A tabela periódica, de Primo Levi O autor italiano Primo Levi é mundialmente conhecido por sua obra “É isto um homem?”, em que narra a brutalidade da sua experiência como um sobrevivente dos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. E a sua habilidade em compartilhar suas memórias ao mesmo tempo em que adiciona elementos históricos também se confirma com o lançamento da Companhia das Letras no Brasil: A tabela periódica.
Nessa coletânea de 21 contos interligados, o autor ainda adiciona um aspecto relevante de sua vida e que torna a obra interessantemente incomum – a sua relação com a Química. Cada um dos contos leva o nome de um elemento químico. E é mesclando o seu conhecimento decorrente da sua formação na área que Primo Levi nos apresenta momentos importantes de sua vida a partir dos elementos que encontramos na tabela periódica. E se nos dois primeiros contos a experiência pode soar um pouco diferente para o leitor, o restante das páginas desperta o interesse e a curiosidade para saber o que vem a cada novo conto.
A narrativa vai desde a sua juventude em uma família italiana de origem judaica até a tentativa de reconstruir uma vida no período do pós-guerra. Nesse meio tempo, ainda conhecemos as fases de sua formação em Química e suas primeiras experiências profissionais. É claro que, como a sinopse já sugere, também há passagens mais “técnicas” sobre os elementos ou processos químicos descritos, mas sempre apresentados de uma forma acessível para o leitor leigo. Gostei demais dessa leitura! Primo Levi conseguiu conciliar uma matéria que parece tão exata e objetiva com uma escrita humana e uma prosa envolvente. A Química apresentada como uma metáfora da vida do autor. Há, ainda, capítulos com textos ficcionais de Primo Levi e que se encaixam muito bem na linha narrativa construída. Enfim, não se desencoraje com os dois primeiros contos, já que “A tabela periódica” é uma obra mais experimental, que foge do comum, mas que deu muito certo!