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O verão em que mamãe olhos verdes, de Tatiana Tibuleac

de Tatiana Tibuleac

10/10

Diversos

Apesar de o amor de mãe ser tido como incondicional, nem sempre a relação com os filhos é como se espera. Seja por um afeto não correspondido, uma ausência a despeito da proximidade ou um arrependimento mal elaborado, há mães e filhos que preferem se afastar. Ou talvez seja uma mistura de todos esses fatores. Em algumas situações, seguir caminhos distintos pode ser a melhor solução.

Para Aleksy, o ódio que sentia por sua mãe era suficiente para justificar uma convivência pouco intensa. O sentimento do filho choca o leitor já nas primeiras páginas, despertando a curiosidade em compreender a origem de tamanho desprezo. Não há uma resposta única para uma relação tão complexa e, na busca por explicações, passamos a conviver junto com esses dois personagens em um momento peculiar de suas vidas: um verão na França.

Um novo cenário, uma rotina diferente e a possibilidade de (re)descobrir um afeto perdido. Um momento de coragem para mãe e filho. Aleksy é um jovem que sofre com acessos de raiva e enfrenta dificuldades para compreender suas emoções. Sua mãe é quase um enigma, preenchida de dores e arrependimentos, mas que é capaz de transmitir humanidade.

Eu gostei demais! Uma leitura forte, emocionante e com uma dose de humor mais ácido. A possibilidade de perdão aparece como desconforto e diálogo, e não como redenção. A leitura pode não agradar a todo leitor e o início já causa um estranhamento, mas vamos sendo levados por uma narrativa que aos poucos parece se encaixar. Não de uma forma racional, mas a partir dos sentimentos dos personagens. Acredito que seja uma das poucas obras representantes da literatura moldava no Brasil, mas se tiverem mais autoras como Tatiana Tibuleac, torço para que a gente possa ter a sorte de ter esses livros em mãos.

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