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O amor dos homens avulsos, de Victor Heringer

9/10

Ficção

O amor dos homens avulsos, de Victor Heringer Rio de Janeiro, década de 70. A força do primeiro amor, a busca pelo pertencimento e as dores de uma perda. Todos esses temas surgem a partir da vivência de Camilo, um garoto que cresce em uma família de classe média dos subúrbios cariocas.

O pai do protagonista traz Cosme, um outro garoto, para viver com a família, o que se torna um momento decisivo na vida de Camillo. Aos longo das páginas, vamos acompanhando as violências vividas pelo protagonista em uma infância que não se encaixa nos padrões, ao mesmo tempo que precisa lidar com os conflitos dos sentimentos que a sociedade entende como proibidos. É um enredo sem grandes acontecimentos a cada capítulo, mas que revelam um cotidiano dolorido, real e repleto de nostalgia. A situação se agrava com um desfecho brutal da vida de Cosme. Além disso, o autor cria a narrativa de uma forma extremamente sensível, o que, para mim, foi o ponto forte da leitura.

Me pegou muito o tema do primeiro amor, que para muitos jovens da comunidade LGBT+ é uma experiência sofrida, de paixões não vividas. A dor do que poderia ter sido, mas não foi. A identificação é, portanto, inevitável. A parte final me trouxe a sensação de uma mudança dura do enredo, me deixando com uma vontade de ler mais sobre o contexto entre Camilo e Cosme. De toda forma, o livro me impactou demais, com trechos que me acompanharam por várias semanas. Victor Heringer deixou uma produção curta, mas que merece muito ser lida.

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