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DIVERSOS

Angústia, de Graciliano Ramos | Resenha

Graciliano tem uma habilidade admirável de criar personagens com densidade psicológica, quase como se pudessem sair andando pelas páginas. Em “Angústia”, talvez o autor tenha conseguido criar o mais real deles, Luís Pereira da Silva, e isso justifica o título da obra, já que o leitor realmente compartilha esse sentimento atormentador com o protagonista.

NOTA 9/10

DIVERSOS

Amanhã tardará, de Pedro Jucá | Resenha

Em seu romance de estreia, o jovem autor brasileiro nos apresenta uma história forte sobre traumas, relações familiares e sexualidade. E tudo isso a partir de um retorno, da busca às origens: Marcelo, o protagonista, volta a sua cidade natal por conta da doença que acomete seu pai e se depara com resquícios - extremamente doloridos - de um passado conturbado.

NOTA 8,5/10

DIVERSOS

NOTA

Deus na escuridão, de Valter Hugo Mãe | Resenha

“Deus é exatamente como as mães. Liberta Seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que Lhe anunciem a presença, o regresso dos filhos”. Esse trecho belíssimo é o início do capítulo que leva o nome do livro e que, para mim, é um dos textos mais sensíveis que li nos últimos anos. Na verdade, beleza e sensibilidade são características que você encontra em todas as obras do autor português.

O seu romance mais recente já começa com o novo: “Pouquinho nasceu sem as origens”. Em um dia de verão de 1981, nasce um bebê na remota paisagem da Ilha da Madeira. E logo de início, Felicíssimo, seu irmão e narrador do romance, percebe que esse novo personagem mudará a sua vida. As pessoas parecem querer esconder o bebê de seu olhar, como se sua condição fosse algo ruim de ser visto por crianças. Para Felicíssimo, a chegada de Pouquinho só traz motivos para comemorações.

O amor fraternal é o principal tema tratado em “Deus na escuridão”. prevalece a necessidade de proteção daquele que é frágil, por ser mais novo, e que pode sofrer pelos olhares dos outros, apenas por ser diferente. E Felicíssimo incorporou essa responsabilidade desde o momento em que conheceu seu irmão.

Como acontece nos outros livros do autor, a escrita é carregada de poesia. Valter Hugo Mãe é certeiro na escolha das palavras. E diferentemente da maior parte dos seus trabalhos, “Deus na escuridão” vem com uma carga maior de introspecção. A narrativa não é marcada por acontecimentos sucessivos, mas por tempos de reflexão sobre temas como o amo, afeto e medo. O ritmo mais lento da leitura em momento algum chegou a ser um problema para mim, já que é apenas um reflexo do ritmo daquela paisagem e da vida dos personagens. Ao leitor, recomendo ler com calma, sem pressa, apreciando a beleza e a sensibilidade dessas páginas.

Nota: como me considero próximo do autor, prefiro não dar nota.

PS:O livro foi escolhido para o sentimento AFETO do #DesafioBookster2024 e tem vídeo com o querido @alexandrecoimbraamaral no meu canal do YouTube.

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“Fup” é um livro nada convencional, daqueles que tem uma história que fica até difícil de explicar para outros leitores. Como um senhor, uma criança e uma pata de estimação – sim, você leu direito - podem, em pouco mais de 120 páginas, construir uma narrativa gostosa e, ao mesmo tempo, inteligente? Talvez seja essa peculiaridade que faz de “Fup” um queridinho de muitos, desde a sua publicação, em 1983.

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O pacto da Água, de Abraham Verghese | Resenha

Romances que acompanham gerações de uma mesma família ao longo dos anos são, para mim, um dos meus estilos favoritos na ficção. Em o Pacto da Água, o autor nos leva por quase 80 anos na história de Grande Ammachi, uma mulher que nasceu no sul da Índia, em uma região católica, pobre e ainda muito rural, e aos 12 anos precisa deixar sua família para se casar com um homem muito mais velho.

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