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Angústia, de Graciliano Ramos | Resenha

Graciliano tem uma habilidade admirável de criar personagens com densidade psicológica, quase como se pudessem sair andando pelas páginas. Em “Angústia”, talvez o autor tenha conseguido criar o mais real deles, Luís Pereira da Silva, e isso justifica o título da obra, já que o leitor realmente compartilha esse sentimento atormentador com o protagonista.

NOTA 9/10

DIVERSOS

Amanhã tardará, de Pedro Jucá | Resenha

Em seu romance de estreia, o jovem autor brasileiro nos apresenta uma história forte sobre traumas, relações familiares e sexualidade. E tudo isso a partir de um retorno, da busca às origens: Marcelo, o protagonista, volta a sua cidade natal por conta da doença que acomete seu pai e se depara com resquícios - extremamente doloridos - de um passado conturbado.

NOTA 8,5/10

FICÇÃO

NOTA 8/10

Jesus Cristo bebia cerveja, Afonso Cruz

Rosa, a protagonista, mora em uma vila do Alentejo, interior de Portugal, e vive para cuidar de sua avó, Antónia. Sua mãe abandonou a família e o pai, deprimido, “pegou uma corda e pendurou-se numa figueira. Foi o mais estranho fruto daquela árvore”. Um dia, Rosa descobre o sonho de vida de sua avó, conhecer Jerusalém, a Terra Santa, mas as difíceis condições de vida das duas e a idade avançada de Antónia elevam esse sonho ao impossível. O professor Borja se apaixona pela garota e não consegue aguentar a tristeza que a acomete por não poder realizar o sonho da avó. Assim, sugere transformar a aldeia em que vivem na própria Jerusalém, como em um cenário de teatro. Borja “acha que todas as geografias se sobrepõem. O sagrado está em todo o lado. Não tanto pelo valor intrínseco, mas pelo valor que lhe damos. Se uma aldeia o Alentejo pode ser Jerusalém, é porque é Jerusalém”. Apesar de ter inicialmente me interessado pelo enredo, o que me agradou mais na obra foi a escrita de Afonso Cruz – o que explica as passagens da obra citadas nessa resenha. Os personagens apresentados ao longo da narrativa também são muito bem construídos e todos, cada um de seu jeito, ajudam Rosa na sua missão. Quando comecei a ler, esperava encontrar um enredo mais linear, ou seja, um romance propriamente dito. Mas, na verdade, a história fica em um segundo plano e o autor constrói uma obra com um carga filosófica maior. Talvez seja por isso que o livro não tenha me prendido tanto. Além disso, é uma obra difícil e reflexiva, que exige mais do leitor, mas que vale a pena ser lida, até para sair um pouco da zona de conforto. Apesar disso, foi bom ter esse primeiro contato com Afonso Cruz, um autor português contemporâneo muito bem conceituado e cujo trabalho pretendo conhecer mais.

 

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A resistência, Julián Fuks

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A desumanização, Valter Hugo Mãe

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