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Relato de um náufrago, de Gabriel García Márquez | Resenha

Publicada em vários capítulos no Jornal El Espectador, em 1955, “Relato de um náufrago” é uma das primeiras obras escritas por Gabriel García Márquez e nos apresenta um texto jornalístico, que causou fortes impactos na sociedade da época. A narrativa traz em detalhes os 10 dias de Velasco, um marinheiro que é arremessado, junto com outros colegas, de um navio durante uma tempestade em fevereiro de 1955. Velasco foi o único sobrevivente da tragédia e ficou à deriva sozinho em uma pequena balsa por 10 dias até ser encontrado em condições extremas.

NOTA 9/10

DIVERSOS

O retorno, de Dulce Maria Cardoso | Resenha

A literatura portuguesa já conquistou meu coração de leitora há anos, com várias obras entrando para a minha lista de favoritas da vida. O que sempre me incomodou, confesso, era a pouca presença de autoras mulheres nas minhas leituras. O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, estava na minha estante há tempos - e fico muito feliz de finalmente ter dado uma chance a ele. Fui imediatamente envolvido pela narrativa e pela força da temática.

NOTA 9/10

LIVROS

NOTA 06/10

Nós, Ievguêni Zamiátin

Distopia é a descrição de uma sociedade “que deu errado” no futuro, geralmente governada por uma autoridade autoritária, que regula e limita a liberdade de seus cidadãos. Ou seja, é o oposto da sociedade utópica – perfeita – descrita pela primeira vez por Thomas Morus. Muito embora não seja o mais conhecido de seu gênero, “Nós” é considerado como o romance distópico original, o primeiro, e, inclusive,  como responsável por influenciar grande autores como George Orwell e Aldous Huxley.

O enredo de “Nós” se passa em um futuro distante, em que uma guerra entre a cidade e o campo dizimou quase a totalidade da população. Hoje, os indivíduos são regulados pelo “Estado Único”, que estabeleceu regras extremamente rígidas: cada cidadão, designado por uma sigla, tem função exata e deve trabalhar e viver sempre pensando no coletivo, para permitir o funcionamento das engrenagens dessa sociedade “ideal”. Em “Nós”, a noção da individualidade é ultrapassada e a imaginação é considerada uma doença.
A narrativa é construída a partir do diário de D-503, uma matemático responsável por construir uma nave especial projetada para disseminar para outras galáxias os benefícios e segredos dessa sociedade perfeita. Assim, em seus relatos, D-503 discorre sobre a filosofia do Estado Único e sobre o seu dia a dia sempre previsível.
Não há como negar que as premissas adotadas por Zamiátin ao criar o universo de “Nós” são interessantes e revelam a genialidade do autor ao inovar. No entanto, infelizmente não gostei da forma com que a história foi desenvolvida. Achei a escrita extremamente truncada, com passagens confusas, que comprometem a fluidez do texto e até mesmo a compreensão do leitor. Além disso, os personagens são construídos de forma superficial e não conseguiram me cativar. Não descarto a possibilidade de essas características da obra terem sido intencionalmente construídas pelo autor, para refletir a cabeça confusa e desprovida de sentimentos de um cidadão do “Estado Único”. Mas se essa foi a ideia de Zamiátin, na minha opinião acabou prejudicando muito a experiência do leitor. No final, a leitura estava entediante e eu só queria terminar logo o livro …
Ou seja, é uma leitura interessante, principalmente por seu papel inovador, mas que deixou muito a desejar. A edição que ganhei da Editora Aleph é digna de elogios e traz textos de apoio que enriquecem a leitura.
Trecho do livro:
“Não existe revolução final, as revoluções são infinitas.” 
 
Edição: Editora Aleph (2017)
Número de páginas: 332
Ano original da publicação: 1924

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Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que eu costumo escolher as minhas leituras com base em 4 categorias, que podem ser assim resumidas: (1) um clássico; (2) um livro curto (até 200 páginas); (3) um autor contemporâneo ou uma ficção científica; e (4) um livro de não-ficção, de contos ou poemas.

NOTA

LIVROS

Ciranda de pedra, Lygia Fagundes Telles

Sensibilidade. Se eu tivesse que definir essa obra de Lygia Fagundes Telles em apenas uma palavra, seria sensibilidade.

NOTA 10/10