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Pequena coreografia do adeus, de Aline Bei

8/10

Ficção

Pequena coreografia do adeus, de Aline Bei Aline Bei tem a habilidade de criar caminhos no interior do leitor, sempre trazendo consigo temas sensíveis como perda, relações familiares e as diferentes formas de violência a que as mulheres são constantemente submetidas. Assim como nos seus outros dois sucessos, com destaque para “O peso do pássaro morto”, a jovem autora nos apresenta em seu segundo romance uma narrativa centrada em personagens mulheres complexas e emocionalmente densas.

Em “Pequena coreografia do adeus”, a protagonista é Julia, uma jovem que vive à sombra da figura de seus pais. Divorciados, Dona Vera e Sérgio carregam marcas deixadas pelo casamento, seja pela dificuldade de aceitar o término seja pelo arrependimento dos anos que viveram juntos. Para a filha, a incompatibilidade entre a figura dos pais e a figura de dois indivíduos falhos e imperfeitos é um sentimento que, já na infância, incomoda. Acompanhando suas memórias desde os seus primeiros anos até a fase adulta, vamos compreendendo aos poucos como a sua relação com os seus pais foram moldando as suas memórias e deixando marcas que, muita vezes, são de difícil cicatrização. Com a elaboração de suas vivências, Julia tenta se apegar aos novos relacionamentos para se desprender dos traumas e buscar delinear o seu próprio caminho. Por mais difícil que seja, sua história não precisa se confundir constantemente com a daqueles que a criaram. A escrita de Aline tem como características a poesia e o experimento na estrutura do texto. A gente aprecia a escolha das palavras na construção da narrativa, ao mesmo tempo que nos emocionamos com o impacto que elas causam. A autora usa os espaços da página, tamanhos da letra e formato do texto para dar ritmo e ênfase aos acontecimentos. É, realmente, uma experiência imersiva na leitura. Acabei sendo fisgado pela narrativa com o decorrer da leitura e, sem dúvidas, não dá para ficar imune às dores e traumas de Julia. Mais uma belíssima e sensível obra de Aline. PS: Considerando que a autora é minha amiga, prefiro não dar uma nota objetiva para a minha experiência com a leitura.

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