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Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

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Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

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NOTA 09/10

A humilhação, Philip Roth

Como costuma acontecer após a morte de um autor renomado, Roth ganhou um maior destaque na mídia e no mercado editorial, deixando clara a sua inegável contribuição para a literatura mundial. Como nunca havia lido nada do autor, acabei sendo fisgado pelas recentes matérias que abordaram sobre a genialidade do autor. Então, peguei um livro que já tinha comprado há algum tempo, sem muito saber o que eu encontrar. Na verdade, até recebi comentários de seguidores dizendo que “Humilhação” seria considerada como uma dos livros mais fracos de Roth. Mesmo assim, segui em frente!

Na obra, o leitor se depara com Simon Axler, um ator renomado que, aos 65 anos, sofre uma crise “existencial”: o protagonista passa a se ver impossibilitado de atuar, não acredita mais em sua capacidade. O público não reconhece mais o seu sucesso e, extremamente inseguro, o personagem começa a recusar as propostas de retorno aos palcos. Para piorar, sua mulher resolve deixá-lo. Nesse ponto, Axler chega no seu limite e acredita que o próximo passo seria o suicídio. Decide, portanto, se internar em uma clínica psiquiátrica, para evitar uma tragédia fatal.

A partir daí, a sua vida muda completamente. Se apaixona por uma jovem homossexual, filha de um casal de amigos. Se vê obcecado pelo desejo sexual insaciável. Suas condutas o tornam irreconhecível. Talvez não passem de uma reação automática ao vazio existencial por ele sentido, como se buscasse algo que pudesse preenchê-lo. Mas será isso o suficiente?

Fiquei impressionado como em um livro tão curto um personagem consegue sofrer tantas mudanças, de forma natural e gradativa. Roth demonstra uma incrível capacidade de construir o seu personagem. Apesar de não ser um livro marcante, a leitura foi muito (mesmo!) interessante e prazerosa! Se esse é um dos mais fracos de Roth, fico ansioso pelo que vou encontrar em suas obras mais faladas.

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“Quando você representa o papel de uma pessoa que está entrando em parafuso, a coisa tem organização e ordem; quando você observa a si próprio entrando em parafuso, desempenhando o papel de sua própria queda, aí a história é outra, uma história de terror e medo.”

 

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