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Quem matou meu pai, de Édouard Louis | Resenha

Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

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Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

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NOTA 9/10

O coração é um caçador solitário, Carson McCullers | Resenha

368 páginas. 2 meses de leitura. Parece muito tempo, né? E realmente foi um livro que me tomou mais dias do que o normal. E isso não significa que eu não gostei da leitura. Pelo contrário, foi uma experiência muito positiva. E isso é bom para pensarmos o quanto a preocupação em ler rápido pode atrapalhar uma leitura. Eu sempre falo: cada livro tem um ritmo, a depender do leitor.

Carson McCullers escreveu com apenas 23 anos um dos principais romances da literatura norte-americana do século passado. É incrível como a autora, ainda tão jovem, conseguiu construir personagens tão profundos e distintos entre si. Ao longo da leitura, acompanhamos a perspectiva de 5 personagens diferentes, em um cenário pobre e racista no sul dos Estados Unidos às vésperas da 2ª Guerra Mundial.

É até difícil escrever sobre a narrativa, já que não é um enredo com tantos acontecimentos. É mais uma observação da vida desses personagens tão distintos, que têm em comum uma relação com Singer, um homem mudo e que, apesar da ausência de seus diálogos, consegue nos transmitir uma humanidade imensa. Ele vive solitário e acaba, de uma forma muito simples, tocando a vida daqueles à sua volta. Fiquei com a sensação de estar diante de um personagem muito puro.

Ainda temos Mick, uma garota que vive uma vida de pequenas aventuras e que vivência situações que exigem uma maturidade maior daquela esperada para a sua idade. Brannon é dono de um bar e tem uma relação conturbada com sua esposa. Benedict é um médico negro que atende os pacientes por caridade e possui relações familiares complexas. Por fim, temos Jake Blount, um personagem com ideologias mais extremas.

Gostei bastante da leitura. Como disse, ela exige paciência, não há grandes acontecimentos, mas o mergulho na pequena cidade e nas relações entre personagens tão profundos me prendeu. O destaque fica para o personagem Singer e as reflexões sobre a natureza humana que suas atitudes despertam.

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As desventuras de Arthur Less, de Andrew Sean Greer | Resenha

Normalmente, as leituras envolvendo personagens gays costumam trazer narrativas tristes e repletas sofrimentos. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2018, “As desventuras de Arthur Less” vai um pouco na contramão, apresentando um enredo mais leve e com bons toques de humor.

NOTA 8/10

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Carta a D. – história de um amor, de André Gorz | Resenha

É cada vez mais frequente escutarmos sobre o problema de idealizarmos o relacionamento perfeito, a busca pela alma gêmea e o viveram felizes para sempre, que costumamos assistir em filmes e de pessoas que acompanhamos nas redes sociais. Mas será que o relacionamento precisa ser perfeito para ser marcante e duradouro? Não estaria o amor também presente nos momentos difíceis e de imperfeições?

NOTA 8,5/10