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DIVERSOS

Angústia, de Graciliano Ramos | Resenha

Graciliano tem uma habilidade admirável de criar personagens com densidade psicológica, quase como se pudessem sair andando pelas páginas. Em “Angústia”, talvez o autor tenha conseguido criar o mais real deles, Luís Pereira da Silva, e isso justifica o título da obra, já que o leitor realmente compartilha esse sentimento atormentador com o protagonista.

NOTA 9/10

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Amanhã tardará, de Pedro Jucá | Resenha

Em seu romance de estreia, o jovem autor brasileiro nos apresenta uma história forte sobre traumas, relações familiares e sexualidade. E tudo isso a partir de um retorno, da busca às origens: Marcelo, o protagonista, volta a sua cidade natal por conta da doença que acomete seu pai e se depara com resquícios - extremamente doloridos - de um passado conturbado.

NOTA 8,5/10

LIVROS, NÃO FICÇÃO

NOTA

Como os advogados salvaram o mundo, José Roberto de Castro Neves

O título chama a atenção logo de cara, ainda mais quando se fala em advogados, sempre vítimas de piadas e críticas – especialmente no atual Brasil da “Lava Jato”. Então, a primeira pergunta que passa na cabeça é: como seria possível afirmar que os advogados salvaram o mundo? E é justamente a partir desse título provocativo, que o autor desenvolve uma proposta muito interessante: demonstrar ao leitor como a presença de advogados foi relevante nos principais momentos de nossa história. O autor faz referência a episódios marcantes para a proteção dos cidadãos contra um estado arbitrário e governos autoritários. Dessa forma, o que José Roberto consegue fazer ao longo desse livro é, por meio de uma vasta pesquisa, expor uma visão humanista do advogado, aquele que, por centenas de anos, vem atuando para garantir a liberdade daqueles em nome de quem atua. São personalidades como Ghandhi, Mandela, Montesquieu, Cícero e muitos outros – que partilham da formação jurídica como ponto comum – conseguiram “salvar o mundo”, no sentido de proteger “o homem de seu maior inimigo: os próprios homens“. 
E para demonstrar isso ao leitor, José Roberto atravessa um período histórico surpreendente. Desde a lei das 12 Tábuas, datada do século V a.c., passando pelo Renascimento, Iluminismo, Revolução Americana, Revolução Francesa, o autor chega às questões polemicas da profissão nos dias atuais e se arrisca até mesmo a discutir os riscos para a função do advogado em um futuro marcado pela inteligência artificial. Na minha opinião, um dos pontos mais positivos da obra é que essa “aula de história” em forma de livro foi construída de forma extremamente fluida e de fácil leitura! Ou seja, não é uma leitura apenas para advogados, mas para qualquer um que goste de história, direito ou tenha curiosidade sobre a formação da sociedade como conhecemos hoje. Além disso, José Roberto deixa o conteúdo ainda mais rico com trechos de diversos textos e discursos originais e representativos desses principais episódios que marcaram a nossa história.  

Por fim, como o autor é um grande colega, resolvi fazer essa resenha sem nota, sempre com o objetivo de manter a imparcialidade na minha avaliação. Independente disso, fato é que recomendo muito!

Recebi o livro da @novafronteira, muito obrigado!

“Talvez, num mundo diferente, habitado apenas por seres perfeitos, bons, altruístas e pacíficos, os advogados fossem supérfluos. Mas não é esse o mundo que vivemos. Sem os advogados, o mundo seria pior.

Os advogados não são perfeitos. É claro. São seres humanos que têm na imperfeição uma das suas características mais marcantes e belas. Por outro lado, apenas enquanto humanos é que eles conseguem compreender a humanidade.”

Se você gostou, compre o livro clicando no link e ajude a página a se manter: https://amzn.to/2J46gSw

 

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Ler é, muitas vezes, visto como uma atividade solitária. Eu, inclusive, tinha essa opinião até criar o @book.ster.

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Laços, Domenico Starnone

Laços é uma obra sobre relações conturbadas, traição e a desmitificação da família perfeita.

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