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Quem matou meu pai, de Édouard Louis | Resenha

Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

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Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

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NOTA 8/10

Como tigres na neve, de Juhea Kim | Resenha

O livro foi o escolhido para o mês de agosto do Desafio Bookster 2023 para o tema Independência da Coréia. É um romance histórico daqueles que tem todos os elementos para agradar o leitor: um bom contexto histórico, enredo ficcional bem desenvolvido, escrita fácil e um conhecimento adicional dos costumes da sociedade.

A autora nos transporta para as primeiras décadas do século passado, quando a Coréia ainda não era dividida e sofria com a ocupação japonesa. A narrativa é conduzida em torno de Jade, uma jovem que é vendida pelos seus pais a uma escola de formação de cortesãs. A decisão acaba surgindo como uma forma de conseguir garantir à garota um futuro longe da miséria e com mais oportunidades.

Há, ainda, a história de um garoto, JungHo, filho de um simples caçador, que se vê tentando sobreviver nas ruas de uma cidade grande. A trajetória dos dois personagens se cruza em diferentes momentos e, a partir disso, surge uma relação de amizade. Suas vidas encontram obstáculos na violência do exército japonês, na pobreza, no machismo e na forte desigualdade social.

A autora conseguiu mesclar bem a parte histórica com a parte ficcional. Há referências a momentos específicos e reais, de revolta da população coreana à ocupação japonesa. Esse período marcou muito a Coréia, deixando cicatrizes em uma sociedade usada e violentada.

É uma leitura envolvente, mas confesso que eu esperava mais do desenvolvimento da narrativa, que em alguns momentos ficou mais lenta. Gostei muito da abordagem sobre a parte mais cultural, das tradições e costumes sociais. Senti como se estivesse lendo uma novela interessante. Vai agradar quem, assim como eu, gostou de “Herdeiras do mar” ou “Pachinko”, por envolver o mesmo cenário e contexto histórico.

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Meu irmão, eu mesmo, de João Silvério Trevisan | Resenha

Uma leitura impactante de um dos grandes nomes da luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+. Em seu último livro, Trevisan constrói um relato autobiográfico que vai além de temas ligados à sexualidade. A sua relação com seu irmão mais novo, Claudio, é o enfoque da obra, que ainda atravessa as dores da perda e a consciência da proximidade da morte.

NOTA 8/10

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Não fossem as sílabas do sábado, de Mariana Salomão Carrara | Resenha

A segunda obra que leio da jovem autora paulistana me confirmou o que venho dizendo há um tempo: Mariana Salomão Carrara é uma das mais promissoras autoras contemporâneas que temos. Gosto muito de sua capacidade de mergulhar nas emoções e relações humanas, sempre caminhando pelo tema do luto.

NOTA 9/10