Kafka à beira-mar, de Haruki Murakami | Resenha

Com certeza o meu livro favorito do autor. Com sua extrema habilidade de mesclar o mundo real com aspectos fantásticos, Murakami nos apresenta a vida de dois personagens que, aparentemente, não tem nada em comum: Kafka Tamura, um garoto de 15 anos que, após fugir da casa de seu pai, sai em busca de sua mãe e irmã para se livrar de uma profecia; e Satoru Nakata, um idoso que, após sofrer um acidente na infância, desenvolve a habilidade de falar com gatos. A construção das personagens, solitárias e à margem da sociedade, é feita de forma impressionante, evidenciando os aspectos mais profundos da condição humana. Além de uma trama instigante e misteriosa, criando no leitor a curiosidade em ler a próxima página, o livro é rico em referências culturais. É difícil descrever a qualidade dessa obra… Apenas leiam!!!

A Lanterna das Memórias Perdidas, de Sanaka Hiiragi | Resenha

“Comfort books” ou “healing fiction” são termos que ganharam força no mercado editorial nos últimos anos e que têm forte origem em obras escritas por autores japoneses e sul-coreanos. No Brasil, os livros que prometem aquecer o coração do leitor podem ser definidos como “literatura de cura”. Sabe aquele livro que promete te receber como um abraço e te fazer ter uma visão mais otimista sobre a vida? Em alguns momentos eles são muito bem-vindos.

A curiosidade sobre esse novo gênero chegou na minha estante e a dica que recebi foi: “A lanterna das memórias perdidas”. Já gostei da premissa logo no início, por envolver um tema que me interessa na literatura, a morte. Na narrativa criada pela autora japonesa, o cenário principal é um estúdio fotográfico que não está situado em nosso plano. É um meio-termo entre a vida e a morte.

O responsável pelo local, Hirasaka, recebe pessoas que acabaram de falecer. E o procedimento é sempre o mesmo: as almas vêm acompanhadas de um envelope – ou muitos – com fotografias de cada dia de vida. Um verdadeiro álbum de memórias. Hirasaka dá ao visitante a difícil tarefa de escolher uma foto preferida para cada ano e, caso uma foto precise de reparos, a pessoa ganha a chance de revisitar aquele dia e tirar uma nova foto. Ao final, a alma estará diante de um caleidoscópio final de suas lembranças.

E é nessa difícil missão que acompanhamos três personagens com histórias muito diferentes. Realmente senti uma sensação boa no decorrer das páginas. Não é um livro que se aprofunda na construção dos personagens, mas acredito que essa nem seja a intenção da autora. O leitor se depara com uma boa narrativa, fácil de ler e com reflexões interessantes sobre a forma com que lidamos com nossas próprias memórias. E se estivéssemos no lugar desses visitantes?

O final do livro também é muito bonito e acabou me surpreendendo. Não sei se a “literatura de cura” é o gênero que mais combina comigo, mas não tenho dúvidas de que esse foi um livro prazeroso e que pode agradar muitos leitores. Uma leitura leve, rápida e cativante.