA 10/10

A hora da estrela, Clarice Lispector

“A hora da estrela” foi um daqueles livros que comecei a ler com uma expectativa alta – o que costuma ser arriscado – e que, ao final, se superou. É, antes de mais nada, uma obra que transborda humanidade. O enredo é simples: Macabéa é uma jovem nascida em Alagoas, órfã, pobre e que se muda para a cidade grande para trabalhar como datilógrafa. Logo no início, Rodrigo SM, o narrador e alter-ego da própria Clarice, já afirma não “ser complexo o que escreverei”. Mas apesar de uma história simples, a autora constrói uma riquíssima, cheia de reflexões.
Já a personagem é mesmo simples, não só no sentido material, por ser pobre, mas também como ser humano. Macabéa é pura, ingênua, sem grandes ambições. Macabéa almeja apenas ser feliz, ainda que não saiba muito bem em que consista a felicidade. E é por meio dessa obra que Clarice – ou melhor, Rodrigo SM – dá voz ao cidadão “comum”. Dá o direito ao grito às “milhares de moças espalhadas pelos crotiçoes, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa”. A escrita de Clarice é muito impactante, sendo, na minha opinião, uma das características responsáveis por elevar essa obra à categoria dos grandes clássicos da literatura nacional – e, até mesmo, mundial. É uma obra carregada de metalinguagem, isto é, o narrador se vale do próprio livro para explicar e refletir com o leitor sobre a tarefa de escrever uma história. Com esse método, Clarice consegue aproximar o leitor da narrativa e, por consequência, da vida de Macabéa. No início, a extrema ingenuidade da personagem pode despertar um certo incomodo em quem lê a obra. Mas essa sensação é logo substituída por uma compaixão, criando um forte laço entre o leitor e Macabéa. Na minha opinião, é uma leitura obrigatória!
Também recomendo muito essa edição que comprei da @editorarocco, com reproduções do manuscrito original e textos de apoio que enriquecem ainda mais a leitura.
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“O que escrevo é mais do que invenção, é minha obrigação contar sobre essa moça entre milhares delas. E dever meu, nem que seja de pouca arte, o de revelar-lhe a vida. Porque há o direito ao grito. Então eu grito.” #bookster

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