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Relato de um náufrago, de Gabriel García Márquez | Resenha

Publicada em vários capítulos no Jornal El Espectador, em 1955, “Relato de um náufrago” é uma das primeiras obras escritas por Gabriel García Márquez e nos apresenta um texto jornalístico, que causou fortes impactos na sociedade da época. A narrativa traz em detalhes os 10 dias de Velasco, um marinheiro que é arremessado, junto com outros colegas, de um navio durante uma tempestade em fevereiro de 1955. Velasco foi o único sobrevivente da tragédia e ficou à deriva sozinho em uma pequena balsa por 10 dias até ser encontrado em condições extremas.

NOTA 9/10

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O retorno, de Dulce Maria Cardoso | Resenha

A literatura portuguesa já conquistou meu coração de leitora há anos, com várias obras entrando para a minha lista de favoritas da vida. O que sempre me incomodou, confesso, era a pouca presença de autoras mulheres nas minhas leituras. O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, estava na minha estante há tempos - e fico muito feliz de finalmente ter dado uma chance a ele. Fui imediatamente envolvido pela narrativa e pela força da temática.

NOTA 9/10

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NOTA 8,5/10

O filho eterno, de Cristovão Tezza | Resenha

Publicado em 2007, o livro venceu os principais prêmios literários e aborda os conflitos de um pai que descobre que o seu filho recém nascido tem síndrome de Down. O romance também possui um forte aspecto autobiográfico, que deixa a realidade criada pelo autor ainda mais potente.

Confesso que, até ler O filho eterno, tinha lido poucos livros que abordavam a temática de pessoas com deficiência. E quando iniciei a leitura, fui surpreendido com um forte incômodo, já que o pai de Felipe não poupa o leitor na hora de expressar a sua decepção com o diagnóstico do filho. Ainda que a narrativa se passe no final do século passado, em que o conhecimento e as discussões sobre capacitismo fossem menos profundas, é difícil não sentir um desconforto com a figura do pai. Seus pensamentos chegam a ser cruéis, um reflexo de uma sociedade ignorante e repleta de preconceitos.

Aos poucos o protagonista começa uma trajetória em busca de especialistas que pudessem garantir uma condição melhor de vida para o Felipe. São poucos dias de vitórias, que se destacam a uma rotina difícil e frustrante. O pai tem dificuldades de lidar com as expectativas de que se filho se comportará igual a outras crianças típicas, mas com o tempo vemos um fortalecimento na relação entre os dois. Se no início existia uma certa rejeição na ideia de ter um filho com síndrome de Down, o personagem principal vai percebendo que não consegue mais se imaginar vivendo sem todo aquele amor.

É uma narrativa muito mais voltada ao pai, um escritor insatisfeito, com mergulhos nas suas memórias mais antigas. Felipe aparece de uma forma secundária, a partir da reação de seu pai com as dificuldades e conquistas da relação paternal. Uma das passagens que mais me tocou foi sobre a capacidade de amar que o filho possui. Felipe sabe amar incondicionalmente, o que o destaca em relação as demais crianças.

A leitura é impactante e, ao gerar um desconforto no leitor, nos faz refletir sobre temas importantíssimos relacionados a pessoas com deficiência e paternidade.

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A gente mira no amor e acerta na solidão, de Ana Suy | Resenha

Esse é um daqueles livros que eu acabo conhecendo por conta de indicações que eu recebo de vocês. O livro de Ana Suy começou a aparecer com frequência aqui nas mensagens, com pessoas dizendo: “Acho que você vai gostar, já que adorou o Talvez você deva conversar com alguém”. E resolvi confiar na opinião de vocês, já que em grande parte das vezes vocês acertam!

NOTA 8/10

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Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo | Resenha

Para quem já leu alguma obra de Conceição Evaristo, um dos principais nomes da literatura nacional, sabe que a potência de suas narrativas está, em boa parte, na força das suas personagens mulheres. Em “Canção para ninar menino grande”, no entanto, temos uma característica que a distingue dos demais livros: a narrativa tem como personagem principal uma figura masculina, Fio Jasmim. Mas, mesmo assim, as mulheres ainda têm papel central na obra, já que a vida do protagonista é contada a partir da perspectiva das mulheres com que se relacionou.

NOTA 9/10