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Mar morto, de Jorge Amado

de Jorge Amado

8.5/10

Diversos, Ficção

Ler Jorge Amado é sempre mergulhar nas complexidades da sociedade brasileira. Capitães da areia é uma das minhas leituras favoritas da vida e, por isso, sempre começo uma nova obra do autor com altas expectativas. E assim como o romance dos garotos do trapiche, “Mar morto” se passa em Salvador, mais especificamente no cais, em uma comunidade de pescadores. A ambientação, inclusive, já é um dos pontos mais marcantes da leitura.

Guma é um jovem que enfrenta diariamente o mar em seu saveiro, pequena embarcação utilizada para pesca. Ele é só um dos homens que seguem um roteiro já definido desde o seu nascimento, em que o mar é o ponto final. Eles vivem para as águas e é nelas que o seu destino está traçado. Iemanjá os espera, enquanto eles deixam suas famílias para trás. A cada saída surge o medo de que a volta não aconteça. Quebrar esse ciclo também parece improvável.

E nesse cenário de futuros definidos, Guma tem uma esposa que está sempre no cais esperando. Uma mulher forte, que vai ganhando ainda mais presença ao longo da obra. Ao mesmo tempo que em conhecemos a relação entre os dois e a rotina do mestre de saveiro, somos levados ao seu passado. O protagonista foi criado por um tio e por toda aquela comunidade que vive em torno do mar.

Além da envolvente história de amor entre Guma e Livia, o autor nos apresenta a dinâmica de vários outros personagens que desempenham papéis distintos na rotina daquela comunidade, como o médico Rodrigo e a professora Dulce. Além disso, aborda em diversos momentos aspectos culturais brasileiros, como a relevância das religiões de matriz africana para aquelas pessoas.

Vale dizer que é um romance sem grandes acontecimentos, que exige um tempo maior e que, por meio de uma escrita poética, nos leva para aquele ambiente do caia. Em alguns momentos, é possível sentir como estivéssemos junto com aqueles personagens, em que o sol, o vento e a água salgada fazem parte das páginas.

Jorge Amado publicou o romance com apenas 24 anos e, já nesse início de sua carreira, consegue demonstrar ao leitor a habilidade em criar boas histórias, em que e o brasileiro e sua diversidade são personagens principais.

Ps: A canção “É doce morrer no mar”, de Dorival Caymmi, foi inspirada em “Mar morto”.

Instagram: https://www.instagram.com/p/DWznURjERE1/

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