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Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi

de Azar Nafisi

8/10

Diversos

Em meio a um ambiente repressor, qual papel a literatura pode ter na vida das pessoas? É possível seguir com a arte mesmo quando direitos mínimos não são assegurados? Essas são algumas das questões abordadas pela autora iraniana em seu livro de memórias que conquistou milhares de leitores pelo mundo.

A narrativa começa com uma decisão corajosa de um grupo de mulheres: lideradas pela professora Azar Nafisi, jovens estudantes resolvem se unir semanalmente para conversar sobre literatura. A atividade é sabidamente arriscada, já que naquele momento, no final da década de 90, as obras de literatura ocidental eram censuradas. Elas começam lendo Lolita, do autor russo Nabokov, e as discussões passam a ser um momento de respiro em um cenário de tanta repressão para as mulheres e para a cultura.

Aos poucos, a autora volta alguns anos e nos leva para a Revolução Iraniana, momento em que dava aulas na Universidade de Teerã. A partir desse episódio, no entanto, começam a surgir obstáculos para a sua profissão, seja pelo simples fato de ser uma mulher, seja pelo conteúdos do curso. E quando falamos de conteúdo, falamos de literatura, de obras como O grande Gatsby, considerada como imoral pelo regime conservador e totalitário.

E é nessa alternância entre seu passado e os encontros com as jovens do grupo de leitura que Azar Nafisi constrói um relato sobre o poder da literatura, um regime autoritário e a coragem de não deixar os sonhos de lado.

A obra é muito interessante, mas confesso que em alguns momentos senti o ritmo diminuir, como se alguns dos temas ficassem repetitivos. De toda forma, gostei como a autora mistura literatura e memória, trazendo novas perspectivas sobre os livros mencionados. Por fim, a leitura ainda consegue nos mostrar um pouco da realidade do país no período das décadas de 70 e 90, o que ajuda o leitor a compreender o cenário do conflito atual.

Nota 8/10

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