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LIVROS, NÃO FICÇÃO

Pacientes que curam, de Julia Rocha | Resenha

Adoro livros que envolvem o universo médico e, por conta disso, já havia recebido várias indicações do livro da Julia Rocha, - mulher, negra, mãe, cantora e que, além de tudo isso, também é médica da família. Em textos curtos, a autora compartilha com os leitores a sua vivência como médica do Sistema Único de Saúde (SUS - aliás, viva o SUS!).

NOTA 9/10

FICÇÃO, LIVROS

Violeta, de Isabel Allende | Resenha

Já imaginou ler a história de alguém que nasceu em meio a gripe espanhola, na década de 20, e viveu para testemunhar o mundo paralisado pela pandemia em pleno 2020? Bom, é justamente essa linha de tempo contemplada por “Violeta” que, ainda por cima, conta com a escrita fantasiosa de Allende.

NOTA 9/10

DIVERSOS, LIVROS

NOTA 8,5/10

A mulher de pés descalços, de Scholastique Mukasonga | Resenha

Sobrevivente da guerra civil que assolou a Ruanda no começo da década de 90, Mukasonga escreveu alguns livros para relatar as atrocidades e sofrimentos que vivenciou. Em “A mulher de pés descalços”, a autora faz uma homenagem à sua mãe, Stefania, uma das vítimas do massacre do povo Tutsi. No entanto, apesar de tratar da violência sofrida pela etnia minoritária do país (em comparação com os Hutus, que correspondiam a mais de 90% da população), Mukasonga se concentra em reconstruir a figura de sua mãe a partir de suas memórias de infância relacionadas com as tradições do seu povo. Para isso, a autora transita entre temas como a figura da mulher nas relações familiares dos ruandeses, até detalhes culturais como moradia, alimentação e casamento.
A maior parte da narrativa se passa em Nyamata, uma cidade no sudeste da Ruanda, para onde a sua e outras famílias Tutsis foram deportadas na década de 60. O leitor aprende sobre a história do país e de seu povo por meio de uma escrita sensível e impactante.
Ao longo do livro também é possível identificar os impactos que a colonização trouxe para a vida dos ruandeses. Embora seja nítida a imposição dos costumes pelos colonizadores, uma parte das tradições consegue sobreviver e se adaptar à nova ideia de civilização. De fato, ao mesmo tempo que Stefania acreditava e conhecia “as plantas de bom augúrio”, não deixava de ir às missas católicas todos os domingos.
Ao se propor a refazer a memória de sua mãe, Mukasonga na verdade conseguiu refazer a memória de todo um povo e de milhares de mães da Ruanda, vítimas de um massacre assustador e que deixou suas marcas permanentes na história. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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“Mãezinha, eu não estava lá para cobrir o seu corpo, e tenho apenas palavras – palavras de uma língua que você não entendia – para realizar aquilo que você me pediu. E estou sozinha com minhas pobres palavras e com minhas frases, na página do caderno, tecendo e retecendo a mortalha do seu corpo ausente.”

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#DesafioBookster2019 | Março

Março é o mês do Dia Internacional da Mulher e, não por acaso, o tema do desafio escolhido para esse mês foi feminismo. Como havia prometido, vou mostrar para vocês a minha escolha e dar indicações de outros livros com a temática a ser abordada. Se você só chegou aqui agora, não tem problema! Comece o desafio a partir desse mês e busque aqui na página o post oficial para entender como funciona.

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A menina da montanha, de Tara Westover | Resenha

A partir de suas memórias, Tara narra a experiência de ter sido criada em uma família que se isolou do resto do mundo.

NOTA 9,5/10