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Relato de um náufrago, de Gabriel García Márquez | Resenha

Publicada em vários capítulos no Jornal El Espectador, em 1955, “Relato de um náufrago” é uma das primeiras obras escritas por Gabriel García Márquez e nos apresenta um texto jornalístico, que causou fortes impactos na sociedade da época. A narrativa traz em detalhes os 10 dias de Velasco, um marinheiro que é arremessado, junto com outros colegas, de um navio durante uma tempestade em fevereiro de 1955. Velasco foi o único sobrevivente da tragédia e ficou à deriva sozinho em uma pequena balsa por 10 dias até ser encontrado em condições extremas.

NOTA 9/10

DIVERSOS

O retorno, de Dulce Maria Cardoso | Resenha

A literatura portuguesa já conquistou meu coração de leitora há anos, com várias obras entrando para a minha lista de favoritas da vida. O que sempre me incomodou, confesso, era a pouca presença de autoras mulheres nas minhas leituras. O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, estava na minha estante há tempos - e fico muito feliz de finalmente ter dado uma chance a ele. Fui imediatamente envolvido pela narrativa e pela força da temática.

NOTA 9/10

DIVERSOS

NOTA 9/10

Divórcio em Buda, de Sándor Márai | Resenha

Um dos mais importantes escritores húngaros, Sándor Márai constrói um personagem repleto de conflitos e com uma interessantíssima densidade psicológica. Na Budapeste da década de 30, pré Segunda Guerra Mundial, o juiz Kristóf Kömives se depara com o dever de homologar um divórcio de um homem e uma mulher que já cruzaram os seus caminhos. Imre Greiner foi seu colega de escola e Anna Fazekas teve um encontro marcante com Kömives alguns anos antes.

Essa sua tarefa desperta no protagonista diversas reflexões e dúvidas sobre o caráter moral do que precisa fazer como representando do Estado. Homologar um divórcio e destruir uma família seria o correto a fazer? A primeira parte do livro, que carrega um tom muito mais subjetivo e sem grandes acontecimentos, transporta o leitor justamente para os pensamentos conflituosos de Kömives. Ele se incomoda e sofre com o contraste entre o tradicional e o novo, entre o que o Estado lhe obriga a fazer e o que a religião entende como correto, entre o que é o moralmente correto e os desejos do ser humano.

Gostei muito de como o autor conseguiu construir os personagens de forma sólida, retomando a vida do protagonista, de sua esposa e do casal que estava prestes a oficializar o divórcio. Esse processo conseguiu explicar muito dos pensamentos de Kömives, que nasceu em uma família aristocrática, seguindo os passos dos homens que o antecederam, todos bem sucedidos na carreira de magistrado. Ou seja, o protagonista vive o lado que enxerga nas mudanças uma possível ameaça a sua própria condição.

Esse contraste entre progresso e tradição também é refletido na cidade que serve de cenário para a narrativa. Budapeste é dividida pelo rio Danúbio entre Buda, um local que preserva as construções mais antigas e serve de residência para a aristocracia, e Peste, um símbolo do progresso e da modernidade. Em janeiro, no mês da leitura para o clube Bookster pelo Mundo, visitei a capital húngara e pude vivenciar esse contraste. Senti como estivesse caminhando pelos mesmos trajetos seguidos pelo protagonista.
A segunda parte do livro toma um fôlego maior, uma vez que o leitor acompanhará os diálogos entre Kömives e um visitante que aparece em sua casa no meio da madrugada, com uma confissão surpreendente. Esse encontro revolverá o passado e lembranças marcantes do protagonista.

Eu gostei muito da leitura e das reflexões despertadas pelas contradições vividas por Kömives, mas reconheço que a obra mais lenta e introspectiva possa gerar um incômodo em certos leitores. Márai tem uma habilidade incrível de se aprofundar no psicológico dos personagens e de construir diálogos marcantes.

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Angústia, de Graciliano Ramos | Resenha

Graciliano tem uma habilidade admirável de criar personagens com densidade psicológica, quase como se pudessem sair andando pelas páginas. Em “Angústia”, talvez o autor tenha conseguido criar o mais real deles, Luís Pereira da Silva, e isso justifica o título da obra, já que o leitor realmente compartilha esse sentimento atormentador com o protagonista.

NOTA 9/10

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Amanhã tardará, de Pedro Jucá | Resenha

Em seu romance de estreia, o jovem autor brasileiro nos apresenta uma história forte sobre traumas, relações familiares e sexualidade. E tudo isso a partir de um retorno, da busca às origens: Marcelo, o protagonista, volta a sua cidade natal por conta da doença que acomete seu pai e se depara com resquícios - extremamente doloridos - de um passado conturbado.

NOTA 8,5/10