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Relato de um náufrago, de Gabriel García Márquez | Resenha

Publicada em vários capítulos no Jornal El Espectador, em 1955, “Relato de um náufrago” é uma das primeiras obras escritas por Gabriel García Márquez e nos apresenta um texto jornalístico, que causou fortes impactos na sociedade da época. A narrativa traz em detalhes os 10 dias de Velasco, um marinheiro que é arremessado, junto com outros colegas, de um navio durante uma tempestade em fevereiro de 1955. Velasco foi o único sobrevivente da tragédia e ficou à deriva sozinho em uma pequena balsa por 10 dias até ser encontrado em condições extremas.

NOTA 9/10

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O retorno, de Dulce Maria Cardoso | Resenha

A literatura portuguesa já conquistou meu coração de leitora há anos, com várias obras entrando para a minha lista de favoritas da vida. O que sempre me incomodou, confesso, era a pouca presença de autoras mulheres nas minhas leituras. O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, estava na minha estante há tempos - e fico muito feliz de finalmente ter dado uma chance a ele. Fui imediatamente envolvido pela narrativa e pela força da temática.

NOTA 9/10

DIVERSOS

NOTA 8/10

Orgulho e preconceito, de Jane Austen | Resenha

Há livros que carregam um peso quase insuportável de expectativa. Orgulho e preconceito, publicado em 1813, é um desses. Clássico incontornável, adaptado para todos os formatos possíveis, considerado por muitos o grande romance de Jane Austen. No entanto, a minha experiência não alcançou essa expectativa: em vários momentos, a leitura me pareceu arrastada, como se essa grande novela sobre a sociedade do final do século XIX não se tivesse me envolvido.

Mas, quero deixar bem claro, não dá para negar o brilhantismo de Austen (sobretudo considerando que a obra foi escrita há mais de 200 anos). A ironia ácida com que ela constrói Elizabeth Bennet é irresistível. Inteligente e sagaz, a protagonista encarna um espírito crítico raro para sua época. É através dela que a autora desmonta, com humor e lucidez, uma sociedade que reduz a vida das mulheres à busca por um bom casamento, preferencialmente vantajoso e financeiramente seguro. No interior inglês que serve de cenário, as aparências valem tanto quanto os sentimentos, e a reputação de uma família pode ruir com uma fofoca.

E é nesse contexto que surge Mr. Darcy, talvez um dos galãs mais célebres da literatura. Sua reserva e certo ar de superioridade despertam de imediato o desprezo de Elizabeth, mas a história mostra como as primeiras impressões podem ser enganosas (talvez daí venha o título do livro). E a partir disso, surge um jogo delicado de sentimentos.

Se a narrativa às vezes pareceu estagnada para mim, o mérito de Austen está em outra camada: tantos anos depois, o romance ainda soa atual. Ainda discutimos relações atravessadas por interesses, desigualdade de gênero e a pressão social pelo “modelo ideal” de vida.

No fim, não foi a leitura arrebatadora que imaginei, mas foi uma experiência interessante: me fez refletir sobre como certos clássicos sobrevivem não por agradar sempre, mas por continuarem a provocar.

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Nadando no escuro, de Tomasz Jedrowski | Resenha

É inegável a minha felicidade em encontrar cada vez mais obras LGBTQIA+ nas livrarias e estantes dos leitores, narrando histórias que por muito tempo ficaram silenciadas. Nadando no escuro é um desses livros: ambientado na Polônia dos anos 1980, em plena Guerra Fria, ele acompanha a relação entre Ludwik e Janusz, dois jovens que se conhecem num acampamento de verão e vivem uma paixão intensa, mas atravessada pelo peso de uma sociedade repressora. Essa descoberta de que dois garotos poderiam ter mais que uma amizade gera muita angústia, medo e vergonha nos personagens.

NOTA 6,5/10

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As primas, de Aurora Venturini | Resenha

Extraordinário e peculiar. Dois adjetivos para descrever a leitura de “As primas”, um romance argentino que entrou para a lista das melhores leituras dos últimos tempos. A autora publicou a obra com mais de 80 anos, quando ganhou notoriedade pela sua escrita. Aliás, a vida de Aurora Venturini é bem excêntrica e curiosa e, conforme revelado em algumas entrevistas, esta obra conteria traços autobiográficos.

NOTA 10/10