Laços, Domenico Starnone

Laços é uma obra sobre relações conturbadas, traição e a desmitificação da família perfeita. Vanda e Aldo, casados há mais de cinco décadas, ainda sofrem com um episódio de infidelidade que marcou sua relação. Esse assunto é rememorado quando o casal, ao voltar de uma viagem de férias, encontra o apartamento em que vivem completamente revirado. Na organização de cartas e fotos, as lembranças vêm a tona e, com isso, o leitor passa a conhecer a época de crise vivida pelo casal a partir da versão de cada um: Vanda, no papel de traída e que sofre com a sensação de abandono, e Aldo, que simplesmente foi embora…

Apesar da banalidade do assunto abordado pelo autor, essa não é uma resenha fácil de ser feita. É difícil expor a alguém que não leu a obra o que um livro com um assunto de certa forma “clichê” pode trazer de tão bom. Para mim, o sucesso desse romance italiano está na humanização dos personagens e na realidade com que seus sentimentos são apresentados. A leitura é bem rápida e instigante, com diálogos fortes e muito bem construídos. Gostei muito do significado por trás do título da obra, que vai muito além da simples ideia de laço emocional e é destrinchado pelo autor ao longo da narrativa. O final também é excelente!

Há boatos de que Starnone seria o marido da autora por trás do pseudônimo Elenta Ferrante, ou até mesmo que Starnone seria o verdadeiro autor de suas obra, e que Laços seria uma resposta a uma das obras de sucesso de Ferrante, “Dias de abandono”. Além disso, os leitores enxergam uma nítida semelhança entre as obras dos dois – ou um só! – autores. Não sei se é verdade e também nunca li nada de Elena Ferrante, mas se essa semelhança entre as obras de fato existir, fica fácil de compreender os motivos do sucesso que os romances da autora italiana vêm fazendo.

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“Em toda casa há uma ordem aparente e uma desordem real.”

 

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Escolhas da vez!

Normalmente leio 4 livros ao mesmo tempo e costumo postar as escolhas aqui para vocês. No mês passado não mostrei os escolhidos, pois achava que esse tipo de não agradava tanto. Mas recebi algumas mensagens pedindo esse tipo de post, já que ajuda de alguma maneira com sugestões e na organização das leituras. Importante saber que quando eu digo que leio 4 ao mesmo tempo, isso não significa que leio os livros simultaneamente (na verdade, costumo ler no máximo 3 ao mesmo tempo). A ideia por trás dessa sistemática é começar a ler um livro depois de terminados os 4 escolhidos! Isso porque, como as escolhas são feitas com base em categorias pré-definidas, eu acabo me “forçando” a ler obras diferentes. Além disso, ler mais de um livro ao mesmo tempo ajuda muito no ritmo da leitura e evita que eu canse de determinada obra.
As minhas categorias podem ser assim resumidas: (i) um clássico; (ii) um livro curto (até 200 páginas); (iii) um autor contemporâneo; e (iv) um livro de não-ficção/contos/poemas.
Os escolhidos dessa vez são:

1 – Clássico: As brasas, Sándor Márai – Escolha de maio para o #desafiobookster2018 .
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2 – Livro até 200 páginas: O caso Meursault, Kamel Daoud – Esse é uma boa opção para quem já leu O estrangeiro, do Camus, e gostou do livro! A obra de Daoud vai recontar a história do ponto de vista do árabe assassinado por Meursault, o personagem principal do livro de Camus.

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3 – Autor contemporâneo: Laços, Domenico Starnone – Promete ser um romance sobre as crises e anseios por trás dos laços familiares. Há quem diga que essa obra seria uma resposta ao Dias de abandono, da Elena Ferrante, e que o Domenico Starnone é marido da famosa autora italiana. Ainda não li nada da Ferrante, mas como sei que muita gente gosta, essa informação pode interessar! Recebi da incrível @todavialivros.

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4 – Livro de contos: A teta racional, Giovana Madalosso – De acordo com a sinopse, os contos têm como temática comum “o feminismo no mundo contemporâneo” e são carregados de ironia e um bom humor ácido. Obra escrita por uma mulher, jovem e brasileira! Ainda mais um motivo para ser lido.

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E vocês, estão lendo o que?