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#DesafioBookster2024 | Outubro

Mês: Outubro
Sentimento: Angústia
Livro: Angústia, de Graciliano Ramos

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Finalmente vou ler esse clássico da literatura brasileira que estava na minha lista há muito tempo. Graciliano Ramos é um autor que adoro e o título me desperta o interesse. Quem leu meu livro sabe o quanto lutei contra a angústia e, ainda que esse tema possa me gerar incômodo, também me faz querer compreender mais. Promete ser uma leitura mais densa e desafiadora, então vamos com calma e juntos!

Sinopse:
“Lançado originalmente em 1936 e apresentado aqui em novo projeto gráfico, Angústia tem como protagonista Luís Silva, funcionário público de Maceió que leva uma vida medíocre e sem grandes emoções até o dia em que se apaixona por Marina. De início, a jovem demonstra certo interesse no relacionamento e no conforto material que o casamento poderia lhe proporcionar, mas logo acaba trocando o noivo por Julião Tavares, mais rico e poderoso. Tomado por ciúmes e rancor, Silva fica perturbado com os acontecimentos que se desenrolam e passa a acompanhar a vida de Marina enquanto sonha em matar Julião. Escrito em primeira pessoa, o romance tem estrutura temporal não linear, seguindo o fluxo de consciência do narrador-personagem e aproximando o leitor dos sentimentos despertados pelos conflitos vividos por Luís Silva”

E vocês já sabem, né? No final do mês teremos uma live no YouTube com um convidado super especial para conversar sobre essa obra.

Quem vem com a gente? Acompanhe tudo no grupo do Telegram (link na bio).

Obs: A edição da @editorarecord é a única autorizada pelo Instituto Graciliano Ramos, onde parte dos direitos autorais são direcionados a ONG Inoccence Brasil.

368 páginas

Ioga, de Emmanuel Carrère | Resenha

Não se deixe enganar pelo título. Um dos mais importantes escritores contemporâneos da França pode até ter pretendido escrever sobre a sua experiência em um retiro de meditação e silêncio que duraria 10 dias. Aquela realmente parecia uma atitude corajosa e que poderia despertar reflexões interessantes. Mas os acontecimentos que sucederam esses dias e seu olhar atento à realidade a sua volta deram um rumo totalmente inesperado à obra.

E, na minha opinião, essa atipicidade do texto criado por Carrère me fascinou tanto. Acompanhamos o autor em reflexões que, de fato, iniciam sobre a relevância da ioga e meditação em sua vida, mas que acabam desembocando em temas espinhosos como saúde mental, terrorismo e crise dos refugiados.

A morte de um amigo no marcante atentado ao prédio do jornal satírico francês Charlie Hebdo é o ponto inicial da desestabilização que acomete o autor. Ele relata de forma muito crua e franca o seu transtorno bipolar, as crises que colocaram a sua vida em risco, as dificuldades amorosas, a estadia em uma ilha grega com refugiados e a descrença em um futuro minimamente tolerável.

Carrère não se esconde do leitor em momento algum e isso é fascinante. Fiquei preso na leitura sem saber por onde o autor me conduziria naquelas páginas. E considerando a diversidade dos temas tratados, não há como não se identificar em diferentes momentos – ou discordar veementemente do autor.

A escrita é simples, já que o objetivo do texto é outro. A criação estética literária fica em um segundo plano e isso não prejudica em nada a experiência da leitura. Gostei muito dessa surpresa, mas reconheço que essa leitura pode não ser para qualquer tipo de leitor.

O animal social, de Elliot Aronson | Resenha

Não é segredo que sou fã de ficção e que a maioria das minhas leituras está inserida nesse gênero. Mas a verdade é que frequentemente sou surpreendido – de forma positiva – quando me aventuro em obras mais técnicas e que buscam aproximar o leitor de temas relevantes. E foi esse o caso de “O animal social”, uma referência na área da psicologia social, publicado em 1972.

Sou totalmente leigo na área e a verdade é que o próprio termo “psicologia social” não era tão conhecido por mim. E foi nesse ponto que me surpreendi, porque percebi o quanto esse tema é amplo e interessantíssimo, ao buscar explicações sobre o comportamento humano e nossa interação em uma sociedade cada vez mais complexa. Dentre os assuntos que mais me interessaram está a análise do preconceito, das relações amorosas e da nossa tendência de buscar pertencer a algum grupo. Por que agimos como agimos?

