Veja também

DIVERSOS

Quem matou meu pai, de Édouard Louis | Resenha

Um manifesto literário e íntimo. Com menos de 100 paginas, Édouard Louis constrói um texto híbrido, que combina críticas sociais à desigualdade e à sociedade opressora em que vivemos, com suas memórias, em especial a sua conturbada relação com seu pai, que não aceitava um filho gay. Se a autoaceitação de uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ já é um processo difícil e dolorido, enfrentar esses medos com a repulsa familiar é uma tarefa muito mais sofrida.

NOTA 9/10

DIVERSOS

Uma história desagradável, de Fiódor Dostoiévski | Resenha

Diferentemente do seus romances mais densos, que se aprofundam nos conflitos e angústias dos personagens, “Uma história desagradável” é uma obra curta e que revela um Dostoiévski mais cômico e menos psicológico. E o que começa com uma premissa bem humorada, acaba levando para um desenvolvimento desagradável - para não dizer caótico.

NOTA 9/10

CLÁSSICOS, FICÇÃO, LIVROS

NOTA 9/10

Meninas, de Lyudmila Ulitskaya | Resenha

Já contei várias vezes aqui para vocês que sou fã da literatura russa. Dostoiévski, Tolstói e Turguêniev são autores que me conquistaram e cujas obras figuram na minha lista de livros favoritos (ainda que nem eu saiba direito quantos livros tem nessa lista 😬). Apesar disso, nunca tinha lido alguma obra de escritor russo contemporâneo. Por isso, quando vi o lançamento de “Meninas”, a temática abordada no livro e o fato de ter sido escrito por uma mulher, fiquei muito interessado em ler!

A obra é uma coletânea de contos em que as protagonistas são garotas de 9 a 11 anos que vivem na Rússia stalinista, por volta da década de 50. E apesar de trazerem histórias independentes, os contos têm uma ligação entre si e as personagens vão reaparecendo ao longo das páginas. São relatos individuais e íntimos da vida de cada uma das meninas, mas que é compartilhado em pequenos detalhes em uma rede de relações. Um “romance fractal”, como definido pela própria autora.

O contexto histórico da Rússia é um pano de fundo bem sutil das narrativas. O interessante é perceber como a autora retrata a rotina das pessoas comuns, sobretudo das crianças, em meio a conflitos políticos e sociais. A sensação é de que a vida íntima, as intrigas, os medos e amores continuam mesmo nas mais atípicas circunstâncias. O crescimento das meninas não pode ser interrompido.

Deixo meu destaque para os contos das gêmeas, “A enjeitada”. Achei a construção das personagens muito impactante, ainda que em poucas páginas. “Catapora” também foi um dos meus contos favoritos. Me deixou com vontade de ler mais obras de Lyudmila Ulitskaya. Espero que essa seja só a primeira de outras obras da autora que ainda serão publicadas no Brasil. Ah, e a tradução é direto do russo!

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Campos obrigatórios são marcados*.

Nome*:

Email*:

Comentário*

Veja também

FICÇÃO, LIVROS

Brava Serena, de Eduardo Krause | Resenha

“Brava Serena” é um daqueles livros realmente gostosos de se ler. A partir da narrativa construída por Krause, o leitor se diverte, ao mesmo tempo que se emociona e reflete sobre a perda, a velhice e as surpresas que a vida pode apresentar!

NOTA 8,5/10

FICÇÃO, LIVROS

A fantástica vida breve de Oscar Wao, de Junot Díaz | Resenha

Vencedor do Prêmio Pulitzer de ficção em 2008, a obra do autor domenicano Junot Díaz estava esgotada das prateleiras brasileiras há um tempo e ganhou nova edição da @editorarecord! E que coisa boa foi poder ler esse livro e saber que outros leitores também poderão encontrá-lo facilmente nas livrarias!

NOTA 9,5/10