E apesar de o livro ter sido publicado há mais de 50 anos, essa edição da @editoragoya foi recentemente atualizada pelo autor, com a ajuda do seu filho. Várias teorias foram revistas e debates contemporâneos, como redes sociais e seu impacto nas relações, foram incluídos. Ou seja, o texto continua dialogando com o leitor jovem e é impossível não se enxergar em vários dos exemplos explorados pelo autor.

Também não há como negar que a leitura é densa. São várias as teorias apresentadas e o texto tem um cunho técnico e informativo, o que me fez levar um tempo maior para concluir a leitura (leia junto com um livro de ficção). Mas a leitura é acessível e repleta de exemplos que permitem uma aproximação do leitor com os assuntos discutidos. É um texto que demanda atenção, sobretudo pela quantidade de informação, embora não se apresente como um desafio para quem é leigo.

Ou seja, se você se interessa pelo tema e pelas discussões propostas pelo autor, recomendo demais. “O animal social” continua sendo uma relevantíssima referência sobre a psicologia social e que, sem dúvidas, mudou a minha compreensão sobre muitos assuntos que enfrento no meu dia a dia.

O vício dos livros, de Afonso Cruz | Resenha

Livros sobre livros me encantam – talvez isso explique o motivo de eu ter escrito um. Gosto muito de entender como a literatura é uma experiência individual e como os livros desempenham diferentes papéis na vida de um leitor. Quando soube que o autor português tinha uma coletânea de textos sobre o tema, logo coloquei “O vício dos livros” na minha lista de próximas leituras. O título já gerou uma identificação imediata: assim como Afonso Cruz, eu também dependo da literatura para conseguir estar no meu estado de “normalidade” (entre muitas aspas).

O autor me conquistou com sua inteligentíssima obra “Vamos comprar um poeta”, que eu nunca me canso de indicar. E foi muito interessante ver mais de sua inteligência, misturada com um bom humor, nos seus textos sobre os livros. A obra é curtinha e os textos funcionam como pequenos ensaios ou relatos pessoais da relação de Afonso Cruz com a leitura.

Não espere encontrar textos acadêmicos ou intelectuais. “O vício dos livros” cativa o leitor pela simplicidade das histórias e reflexões ali contidas. É um leitor falando para outro leitor – algo que tento trazer diariamente para as redes sociais. Por outro lado, e considerando o impacto que “Vamos comprar um poeta” deixou em mim, cheguei com muita expectativa nessa leitura. Não é uma obra que me marcou, mas também nem acredito que essa tenha sido a intenção do autor. O que ele deixou em mim é a vontade de continuar lendo tudo o que ele produz – sou doido para ler “Para onde vão os guarda-chuvas”.

Enfim, Afonso Cruz faz uma gostosa e bonita homenagem à literatura!

E trazendo a citação de Jules Renard, “Quando penso em todos os livros que tenho para ler, tenho a certeza de ainda ser feliz”.

Literatura infantil: Cartas ao filho, de Alejandro Zambra | Resenha

Literatura infantil: Cartas ao filho, de Alejandro Zambra

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“Com você no colo, vejo pela primeira vez, na parede, a sombra que formamos juntos. Você tem vinte minutos de vida”. É com emocionante a experiência do primeiro contato de pai e filho que o leitor inicia o texto de “Literatura infantil”. E não se deixe enganar pelo título, já que a obra não é voltada para crianças, mas sim um convite para que os adultos mergulhem como espectadores na experiência inédita da paternidade.

Se vários são os livros escritos para os pais, seja em homenagens ou até em um acerto de contas, o autor chileno decidiu inovar e escrever “cartas ao filho”. “Narrar o mundo de que uma criança se esquecerá – tornamo-nos correspondentes de nosso filhos – é um desafio enorme”. E para o leitor, essa aventura é acolhedora e chega a esquentar o coração. Ao longo dos dias que sucedem o nascimento, acompanhamos as vivências e as descobertas de Zambra ao se encontrar na figura de pai pela primeira vez. É o aprendizado dessa “tarefa” que nasce sem manual de instruções, mas que vem junto com medos, descobertas, muita alegria e também frustrações.

Superada essa primeira parte, a obra nos revela os mais diferentes gêneros de textos, em que a paternidade é o tema que os une. Contos, crônicas, ensaios e mais relatos pessoais. E na escrita autobiográfica, o ponto alto do livro para mim, também encontramos a relação do Zambra como filho e a presença da literatura em toda a sua vida. Mesmo não sendo pai, a identificação com diferentes trechos da leitura foi inevitável.

Misturando um diário de paternidade com textos de ficção, o autor se vale de uma escrita fácil e simples, o que é, inclusive, uma característica das suas obras, mas sem nunca deixar a sensibilidade de lado.

“Literatura infantil” é uma leitura aconchegante, leve e, sobretudo, uma declaração de amor aos filhos.

Deus na escuridão, de Valter Hugo Mãe | Resenha

“Deus é exatamente como as mães. Liberta Seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que Lhe anunciem a presença, o regresso dos filhos”. Esse trecho belíssimo é o início do capítulo que leva o nome do livro e que, para mim, é um dos textos mais sensíveis que li nos últimos anos. Na verdade, beleza e sensibilidade são características que você encontra em todas as obras do autor português.

O seu romance mais recente já começa com o novo: “Pouquinho nasceu sem as origens”. Em um dia de verão de 1981, nasce um bebê na remota paisagem da Ilha da Madeira. E logo de início, Felicíssimo, seu irmão e narrador do romance, percebe que esse novo personagem mudará a sua vida. As pessoas parecem querer esconder o bebê de seu olhar, como se sua condição fosse algo ruim de ser visto por crianças. Para Felicíssimo, a chegada de Pouquinho só traz motivos para comemorações.

O amor fraternal é o principal tema tratado em “Deus na escuridão”. prevalece a necessidade de proteção daquele que é frágil, por ser mais novo, e que pode sofrer pelos olhares dos outros, apenas por ser diferente. E Felicíssimo incorporou essa responsabilidade desde o momento em que conheceu seu irmão.

Como acontece nos outros livros do autor, a escrita é carregada de poesia. Valter Hugo Mãe é certeiro na escolha das palavras. E diferentemente da maior parte dos seus trabalhos, “Deus na escuridão” vem com uma carga maior de introspecção. A narrativa não é marcada por acontecimentos sucessivos, mas por tempos de reflexão sobre temas como o amo, afeto e medo. O ritmo mais lento da leitura em momento algum chegou a ser um problema para mim, já que é apenas um reflexo do ritmo daquela paisagem e da vida dos personagens. Ao leitor, recomendo ler com calma, sem pressa, apreciando a beleza e a sensibilidade dessas páginas.

Nota: como me considero próximo do autor, prefiro não dar nota.

PS:O livro foi escolhido para o sentimento AFETO do #DesafioBookster2024 e tem vídeo com o querido @alexandrecoimbraamaral no meu canal do YouTube.

FUP, de Jim Dodge  | Resenha

“Fup” é um livro nada convencional, daqueles que tem uma história que fica até difícil de explicar para outros leitores. Como um senhor, uma criança e uma pata de estimação – sim, você leu direito – podem, em pouco mais de 120 páginas, construir uma narrativa gostosa e, ao mesmo tempo, inteligente? Talvez seja essa peculiaridade que faz de “Fup” um queridinho de muitos, desde a sua publicação, em 1983.

Com o falecimento de sua filha, Jake assume, prestes a completar 100 anos, a tarefa de criar o seu neto. O personagem tem pensamentos excêntricos e acredita que descobriu o segredo para a imortalidade: um whisky fortíssimo que ele mesmo produz. Cabe ao leitor decidir se acredita naquele senhor ou se ignora a desculpa utilizada pelo personagem para justificar a sua paixão pela bebida.

E quando Fup, a pata, chega para participar das aventuras do neto e de seu avô, todos se mobilizam para caçar um porco selvagem gigante que destrói as cercas da propriedade onde moram. Aliás, Miúdo, o neto, é ficcionado por construir cercas. Toda essa descrição deixa claro que essa é uma fábula que precisa ser lida, já fica difícil convencer o leitor com a mera descrição dos acontecimentos.

E a impressão que fica é que a história tem um significado maior, ainda que essa compreensão não seja tão evidente ao leitor. Amizade, morte e paciência são temas abordados, de forma sútil e bem humorada, ao longo das páginas. Terminei a leitura com uma sensação boa, sem conseguir entender exatamente o que da narrativa mais me agradou. E, no final, é isso que mais importa ao leitor: os bons sentimentos que os livros deixam em nós. Uma fábula original e cheia de magia nos pequenos detalhes.

Nota 9/10

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